Cultura

Instituto ensina esporte e expressão cultural de matriz africana há 6 anos

Mais de 30 crianças e adolescentes que fazem parte do grupo de capoeiragem do Instituto Biriba

“A capoeira é como uma arte plural, passível de diversas interpretações. Capoeira angola, capoeira regional, capoeira contemporânea, hidrocapoeira, capoeira gospel, capoterapia, capoeira de rua ou simplesmente capoeira são parte do universo desta arte e todos têm o mesmo espaço, respeito e admiração. Em um mundo onde as divergências ainda geram conflitos, para o Comitê a divergência na capoeira gera novos pensamentos, reflexões e interpretações legítimas das culturas popular”, destaca o Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira de Roraima, em livro que conta a história da capoeiragem no estado, publicado em 2018.

Um ano antes da publicação desse material, Jefferson Dias de Araújo, um dos nomes na produção, abria o Instituto de Capoeira e Arte Biriba. Inspirado nos mestres da capoeira, o contramestre (CM) Biriba, como é conhecido, ensina o esporte e a expressão cultural de matriz africana para crianças e adolescentes há seis anos, que foram comemorados nesta segunda-feira (27), no Instituto localizado no bairro Jardim Floresta.

Atualmente, conforme Biriba, cerca de 30 crianças, de 04 a 10 anos, participam das rodas de capoeira, além daquelas que fazem outras atividades oferecidas no Instituto, como violão, inglês com xadrez e até yoga. Os capoeiristas também são diversos e entram na roda conforme o chamado de um colega.

“O trabalho que a gente faz aqui tem a intenção nas habilidades, na questão de como se identificam as suas habilidades. A parte musical, da dança, é incrível porque tem crianças aqui, por exemplo, com TDAH, autismo e hiperatividade, só que a gente olhando parece que está todo mundo no mesmo nível. E isso a gente também não compartilha, porque quando tá na roda, todo mundo é igual”, ressalta.

Em conversa da reportagem com as crianças, o momento que elas mais gostam na prática é a abertura da roda porque é divertido fazer os movimentos com os outros colegas. Mesmo com dois anos participando, Eduardo Henrique, de 7 anos, parece não ter entendido porque treina capoeira.

“Eu ainda não entendi o projeto. Faço capoeira mas eu ainda não entendi. Gosto de fazer e o que é mais legal é a roda, me divirto muito”, disse Eduardo.

Para Biriba, a capoeiragem não é só técnica, é oportunidade de contar a história dos escravos que viveram no Brasil e trouxeram sua cultura para as raízes do país, por meio das graduações da corda. “Aqui a parte física é um detalhe, mas chega a determinadas graduações que a gente tem que entender essa questão da historicidade do Brasil, junto com a cultura popular e a arte brasileira”, conta o contramestre.

A comemoração dos seis anos do Instituto Biriba contou a presença de mestres e contramestres de outros projetos de capoeira em Roraima. Para celebrar, crianças e adultos participaram da roda aberta.


Comemoração reuniu pais, crianças, jovens, contramestres e mestres da capoeira. (Foto: Wenderson Cabral/FolhaBV)

Despertar interesse
Nesses seis anos de atuação, o objetivo do Instituto Biriba sempre foi resgatar crianças e adolescentes ociosos na rua ou em casa para despertar o interesse pela capoeira, arte, música e os estudos. E, assim como todo projeto que busca fomentar a cultura, vive de apoio dos pais e responsáveis pelos pequenos capoeiristas.

“A gente não tem empresas por trás desse cenário que você vê. A gente ocupou esse prédio com uma autorização. Ficou abandonado por dois anos e tudo que você está vendo, foi a gente que reformou. Inclusive, na primeira vez que a gente veio, roubaram todas as portas e a gente colocou novas, pintamos, construímos a nossa roda do lado de fora também para vários eventos. Construímos tudo com doação dos pais, vamos colocando a mão na massa assim”, destaca.

O Instituto não cobra taxa mensal para crianças e adolescentes até 17 anos, como também conta com voluntários para manter as outras atividades e suporte nas rodas de capoeiragem. No entanto, é pedido uma mensalidade social de R$ 30 àqueles pais que tiverem renda maior.

As atividades do Instituto Biriba também estão relacionadas ao Grupo Senzala de Capoeira, maior grupo de capoeiristas do Brasil, com 60 anos de existência. As divulgações de feiras de artesanato e até abertura de novas turmas estão disponíveis no Instagram @InstitutoBiriba