Por Jessé Souza
Em 23/10/2017

O momento pede urgência

A tragédia que ocorreu em uma escola particular de Goiás, na sexta-feira passada, onde um adolescente matou a tiros dois colegas de sala de aula e deixou quatro feridos, é mais uma alerta sobre o bullying, quando uma criança ou adolescente se torna alvo de repetidas agressões físicas e/ou verbais.

A preocupação com essa prática tem aumentado nos últimos anos, na mesma medida em que surgiram vozes de gente levando o assunto para o lado da ironia, nas redes sociais, dizendo que, no seu tempo de escola, as “brincadeiras” eram normais e que ninguém “se ofendia” por isso.

Não é verdade. Os mais fracos sempre sofreram com isso e obviamente não reagiam por sentirem-se importantes, mas carregaram ou carregam por toda sua vida uma revolta internalizada que pode explodir a qualquer momento, seja em casa, no trânsito, na fila do banco ou no local de trabalho, quando as pressões surgem.

Nem todos reagem e internalizam as agressões da mesma forma. O que não havia em tempos passados era uma preocupação dos educadores nem da sociedade sobre isto, até porque o lullying é uma questão que surgiu há pouco tempo, nos Estados Unidos, e se popularizou mundo afora.

Mas as agressões verbais e físicas sempre existiram na escola em todas as épocas. A diferença para aqueles velhos tempos é que a realidade mudou, as diferenças sociais aumentaram, a violência cresceu junto com as pressões sociais e a ausência dos pais, seja porque estão trabalhando ou por negligência mesmo diante da fragmentação familiar.

O momento atual é muito propício para o surgimento do bullyng, pois estão sendo alimentados na sociedade todos os tipos de preconceito sob a bandeira do conservadorismo e da pós-modernidade com seu individualismo inerente, ausência de valores e regras, misturando o real e o imaginário (hiper-real) do mundo do videogame.

As redes sociais mostram abertamente essa nova realidade de intolerância, do preconceito, do uso da religião como opressão e do ataque gratuito ao outro só por pensar ou ser diferente. Se tudo isso está sendo difundido na sociedade, obviamente que as crianças e adolescentes, que ainda estão em formação de seu caráter, estão sendo bombardeados por tudo isso.

A escola não é um mundo isolado. Ela é o reflexo do que está acontecendo dentro da família e da realidade da infância e adolescência no mundo que as cerca, as quais estão interpretando esses valores e levando para escola a reprodução dessa realidade de preconceitos. É por isso que o bullying precisa ser discutido amplamente, principalmente diante do que ocorreu na escola em Goiás. É uma questão urgente!
*Jornalista

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Jessé Souza
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