Por Opinião
Em 08/02/2018

O declínio da educação básica no Brasil - Flamarion Portela*

Os dados divulgados pelo Ministério da Educação, no último dia 31 de janeiro, sobre o Censo Escolar 2017, revelam uma triste realidade: o declínio da educação básica em nosso País.

De acordo com os números divulgados pelo MEC, nos últimos cinco anos, houve uma queda de 1,8 milhão de matrículas no ensino fundamental. São quase dois milhões de crianças e adolescentes a menos nas escolas públicas e privadas brasileiras, somente nessa etapa do ensino.

Fazendo uma análise fria desses dados, percebemos que a deficiência está tanto na rede pública quanto na privada. Porém, é no setor público que constatamos os maiores problemas, que vão desde a falta de estrutura das escolas, com número de salas insuficientes, falta de material e de qualificação para os professores, passando pela falta até mesmo de livros didáticos e da merenda escolar.

Alie-se a isso, a questão econômica dos pais e dos próprios adolescentes, que precisam conciliar escola e trabalho, o que nem sempre é possível, e até mesmo a própria falta de interesse pelo estudo em casos mais específicos.

Há ainda outros obstáculos, como baixos índices de qualidade na educação regional, a falta de recursos para a educação, falta de formação e valorização de professores, o desgaste do atual modelo educacional, além da falta de uma política efetiva de inclusão e acessibilidade, sobretudo nas regiões mais pobres do País.

Segundo os dados do Censo, no ano passado, pouco mais de 22 milhões de alunos foram matriculados no ensino fundamental em escolas públicas do País, o que representa uma queda de 1,62% em relação a 2016.

Em Roraima, os números do Censo 2017 apresentam um quadro que vai na contramão do nacional. No total geral, em todas as etapas de ensino, foram 71.742 alunos matriculados na rede estadual, com um registro de 1.574 novas matrículas, se comparando com 2016.

De acordo com os dados do MEC, do 1º ao 9º ano do ensino fundamental foram registradas 42.253 matrículas em Roraima, sendo 331 novas. Para o ensino médio, a diferença comparando com 2016, foram de 533 novas matrículas. Parece pouco, mas em comparação proporcional com outros estados estamos um passo à frente.

Os dados em nível nacional nos mostram a necessidade latente de um fortalecimento global da educação básica no País. Não podemos esquecer que é nessa fase que se começa a formar os cidadãos para o futuro. É preciso garantir uma educação de qualidade, com acesso irrestrito e igualitário para todos. A educação é a base de tudo. Se não garantirmos vagas nas escolas para nossas crianças e adolescentes, estaremos fadados a ter uma geração de brasileiros sem expectativas de um futuro próspero.

*Ex-governador de Roraima


O amor pela Educação - Marcelo Uchôa Gomes*

Vou começar assim: QUEM NÃO TEM AMOR PELO QUE FAZ??? Então, embora não se tenha o costume de afirmar que ama sua profissão, os profissionais em Educação não só afirmam quanto exercem sua função com amor, carinho, atenção, disposição, dor, sofrimento, desprezo, e mal renumeração. Mas, aquele que realmente vestiu a camisa da EDUCAÇÃO, nunca vai deixar de executar porque não é reconhecido, pode reclamar muito, mas está na frente da batalha diária em uma escola, em sala de aula, junto aos alunos. Quando se desempenha uma função, tem que ter muito amor pelo que faz. Ter um objetivo e levar uma reflexão e ação escolar juntamente com a vida familiar envolvendo todo o desenvolvimento infantil, no aspecto físico, intelectual, moral, espiritual e social já que as heranças desta fase encaminharão o indivíduo a realizações na vida. Nos dias atuais a escola não pode viver sem dar importância a esse ato de amor, de mostrar que o aluno que eles recebem todos os dias não é apenas mais um, mas sim que é amado, que faz a diferença e que é importante para o corpo escolar, pois, é através da interação desse trabalho em conjunto que haverá desenvolvimento e bem estar na aprendizagem da criança, contribuindo na formação integral da mesma, havendo a necessidade de a escola estar em perfeita sintonia com a família. A escola não deveria viver sem a família e nem a família deveria viver sem a escola. Uma depende da outra na tentativa de alcançar o maior objetivo, qual seja, o melhor futuro para o filho e educando e, automaticamente, para toda a sociedade. Um ponto que faz a maior diferença nos resultados da educação nas escolas é a proximidade dos pais no esforço diário dos professores. É necessária uma conscientização muito grande para que todos se sintam envolvidos neste processo de constantemente educar os filhos. A importância do ato de amor na educação escolar é um tema que merece reflexão, pois se vive numa época em que a sociedade encontra-se desestruturada e desintegrada dos valores. O Livro Família e Escola: Trajetórias de escolarização em camadas médias e populares, organizado por Maria Alice Nogueira, Geraldo Romanelli e Nadir Zago, relatam um conjunto de pesquisas, cujos resultados, são imprescindíveis aos educadores, na medida em que oferecem aspectos para reflexão e análise sobre o funcionamento do sistema escolar, privilegiando o ponto de vista da sua abordagem intrincada com a família, até então, embutida geralmente na comunidade. Tais pesquisas apresentam alguns pontos comuns; entre eles a “ausência de uma tradição de estudos sobre as relações que as famílias mantêm com a escolaridade dos filhos” (2000, p.9) e o “[...] relativo consenso, entre os autores, de que se trata de uma relação complexa e, por vezes, assimétrica, no que diz respeito aos valores e objetivos entre essas duas instituições [...]”. (2000, p.9). NOGUEIRA, M. A.; ROMANELLI, G.; ZAGO, N. (orgs). Família e escola: trajetórias de escolarização em camadas médias e populares. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. Nós educadores temos que ver além do que todos podem ver. Ver o que existe atrás de um simples olhar. Ser professor é olhar além do conhecimento e ver a criança como um ser humano necessitado de amor, carinho e compreensão. Precisa estar conectado em amor para ser útil para com todos. O professor deve estar sempre com a fantasia na mente e nas pontas dos dedos para agir e direcionar seu aluno. A educação precisa estar impregnada de amor e de verdade, para que cada dia a alegria surja. A função do educador é ajudar, mediar, lutar, e vencer nessa sociedade que reconhece que existem problemas, mas que o sistema tem jeito e pode mudar, depende de cada um de nós educadores. O amor traz amor e nossos alunos levarão nossos atos do dia a dia para o resto de suas vidas e passarão a outros. Içami Tiba (1996, p.140) nos diz que "o ambiente escolar deve ser de uma instituição que complemente o ambiente familiar do educando, os quais devem ser agradáveis e geradores de afetos. Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para o benefício do filho/aluno". Segundo a Revista Eletrônica de Educação (2008, p. 2): A escola é uma segunda casa para a criança e pode ser definido também como um conjunto de pessoas que possuem o desejo de estarem unidas, de se complementarem e de construírem para seu crescimento juntas. É através desta relação que alunos, professores e o conjunto escolar desenvolvem laços de afetividade e receptividade de maneira adequada. Mas, para que isso ocorra de forma satisfatória, é necessário que haja referências positivas, pessoas responsáveis de mostrar os limites necessários para o desenvolvimento de um indivíduo com equilíbrio emocional e afetivo. Esta referência se vale de pessoas, palavras, gestos que irão de alguma forma contribuir ainda mais para a formação da identidade da criança. Por isso, é importante que, nos momentos de decepções seja em sala de aula uma nota baixa, por exemplo, ou mesmo em alguma dificuldade em casa, as crianças recebam carinho, atenção e compreensão, desta forma, estarão desenvolvendo uma identidade sadia e aprenderão a lidar com as frustrações que a vida apresenta.

