Por Jessé Souza
Em 20/11/2017

Por detrás da cortina

Só tem direito (ou deveria) a receber o benefício do Bolsa Família aqueles que vivem em situação de pobreza e/ou pobreza extrema, ou seja, famílias que têm uma renda per capita bem abaixo de um salário mínimo por pessoa. O cálculo é simples: soma-se o salário de todos da casa que recebam alguma renda e divide-se pelo número de pessoas do grupo familiar.

Se entre os membros dessa família a divisão der o total de até R$85,00 por pessoa, então essa família vive em estado de extrema pobreza. Situação de extrema pobreza também vive aquela pessoa que tem uma renda mensal de R$ 85,01 a R$ 170,00. Esse é o público que deve ser atendido pelo programa federal, cujo cadastro é feito pelos municípios.

Porém, a desonestidade neste país é tão grande que muitos recebem esse benefício sem merecê-lo, tirando a oportunidade das pessoas que realmente precisam. Em Roraima, é fácil ver gente chegado de carro e moto para sacar o benefício no caixa do banco.

O mesmo ocorre com o Crédito do Povo, que é um benefício estadual aos moldes do Bolsa Família. O que tem de gente que não merece essa ajuda pelo governo não está no gibi – para usar uma expressão popular muito conhecida de todos.

O Crédito do Povo deveria atender exclusivamente a pessoas em situação de vulnerabilidade social e financeira cuja renda familiar é de até 25% do salário mínimo, o equivalente a R$ 197,00. Porém, é só conferir a fila no dia de pagamento (isso quando o governo conseguir pagar, obviamente, pois há dois meses os beneficiários vêm pegando um calote) e logo será possível ver pessoas que não parecem pobres muito menos passando por necessidade extrema.

Foi só a Folha divulgar que venezuelanos já radicados no país começaram a receber o Bolsa Família para logo surgirem todos os tipos de ataques aos estrangeiros. Muitos dos ataques partem de gente que recebe o benefício sem merecê-lo, o que significa uma fraude aos programas sociais. E quem frauda está praticando corrupção, não igual às malas de dinheiro que se vê com os políticos, mas também é um ato de obter vantagens por meios ilegais ou ilícitos.

Vergonhoso não é um estrangeiro que está fugindo da miséria e da fome receber um benefício do governo. Vergonhoso é receber um benefício de forma ilegal, tirando a oportunidade de quem realmente precisa de ajuda para fugir da miséria e da pobreza extrema. Vergonhoso é atacar a corrupção na política, mas praticar a fraude em programas sociais. Isso sim é uma imoralidade, que também precisa ser combatida!

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
Acesse: www.roraimadefato.com.br

Jessé Souza
jesse@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!
Últimas de
Jessé Souza
+ Ler mais artigos de Jessé Souza