
O consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil disparou e já representa quase um quarto (23%) da alimentação dos brasileiros, mais do que dobrando desde os anos 80, segundo uma série de artigos científicos liderados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Essa tendência nacional preocupa, pois os ultraprocessados são formulados com aditivos, baixo valor nutricional e alto teor de açúcar, sal e gordura, substituindo alimentos frescos e tradicionais.
Em Roraima, o aumento do consumo de ultraprocessados reflete essa tendência e é motivo de alerta para especialistas, visto que ultraprocessados são feitos para serem super palatáveis e duráveis, mas trazem uma série de riscos para a saúde sistêmica.
A nutricionista Talita Nascimento, especialista em obesidade e emagrecimento, atua na área desde 2007. Ela explica as consequências regionais dessa mudança.
“O aumento do consumo de ultraprocessados em Roraima reflete uma tendência nacional e preocupa porque esses produtos geralmente substituem alimentos in natura ou minimamente processados,” afirma Talita Nascimento.
A consequência direta é o aumento na incidência de doenças crônicas no estado. “Esse cenário contribui para maior incidência de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Além disso, aqui no nosso Estado, onde há diversidade cultural, essa mudança alimentar tende a impactar negativamente a segurança alimentar e a saúde de comunidades que antes tinham dietas tradicionais mais nutritivas,” completa a nutricionista.
Riscos para a saúde
A composição dos ultraprocessados é a principal responsável pelos riscos à saúde sistêmica, indo muito além do ganho de peso. Talita detalha os principais perigos que afetam o corpo:
- Excesso de sódio: Aumenta a pressão arterial e o risco de AVC e doenças cardíacas.
- Alto teor de açúcares: Associado a diabetes, obesidade e doenças hepáticas.
- Gorduras de baixa qualidade: Elevam o colesterol e a inflamação.
- Aditivos químicos: Corantes, conservantes e emulsificantes podem alterar a microbiota intestinal e favorecer processos inflamatórios.
- Baixo valor nutricional: O problema é que a maior densidade calórica e menor valor nutricional leva à fome precoce e ao consumo excessivo de calorias ao longo do dia.
Seis dicas para reduzir o consumo
A chave para a mudança de hábito, segundo a especialista, é investir no planejamento e na organização de refeições, tornando os alimentos frescos a escolha mais fácil e rápida do dia a dia. Ela dá seis dicas práticas para reduzir a ingestão desses produtos:
- Priorize a base: Monte refeições simples e nutritivas. Arroz, feijão, legumes, ovos e frutas já compõem uma base nutricional excelente.
- Leia rótulos: Adote a regra – quanto maior a lista de ingredientes e mais nomes desconhecidos, maior a chance de ser um ultraprocessado.
- Controle o estoque: Evite ter ultraprocessados em casa. A ausência deles reduz drasticamente o consumo por impulso.
- Lanches inteligentes: Troque salgadinhos, biscoitos e refrigerantes por opções mais saudáveis, como castanhas, frutas, sanduíches naturais e iogurte integral.
- Organize a semana (Pré-preparo): Cozinhar grãos, lavar folhas e congelar porções no fim de semana facilita escolhas melhores durante a correria.
- Reduza açúcares líquidos: Substitua refrigerantes e sucos de caixinha por água ou chá sem açúcar, reservando sucos naturais para consumo esporádico.