*Professor


A última dose - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Só sente saudade quem foi feliz”

Não sei se você se lembra de alguma das suas vidas anteriores. Eu quase me lembro. Ando bem perto de me lembrar. Até quando estou arengando com as formigas no quintal. Do jeito que elas olham pra mim, acho que elas se lembram. Assim são os limoeiros. Nenhum deles gosta de mim. E ontem, aproveitei a manhã friinha e resolvi podar meu limoeiro. Foi a maior furada da paróquia. Tô todo furado. A dona Salete até quis me levar ao pronto-socorro. Não estou conseguindo nem mesmo ‘dedodurar’ as teclas. Já estava pedindo a Deus que alguém me tirasse dali, quando a Salete me avisou que logo mais iríamos almoçar. Agi nos procedimentos: banho, espiada pela cozinha pra sentir se ia demorar muito, e coisa assim. Liguei o computador e fiquei matutando sobre o que falar hoje. Não me ocorria nada. As picadas dos espinhos do limoeiro me deixavam tonto. Conectei o Media Player e cliquei no CD “Mulher”. Acertei na mosca. Foi um verdadeiro derramamento de saudade. Quanto tempo faz que você não escuta o Dick Farney? Cara... Desmanchei-me. Quase chorei. Estou falando sério. E como não era tudo, Dick saiu, e chegou, sem dó nem piedade, o Agnaldo Rayol, seguido de Moacir Franco. E olha que só estou tentando poupar você, não mencionando as músicas que eles cantaram.

Bem, não vou ficar nadando no mar do já fui. Mas é que sou feliz por ter ido. As mulheres que ouvi nesse CD me levaram ao céu da felicidade. Não vou mencioná-las para você não navegar. Mas se você está pensando que sou um poço de sentimentalismo, corta essa. Não me interessa se você é jovem, mas experimente ouvir o Dick Farney cantando Marina, do Caími. Ouça-o e depois me fale. Nesses momentos que dependem do momento, fico com os olhos bem molhados. A dona Salete olha pra mim e recorro à minha garganta. Começo a pigarrear para a Salete pensar que minha garganta está irritada. Continuo o mesmo boboca sentimental e sem coragem de assumir. Nada me emociona mais do que uma boa música num bom momento. E não há momento melhor do que o em que você está sentado à mesa, almoçando com a pessoa que você ama, ouvindo uma música deliciosa e que já mexeu muito com você em outras épocas.

Tudo bem e prometo que não voltarei a incomodar você com esse assunto aguado e meio sem rumo. Mas estou feliz, e sei que você vai ficar com vontade de ouvir o Dick Farney e a Núbia Lafayette. É só ouvi-los e senti-los. Garanto que isso vai lhe fazer um bem maravilhoso. Mas até lá vamos cuidar da vida para viver com intensidade. Só quando vivemos com felicidade é que podemos desfrutar do prazer nas lembranças. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

Opinião
jesse@folhabv.com.br
Não existem comentários. Seja o primeiro a comentar!