Por Opinião
Em 26/01/2018

ESVAZIE A FOSSA - Vera Sábio*

Já dizia a minha avó: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

Existem pessoas que são verdadeiras fossas ambulantes, no entanto cobertas com granitos reluzentes e perfumes franceses. Elas assumem cargos de grande escalão, tendo colarinhos limpos e possuindo espíritos imundos.
Transbordando, estas fossas já não conseguem manter o cheiro escondido, acabando por vazarem por qualquer brecha e mostrarem suas verdadeiras essências.

Portanto lhes afirmo: não adianta tampar o sol com a peneira, ignorar os fatos, justificar o injustificável e continuar empurrando a realidade com a barriga, onde os umbigos reluzentes revelam marcas e mais marcas da imundice da corrupção.

Partidos, como bem revela a palavra, são rachaduras, frestas pelas quais escorrem o esgoto da corrupção, onde somente aquele que não quer, não enxerga, mas mesmo assim sente seu efeito.

Estamos em total caos, e por isto pergunto:

- Como a verdadeira justiça vai agir nessas situações?

Como esvaziar a fossa que impede o fluxo do sucesso, honestidade, amor à pátria e solidariedade mútua. Para que tenhamos esperança em dias melhores?

“Um caipira rural, ao visitar suas poucas vaquinhas que eram o sustento da família, encontrou um pedaço de chifre no chão, o que lhe deixou bem preocupado, pois era sinal de uma doença que fazia cair o chifre das vacas, até levá-las à morte. Para verificar isto melhor, o caipira colocou o chifre no bolso e continuou seu trabalho.

Logo encontrou o filho que lhe ajudava na lida e começaram a andar pela mata ao redor, porém um tempo depois o caipira desassossegado dizia ao filho que ficasse de olhos bem abertos, pois a onça deveria estar por perto. Até seus rastros acharam facilmente e o cheiro de onça era demais. Já sabiam que onça, bicho esperto e traiçoeiro, seguia às escondidas até atacar, por isto não conseguiam enxergá-la, mas o percurso de meia hora durou para pai e filho uma eternidade de medo e apreensão.

Ao chegar na humilde casa, qual não foi a surpresa, quando retirou a camisa e verificou que o cheiro de onça era somente um pedaço de chifre em decomposição...”.
Porém, não quero ser eu a dona da verdade e acusar ou inocentar alguém, o que sei como os demais cidadãos é que há muito cheiro de onça pelo ar, muita fossa abafada, muita grana desviada e muita sujeira que já não cabe mais debaixo do tapete.

O que precisamos é de órgãos fiscalizadores, responsáveis, justos e capazes de esvaziar tantas fossas, retirar tantas camisas e deixar que o bom ar da justiça prevaleça.

Não tem como vivermos desconfiados e com tanto medo, é preciso que a justiça aconteça, nos dando esperança e nos fazendo acreditar que ainda vale a pena sermos bons.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, escritora, esposa, mãe e cega com grande visão interna.
CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


2018: o ano da evolução dos ataques cibernéticos - Leonardo Barros*

Se em 2017 fomos apresentados para o ransomware, malware e outros programas maliciosos, em 2018 a possível notícia é a de que vamos ter que conviver com suas evoluções, no melhor estilo darwinista vendo-as crescer e se perpetuarem com o tempo.

O mercado de Tecnologia da Informação dá sinais da onipresença de um destes vírus neste ano em uma pesquisa divulgada pelo (ISC)², instituto focado em educação e certificações profissionais em Segurança da Informação e Cibersegurança. A entidade informou que 44% dos profissionais de TI da América Latina apontaram o ransomware como o maior temor em relação à segurança da informação para 2018.

O ransomware, um tipo de software mal-intencionado que criptografa todas as informações que estão no disco rígido do computador, chegou causando pavor em empresas do mundo todo. Se houvesse uma daquelas listas sobre top trends do 2017, com certeza o ransomware figuraria no topo dos fatos mais lembrados por sua presença não grata.

O primeiro grande susto foi o mega-ataque intercontinental do dia 12 de maio. Nas telas dos computadores apareciam mensagens pedindo o pagamento em bitcoins (moedas virtuais) equivalentes a, no mínimo, US$ 3.000 para reativar o sistema. No Brasil, mais de 1,1 mil computadores foram infectados, sendo a maioria máquinas de pequenas e médias empresas, além das suntuosas operações, como o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), a Petrobras, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Hospital Sírio-Libanês.

Já em 27 de junho, um novo ciberataque afetou sistemas de empresas de diversos países. Desta vez, o vírus Petya, vindo da Rússia e da Ucrânia, atingiu aeroportos, bancos e outras instituições em países como Estados Unidos, Dinamarca e Espanha. Entre as empresas que confirmaram o ataque, estavam a Bashneft, do setor de petróleo, a Mars, de alimentação, e a Nivea, gigante de cosméticos. Em terras brasileiras, a mesma campanha maliciosa teria atacado agências de publicidade.

