Por Parabólica
Em 05/02/2018

Bom dia,

A Praça Capitão Clóvis, bem no Centro histórico de Boa Vista, foi durante décadas o ponto de encontro de gerações inteiras de roraimenses, e até mesmo de rio-branquenses, que para ali acorriam nas tardes de domingo. Foi também palco de disputas esportivas, especialmente futebol de salão –hoje, com o nome encurtado para futsal-, voleibol e basquete. Foi na Capitão Clóvis -homenagem feita ao ex-governador do ex-Território, Clóvis Nova da Costa-, que o basquetebol roraimense viu, em seus anos de ouro, desfilar ícones desse esporte como Warloman Barbosa, Sabá Pinheiro, Odir Lucas -recentemente falecido-, Batista Melo, Klinger Duarte, Valverde Barbosa, Moisés Melo, e tantos outros que no momento não vem à memória do nosso redator. Quase todos os dias da semana havia partidas memoráveis na Capitão Clóvis.

Para a Capitão Clóvis, todos os finais de tarde acorriam também os jovens estudantes do Ginásio Euclides da Cunha (GEC) e da Escola Normal Monteiro Lobato, que sentados nas muretas e bancos do local -e até no muro do Jardim de Infância Princesa Isabel namoravam, ou simplesmente conversavam sobre o cotidiano, e os sonhos de uma juventude típica de cidade pequena, que aproveitava esses finais de tarde, porque a luz elétrica dos boa-vistenses apagava às dez da noite, para economizar óleo diesel ou querosene. Era ali que se forjava o caráter e a vontade de uma geração que sonhava sair do Território para estudar, e um dia tomar as rédeas política e administrativa de sua terra natal.

Nas tardes de domingo então, a Capitão Clóvis ficava lotada de jovens boa-vistenses vindos de todos os bairros -naquele tempo não passavam de uma dúzia-, que aproveitavam os ventos que sopravam do Rio Branco para passear ao longo da Avenida Jaime Brasil, esperando os jogos da noite ou o início das sessões do Cine Boa Vista e do Cine Olímpia. É claro, os namorados passeavam de mãos dadas, e aproveitavam o escurinho do cinema para namorarem com um pouco de ousadia. E tudo acontecia com muita naturalidade, porque parece que havia uma concordância dos pais para aceitar a Capitão Clóvis como o local de namoro permitido, naqueles tempos de recato.

E por que relembrar essas histórias da Capitão Clóvis, perguntariam nossos leitores? É para chamar a atenção de todos que amam Boa Vista, sua história e tradição, para o abandono a que a atual administração municipal relegou aquele lugar que mora em nossas consciências e corações. É deprimente ver a Capitão Clóvis entregue à sujeira, ao mau cheiro, lotada de migrantes venezuelanos que dali fizeram moradia. São roupas estendidas por toda parte. Fezes que exalam um cheiro insuportável e à noite é fácil presenciar pessoas tomarem banho completamente nuas, num cenário absolutamente inaceitável, no Centro histórico de nossa Capital, que a propaganda oficial quer fazer acreditar, como a cidade mais bonita e zelada do Norte brasileiro. É revoltante e dá vontade de buscar uma forma de reagir a tanto descaso.

MAIS PEDIDOS
O deputado estadual Coronel Chagas (PRTB), vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), que é também presidente do Parlamento Amazônico estará chefiando uma comitiva de outros parlamentares estaduais da Amazônia, hoje, logo mais as 11h30 em audiência com o Presidente de República, Michel Temer (PMDB). Será mais uma liderança política do Estado a lembrar ao chefe do Poder Executivo brasileiro a atenção para o gravíssimo problema da migração de venezuelanos, que em Roraima já atingiu níveis insuportáveis e chega a preocupar outros estados amazônicos. E eles não chegarão ao Palácio do Planalto de mãos abanando. Ontem, em entrevista ao programa Agenda da Semana da Rádio Folha, o deputado Coronel Gerson Chagas exibiu um alentado levantamento sobre o problema migratório em Roraima, com números que chamam a atenção para a gravidade do problema. O parlamentar leva igualmente quatro sugestões de medidas urgentes a serem tomadas pelo Governo Federal em curto prazo, especialmente na área de segurança de fronteira.

DENÚNCIA
Circula por e-mails e redes sociais uma denúncia gravíssima envolvendo a bagatela de R$ 5 milhões de dinheiro público desviado para bolsos privados através de um contrato de software, para variar, com uma empresa de fora (Rio de Janeiro), que viria para resolver um problema de gerenciamento do setor educacional de uma prefeitura roraimense. A denúncia traz nomes, datas de reuniões para tratar do processo licitatório, e de faturas pagas sem qualquer prestação de serviço por parte da contratada. São detalhes fornecidos por quem aparentemente conhece os meandros do esquema, e que são facilmente apuráveis pelo Ministério Público do Estado (MPE) e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). Basta querer apurar.

VETOS
Embora o relator da Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado para 2018, o deputado estadual Jânio Xingu (PSL) tenha declarado à Folha que gostaria de ver votados ainda esta semana, em sessão extraordinária, os vetos feitos pela governadora Suely Campos (PP) às emendas feitas pelos parlamentares que aumentaram os tetos dos outros órgãos e poderes do Estado, fontes da Parabólica garantem que isso não será possível. A votação, dizem as fontes, só começará a ser discutida a partir de hoje, com o retorno à Boa Vista, do presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier (SD). Ontem, na Rádio Folha, dois parlamentares -Coronel Gerson Chagas (PRTB) e Joaquim Ruiz (Podemos) disseram que votarão pela manutenção do veto.

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