Por Jessé Souza
Em 01/11/2017

Cenário de Idade Média e o Durepox

A prisão de um agente penitenciário sob a acusação de facilitar a entrada de drogas e armas no sistema prisional, além de dar apoio ao crime organizado para executar agentes da Segurança Pública, apenas revela o que já era uma desconfiança: a corrupção dentro dos órgãos governamentais por parte de alguns servidores.

Não há como combater o crime sem antes minar a corrupção dentro das instituições de segurança. A operação realizada ontem pela Polícia Federal, com apoio da Divisão de Inteligência e Captura (Dicap) da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), não deixa de ser um alento para a sociedade, que deseja ver o Estado reprimindo o avanço da criminalidade em Roraima, que parte de dentro dos presídios, que se tornaram o quartel general da bandidagem.

Em um Estado em que pouca coisa funciona como deveria, quando se trata de ação de governo, é difícil as instituições conseguirem fazer frente à força das organizações criminosas, as quais têm tentáculos fora dos presídios, cujos os comandos vêm de outros estados, numa força paralela aos poderes constituídos.

Enquanto o Estado não consegue se organizar, deixando os bons profissionais atuando por seus próprios méritos, sem apoio e estrutura necessários, os bandidos ampliam seus tentáculos, cooptando agentes da Segurança Pública, advogados e outros profissionais que se deixam iludir pelo dinheiro fácil da ilegalidade, atuando nas brechas e deficiências que o poder público permite.

Era óbvio que o crime contava (e conta) com apoio de agentes do Estado para conseguir ter acesso a drogas e armas dentro dos presídios. Esta atividade criminosa se torna mais fácil e tentadora diante de um sistema prisional deficiente, com presídios caindo aos pedaços e desaparelhado de equipamentos primários como câmaras de monitoramento.

Não há como enfrentar a bandidagem com este cenário de terra arrasada, com os profissionais sentindo-se impotente diante das organizações criminosas e submetido a locais de trabalho que mais parecem ambientes da Idade Média ou como se tivesse sido remendado com Durepox.

Enquanto este cenário continuar, com a nítida desvantagem dos agentes do Estado frente aos bandidos, a criminalidade só aumenta em todo o Estado, com as ordens partindo dos presídios, a exemplo de casos semanais de execução, na Capital e interior, com claros sinais de homicídios por acerto de contas do crime organizado. É o crime avançando no Estado.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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