
Você chega em casa depois de um dia cansativo e encontra o sofá com marcas de patas, almofadas reviradas e o estofado arranhado. A cena parece um atentado à decoração, mas revela algo mais profundo: o comportamento do seu cachorro quando fica sozinho. Essa mania de “cavar” não é apenas um capricho — ela pode ser um grito silencioso pedindo atenção, conforto ou até ajuda. Entender o que está por trás desse hábito é o primeiro passo para lidar com ele sem culpa ou estresse.
O comportamento tem raízes instintivas
Embora o sofá da sala não tenha nada a ver com o habitat natural dos cães, o impulso de cavar vem de um instinto primitivo. Lobos e cães selvagens costumam cavar o solo para criar um espaço confortável, seguro e mais fresco para descansar ou se esconder. Ao transpor esse comportamento para o ambiente doméstico, o cachorro acaba recorrendo ao que está disponível — no caso, o seu sofá. Esse impulso pode ser ainda mais forte em raças originalmente caçadoras ou escavadoras, como o Beagle ou o Terrier.
Ansiedade por separação: o motivo mais comum
Se o seu cachorro cava o sofá especialmente quando está sozinho, isso pode ser um sinal clássico de ansiedade por separação. Quando ele percebe que você saiu, pode se sentir vulnerável e inseguro. Cavar o sofá se torna uma forma de extravasar a tensão, buscar o seu cheiro impregnado no tecido ou tentar literalmente “abrir caminho” até você. Esse comportamento costuma vir acompanhado de outros sinais, como latidos excessivos, destruição de objetos e até xixi fora do lugar.
A busca por conforto e temperatura ideal
Outro motivo frequente é o conforto térmico. Cães, assim como nós, gostam de se aconchegar e sentem quando o ambiente está quente ou frio demais. Cavando o sofá, eles tentam moldar um espaço mais acolhedor, como fariam na natureza ao cavar um buraco na terra. Isso é mais comum em dias muito frios ou muito quentes, especialmente se o cachorro não tiver uma cama adequada ou mantas disponíveis.
O cheiro do tutor é um gatilho poderoso
Poucas coisas confortam mais um cachorro do que o cheiro do seu tutor. O sofá, por ser um lugar onde você passa bastante tempo, acaba carregando seu cheiro de forma intensa. Quando o cão está com saudade ou inseguro, ele cava o local tentando se aproximar daquilo que representa proteção. Em alguns casos, esse comportamento é apenas uma tentativa de se aconchegar no lugar onde você costuma se sentar.
Tédio também gera comportamento destrutivo
Um cachorro que não gasta energia física ou mental suficiente pode transformar o sofá em uma pista de aventura. Cavar, morder ou arranhar se tornam válvulas de escape para o tédio. Se o pet passa muitas horas sozinho, sem brinquedos interativos ou estímulos, o sofá vira a vítima mais próxima. E quanto mais inteligente e ativo o animal, maior a chance desse tipo de comportamento acontecer com frequência.
Como evitar que seu cachorro cave o sofá
A solução começa pelo diagnóstico correto. Observe se o comportamento ocorre apenas na sua ausência ou se também acontece quando você está em casa. Se for ansiedade, estratégias como enriquecimento ambiental, brinquedos recheáveis, feromônios calmantes e até acompanhamento com adestrador podem ser eficazes. No caso de tédio, aumentar a oferta de passeios, brincadeiras e desafios mentais já faz uma enorme diferença.
Criando um espaço mais atrativo para o pet
Invista em uma caminha confortável, posicionada em um local onde ele se sinta seguro, de preferência com objetos seus por perto. Mantinhas, almofadas e brinquedos que estimulem o faro ou o raciocínio podem redirecionar a energia que ele antes colocava em cavar. Lembre-se: o cachorro não destrói por maldade — ele age com base em suas emoções e necessidades.
Reforço positivo: a chave para reeducar
Gritar, punir ou empurrar o cachorro para fora do sofá só vai aumentar a ansiedade e o medo, o que piora a situação. Em vez disso, recompense os momentos em que ele opta pela caminha, por um brinquedo ou se comporta de forma tranquila. O reforço positivo ensina que há outros caminhos mais recompensadores do que cavar o estofado.
Cada cachorro é um universo
Mesmo seguindo todas as dicas, alguns pets podem demorar a abandonar o hábito. A personalidade, o histórico de vida e o ambiente familiar influenciam bastante. Um cão resgatado, por exemplo, pode ter traumas antigos que se manifestam nesses comportamentos. Por isso, paciência e empatia são indispensáveis ao longo do processo.
Criando vínculos mais saudáveis e duradouros
No fundo, o ato de cavar o sofá é uma forma do cachorro se expressar. Quando você passa a enxergar isso como um diálogo e não como um problema isolado, a relação entre vocês se fortalece. Cuidar da saúde emocional do seu pet é tão importante quanto garantir boa alimentação e visitas ao veterinário. E se for preciso, peça ajuda — porque um cachorro bem compreendido, dificilmente cava o sofá.