AMOR SEM FRONTEIRAS

Casamento de quase 200 casais celebra a união entre brasileiros e venezuelanos

Segundo a DPE-RR, o evento não foi apenas um ato formal, mas uma cerimônia completa, incluindo decoração, bolo e até a tradicional marcha nupcial, tudo sem custos para os noivos.

Para o defensor público-geral, Oleno Matos, a união entre brasileiros e venezuelanos é um passo importante para evitar discriminação e promover a inclusão.
(Foto: ASCOM/DPE)
Para o defensor público-geral, Oleno Matos, a união entre brasileiros e venezuelanos é um passo importante para evitar discriminação e promover a inclusão. (Foto: ASCOM/DPE)
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Quase 200 casais tiveram a união oficializada durante a 4ª edição do casamento coletivo “Enfim, Casados! Edição Sem Fronteiras”, realizada pela Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR). O evento, que ocorreu na noite dessa quinta-feira (7), busca consagrar o amor e promover a cidadania para estrangeiros.

Segundo a DPE-RR, o evento não foi apenas um ato formal, mas uma cerimônia completa, incluindo decoração, bolo e até a tradicional marcha nupcial, tudo sem custos para os noivos.

A ação uniu dois programas da DPE-RR: o “Enfim, Casados!”, dedicado a garantir direitos e proporcionar estabilidade jurídica a casais de baixa renda, e o “Cidadania Sem Fronteira”, que oferece assistência jurídica a migrantes e refugiados em questões familiares.

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Histórias compartilhadas

Dentre as histórias compartilhadas, destaca-se a união da amazonense Elisângela Ribeiro Vasconcelos, profissional de Recursos Humanos, e do venezuelano Geobert Neomar Ontiberos, autônomo. O destino os uniu em Santa Elena, na Venezuela, na fronteira com Pacaraima, município brasileiro onde Elisângela trabalhava na loja da mãe.

“Os documentos não estavam dando certo. Aí, ele foi dois dias lá [na Defensoria] e deu certo. Estamos aqui hoje, muito felizes, realizando um sonho”, compartilhou Elisângela, demonstrando a superação de desafios para oficializar a união que já dura oito anos.

Outro casal, formado pelos venezuelanos Manuel Moreno, mestre de obras, e Rosimar Rodrigues, dona de casa, compartilhou sua história guiada pelos valores cristãos. Com oito filhos juntos, buscaram o casamento como um selo importante para suas crenças.

“Como somos cristãos, a gente tem que estar casado, tudo certo, sabe? A gente estava procurando um casamento para a gente. Então, nós fomos atrás, investigando, correu a voz de que aqui eles estavam fazendo essa inscrição para fazer um casamento. Aí a gente procurou e estamos assim agora”, explicou Manuel.

Mais sobre o evento

O defensor público-geral, Oleno Matos, ressaltou a importância do casamento coletivo como um símbolo para Roraima, especialmente após a migração em massa, destacando que a união entre brasileiros e venezuelanos é um passo significativo para evitar discriminação e promover a inclusão.

“É uma alegria para a Defensoria poder proporcionar esse momento de felicidade para essas famílias”, enfatizou Matos, agradecendo aos parceiros envolvidos na realização do evento.

A defensora pública titular da Câmara de Conciliação da DPE-RR, Elceni Diogo, destacou que este é o maior casamento de migrantes já realizado no Brasil, explicando que, além do valor afetivo, a formalidade do casamento é crucial para questões legais, como a entrada em abrigos e o processo de interiorização, garantindo a formalização do núcleo familiar.

Já a juíza titular da Vara da Justiça Itinerante, Graciete Sotto Mayor, celebrou a parceria especial entre a Justiça e a Defensoria, considerando o “Enfim, Casados!” como um dos projetos mais bonitos.

“A grande maioria já vive maritalmente e busca a justiça, busca a Defensoria, para fazer uma grande declaração de amor. Então, essa parceria vale muito a pena. Todos os processos passam pela Justiça itinerante, e a gente tem um cuidado todo especial, porque a gente está trabalhando com os sonhos, os sonhos dos casais”, comemorou a juíza.

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