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Motorista vira Papai Noel inspirado no pai, vítima da Covid-19

Se Weverton passou a gostar de animar as crianças, o pai dele trabalhava para alegrar os adultos

O Natal de 2022 tem um significado especial para o motorista de transporte escolar Weverton Gonçalves de Almeida, de 30 anos. É a primeira época natalina em que ele se fantasia como Papai Noel, seguindo o legado do próprio pai, o militar do Exército Brasileiro, Pedro Francisco de Almeida.

“Adoro, gosto, tá no sangue da família”, disse após atender o pedido de 649 crianças de comunidades indígenas que pediram presentes de Natal por meio da campanha Papai Noel dos Correios, na zona rural de Boa Vista. Uma das solicitações atendidas foi a primeira bicicleta da vida do estudante Emanuel de Lima Araújo. “Papai Noel, obrigado por ter lido minha cartinha. Papai Noel existe”, disse o garoto de dez anos.


Seu Pedro Francisco com a neta Wendrya, filha de Weverton (Foto: Arquivo pessoal)

Se Weverton passou a gostar de animar as crianças, o pai dele trabalhava para alegrar os adultos: os colegas de farda do 7º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), onde atuava como terceiro-sargento. “Toda vez que ele fazia essa ação vestido de Papai Noel, ele tava de serviço no quartel. Todo ano era sagrado ele estar de serviço nessa época. Fui achando legal a fantasia”, lembrou.


O motorista de transporte escolar como Papai Noel em evento na comunidade indígena Vista Alegre (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

Mas a alegria foi interrompida por um tempo. Pedro Francisco se aposentou, adquiriu problemas de saúde como cardíacos e de diabetes, tendo como ápice a Covid-19. E há um ano e oito meses atrás, a doença matou uma das pessoas mais importantes da vida de Weverton – assim como outras 2.179 pessoas em Roraima.

Se antes o motorista de transporte escolar chorava a morte do pai aos 69 anos, hoje suas lágrimas são de emoção pela felicidade em ver milhares de crianças recebendo o carinho e o presente do bom velhinho, por meio de suas mãos.

“É meu primeiro ano, é emocionante e eu não pretendo parar com isso, porque a gente vê a alegria das crianças, com os olhos cheios de lágrimas, de emoção. Só tenho a agradecer a Deus. Está no sangue a gente fazer essa homenagem ao meu pai e às crianças. Porque criança é tudo, muito emocionante. A gente fica até emocionado de dizer, porque são lembranças que ficaram”.


Papai Noel e organizadores de evento na comunidade Vista Alegre (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV)

*Por Lucas Luckezie