Academia Roraimense de Letras. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV).
Academia Roraimense de Letras. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV).

Guardião da memória literária e cultural de Roraima, a Academia Roraimense de Letras (ARL), completa 37 anos de atuação no dia 9 de janeiro, reforçando seu compromisso com a preservação da história, da literatura e das manifestações culturais do estado.

Fundada em 9 de janeiro de 1989, a instituição vive um novo momento desde junho de 2024, quando passou a funcionar na Casa de Cultura Madre Leotávia Zoller, prédio histórico localizado na avenida Jaime Brasil, no Centro de Boa Vista, após mais de uma década de abandono.

Segundo a presidente da ARL, Ana Célia Paz, a trajetória da Academia foi marcada, por muitos anos, pela falta de uma sede fixa, com atividades realizadas nas residências de ex-presidentes. Esse cenário mudou com a assinatura de doação do prédio do Governo de Roraima,  que possibilitou a instalação definitiva da instituição na Casa de Cultura.

A presidente da ARL, Ana Célia. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV).

“Temos um papel fundamental na sociedade roraimense: preservar as letras, as manifestações culturais do nosso estado e resguardar esse patrimônio histórico, tanto material quanto imaterial”, destacou a presidente.

Ela enfatizou ainda que o patrimônio imaterial da Academia é construído pelas histórias e pelo legado deixado pelos membros que passaram pela instituição ao longo das décadas. 

“São histórias vividas por pessoas que ajudaram a construir a Academia Roraimense de Letras. Temos a responsabilidade de carregar esse legado e consolidar a preservação dessa memória”, afirmou.

Casa de Cultura – Madre Leotávia Zoller

A nova sede da ARL carrega uma história significativa para Roraima. O administrador da Casa de Cultura, José Henrique Ferreira Leite, explicou que o prédio foi construído em 1943, no início da formação do então Território Federal do Rio Branco, por Milton Miranda. 

Segundo ele, a residência se destacava como uma das mais belas da região, sendo considerada um verdadeiro palacete próximo às margens do Rio Branco.

Administrador da Casa de Cultura, José Henrique Ferreira Leite. (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV).

“O prédio foi adquirido pelo governo estadual por decisão do então governador, general Valois, e chegou a servir como residência oficial. Ao todo, 16 governadores moraram aqui, sendo o último o coronel Hélio Campos, que deixou o imóvel com a inauguração do Palácio do Governo”, relatou.

Com o passar dos anos, a casa deixou de ser residência oficial e passou a assumir vocação cultural, transformando-se na Casa de Cultura Madre Leotávia Zoller, porém o prédio acabou caindo em desuso e permaneceu abandonado por cerca de dez anos, até que, em dezembro de 2023, o Governo anunciou sua restauração e a obra foi concluída e entregue em 24 de junho de 2024.

Para José, o fato da Casa abrigar a Academia Roraimense de Letras reforça que o imóvel já tinha esse destino de ser algo histórico. 

“Essa casa sempre esteve ligada à cultura e ao desenvolvimento do estado, atualmente, essa história se funde à da Academia, o que é motivo de orgulho para todos nós e para a população de Boa Vista”, ressaltou.

Ele também destacou o trabalho da ex-presidente da ARL, Cecília Brasil, que atuou por anos para garantir o espaço como sede da instituição. 

“A concretização desse projeto é fruto de muito empenho. Hoje, a casa recebe inúmeras visitas e simboliza a superação de um período de abandono”, completou.

(Foto: Nilzete Franco/FolhaBV).

Além de preservar a memória literária e cultural, a Academia Roraimense de Letras desenvolve uma programação contínua ao longo do ano. De acordo com a presidente, o espaço é utilizado para lançamentos de livros, saraus, apresentações musicais, peças teatrais e encontros literários.

“Mensalmente celebramos o Dia do Autor e, anualmente, realizamos eventos literários que reúnem autores locais, regionais e nacionais. Também promovemos diferentes manifestações culturais, envolvendo músicos, jornalistas, professores, escritores e a comunidade em geral”, disse.

A presidente reforçou ainda que a Academia está aberta à visitação e convida a população a conhecer o espaço e os projetos desenvolvidos. Grupos de escolas e universidades podem agendar visitas, e o acompanhamento das atividades também pode ser feito pelas redes sociais da instituição.

“Com 37 anos de história, a ARL segue fortalecendo seu compromisso com a cultura, a literatura e a preservação da memória de Roraima, agora em um espaço que também é símbolo da história do estado”, finalizou Ana Célia.