Em outubro, o vírus Bad Rabbit chegou a causar atrasos em um aeroporto ucraniano porque os funcionários processaram dados manualmente, além de afetar diversos meios de comunicação na Rússia. O Bad Rabbit infectou os computadores por meio de uma falsa instalação do Adobe Flash. Quando a vítima executa o arquivo baixado, o computador passava por um processo de criptografia.

A retrospectiva de todos estes casos emblemáticos não deixa dúvidas de que 2017 foi ano da consolidação do ransomware. Com a virada do calendário, mudam-se as estratégias e as metas, porém não se pode mudar a preocupação das empresas e dos líderes de TI na evolução da consolidação não só do ransomware, como de outros programas maliciosos que chegarão cada vez mais sofisticados na próxima temporada.

A ordem é reconhecer cada vez mais os benefícios da importância de ter uma força de trabalho de cibersegurança qualificada. Tendo esta consciência, com certeza será o primeiro passo para a sua empresa ter um novo ano mais seguro.

*Diretor executivo da Reposit Tecnologia, provedora de soluções completas em gerenciamento de dados, especializada no atacado distribuidor e varejo


A forma da água - Oscar D’Ambrosio*

A marginalidade torna os diferentes iguais. Esse poderia ser o mote do filme 'A forma da Água' ('The Shapeof Water'). Temos ali, em meio à Guerra Fria, na qual EUA e Rússia preferem a destruição do mundo a uma derrota, um romance improvável e lindamente filado e interpretado.

A paixão entre uma criatura fantástica meio peixe, meio homem, uma espécie de sereia ou iara masculina, e Elisa, a faxineira muda de um laboratório experimental secreto em que a 'fera' está presa. O encontro entre os diferentes possibilita uma épica fábula, onde a morte simbólica é inevitável para se ter um final feliz em uma nova dimensão.

Os personagens de apoio desse encontro – um desenhista de anúncios publicitários homossexual com o trabalho rejeitado pela utilização cada vez mais comum da fotografia; um espião russo que deseja salvar a criatura; e uma faxineira, colega de Elisa, que começa a descobrir o empoderamento feminino – completam o quadro.

A direção de Guillermo del Toro congrega a fantasia da situação com o drama do sofrimento dos protagonistas e o amor que pode tudo harmonizar. O ritmo acelerado, a delicadeza das imagens e a sincronicidade da trilha sonora envolvem e apontam para uma salvadora conclusão: a ficção pode não salvar, mas reconforta.

*Jornalista, mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, é Doutor em Educação, Arte e História da Cultura


Mude de time - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Você sabia que, em média, as pessoas passam 70% do seu tempo vivendo o passado, 20% vivendo o futuro e apenas 5% vivendo o presente?” (Luiz A. Martins)

Infelizmente ainda vivemos assim. Maior parte do nosso tempo, perdemos, pensando no passado, e sempre no mais negativo. Sempre nos maus momentos que vivemos; nos sofrimentos, e desencantos. Ainda não aprendemos a viver. Quando pensamos que aprendemos, e que não devemos perder tempo com o passado, começamos a pensar no futuro. Mas sempre sem nos prepararmos pra ele. Você não precisa pensar no futuro, basta se preparar pra ele. E quando nos preparamos para o futuro não nos preocupamos com o passado nem com o futuro, só com o presente.

E só poderemos construir o futuro vivendo o presente. Sei que você sabe que o presente é hoje. Ontem já é passado. Não perca seu tempo tentando reviver os momentos vividos ontem. Não importa se eles foram bons ou ruins. O que realmente importa e interessa é o que você aprendeu ontem para viver hoje. Passado e futuro são dois times que não disputam. Estão na deles. Cabe a você saber sair dos dois. Jogar no time “hoje e agora”, preparando-se para o time “Amanhã”. Acorde sempre sorrindo. Dê bom dia ao dia. Se ele será bom ou ruim pra você, vai depender de como você o recebeu.

Vai aqui uma sugestão simples, de um amigo simples: quando acordar pela manhã, dê bom dia ao seu subconsciente. Ele é o amigo mais poderoso e fiel que você tem. E está sempre à sua disposição. Ele fará tudo que você lhe disser para ele fazer pra você. O problema é que uma pequeníssima parte da população da Terra sabe disso. E só essa é capaz de realizar os sonhos. Porque é uma tarefa simples, mas muito difícil. Requer muito desenvolvimento mental e racional. E como isso faz parte da evolução humana, depende do ser humano.

Você já tentou conversar com seu subconsciente? Tente, mas isso vai exigir de você, um treinamento profundo. O que exige muita racionalidade. E só conseguiremos isso quando nos conscientizarmos da nossa origem. Mas vá com calma ao pote. A racionalidade requer equilíbrio mental. Sem este não há racional. E você só entenderá isso quando começar a conhecer você mesmo. Então faça isso. Você quer continuar no time dos 70%, dos 20%, ou pretende entrar no dos 5%? Porque é neste que você iniciará sua caminhada para a racionalidade.

E aqui vai outra sugestão: não confunda isso com religião ou coisa assim. É apenas uma abertura para as veredas da racionalidade. Porque sem esta você não conseguirá seu papo com o seu subconsciente. E sem a ajuda dele você não chegará a lugar nenhum. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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