NO LAURA MOREIRA

Pais de alunos reclamam de demora em obra de escola estadual: “Já são quatro anos sem aula”

Procurada, a Secretaria de Educação informou que a reforma do colégio é geral, está em andamento e a previsão de conclusão é para novembro

Moradores do bairro e pais de alunos se reuniram em frente à escola para cobrar providências sobre o andamento da reforma. (Foto: Wenderson Cabral)
Moradores do bairro e pais de alunos se reuniram em frente à escola para cobrar providências sobre o andamento da reforma. (Foto: Wenderson Cabral)

Moradores do bairro Laura Moreira, em Boa Vista, denunciaram à Folha que o Colégio Estadual Militarizado Professora Elza Breves está há quatro anos com as aulas presenciais suspensas por conta de uma reforma que nunca foi concluída. Segundo os relatos, a obra já passou por duas empresas diferentes, mas os trabalhos seguem parados, sem previsão de entrega.

De acordo com Giltemberg Fernandes, presidente da associação de moradores do bairro, a situação tem prejudicado dezenas de famílias.

Giltemberg Fernandes, presidente da associação de moradores do bairro Laura Moreira. (Foto: Wenderson Cabral)

“Já fazem quatro anos de reforma e não tem nem previsão de entrega. Esta é a segunda empresa que o governo contratou. A primeira apenas iniciou o serviço e depois abandonou. Depois, contrataram outra, mas a obra está parada”, afirmou.

Com a escola fechada, os alunos foram distribuídos em outras unidades de bairros diferentes, mas muitas famílias não conseguem arcar com os custos do transporte.

“Quem tem condições financeiras ainda consegue se organizar, mas a situação ficou mais difícil. Os pais precisam tirar do salário, que já é baixo, para pagar o transporte. Muitos não têm como arcar com esses custos, por isso fazem um esforço grande para levar os filhos antes do trabalho ou durante o dia”, acrescentou Giltemberg.

A diarista Núbia Pereira, mãe de duas estudantes de 11 e 13 anos, contou que as filhas estão há dois anos sem frequentar aulas presenciais porque ela não tem condições de pagar o transporte até outras escolas.

Núbia Pereira, diarista, relatou à Folha que não tem condições de arcar com os custos do transporte escolar para que suas filhas frequentem as aulas em outro bairro. (Foto: Wenderson Cabral)

“Elas estão sem estudar porque não tem como ir pra outra. Eu não tenho condições de botar elas pra estudar. Um salário não dá pra sustentar cinco pessoas dentro de casa”, relatou.

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Segundo ela, uma das filhas está no 6º ano e a outra no 7º, mas o acompanhamento é feito apenas por meio de apostilas. “Eles mandam um recado no grupo que criaram. Quem tem internet, estuda online. Quem não tem, tem que ir lá buscar a apostila e se virar. Mas não é a mesma coisa. Elas precisam da escola, precisam aprimorar o aprendizado, ter conhecimento das coisas”, disse.

O que diz a Secretaria de Educação e Desporto

Em nota, a Secretaria de Educação e Desporto informou que o Colégio Estadual Militarizado Elza Breves de Carvalho está passando por uma reforma geral, após 19 anos sem receber nenhum tipo de manutenção na estrutura física. Segundo a pasta, os serviços seguem em andamento.

A secretaria explicou ainda que a empresa inicialmente responsável foi notificada, penalizada e teve o contrato rescindido. Uma nova empresa assumiu os trabalhos, que incluem revestimento de piso e paredes, pintura, substituição das esquadrias das janelas e do forro, além da reestruturação das redes elétrica e hidráulica da escola.

A previsão, segundo a Seed, é que a obra seja concluída até o mês de novembro.

Confira a nota completa:

NOTA

A Secretaria de Educação e Desporto informa que o Colégio Estadual Militarizado Elza Breves de Carvalho está passando por uma reforma geral, após 19 anos sem receber qualquer tipo de manutenção na estrutura física. Os serviços seguem em andamento.

A empresa anteriormente responsável pela obra foi devidamente notificada, penalizada e teve o contrato rescindido. Uma nova empresa assumiu a obra.

Informa que até o momento, já foram realizados serviços de revestimento de piso e paredes, pintura, substituição das esquadrias das janelas e do forro, além da reestruturação completa das redes elétrica e hidráulica da escola. A previsão é de que a obra seja concluída até o mês de novembro”.

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