EM PACARAIMA

Guerra Venezuela x Guiana? Para que o Exército do Brasil foi à fronteira

Situação assusta população local e alimenta teorias conspiratórias sobre possível relação com a Venezuela em querer invadir a Guiana para tomar 74% do território vizinho

Tanque do Exército do Brasil em Pacaraima (Foto: Pacaraima Notícias)
Tanque do Exército do Brasil em Pacaraima (Foto: Pacaraima Notícias)
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Moradores do Município de Pacaraima (RR) divulgaram, nas últimas duas semanas, vídeos que registram uma movimentação anormal de tropas do Exército Brasileiro em direção à fronteira do Brasil com a Venezuela.

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A situação tem assustado a população local e ajudado a alimentar teorias conspiratórias sobre possível relação com a iminência da ditadura venezuelana de Nicolás Maduro em querer invadir a Guiana para tomar o rico em petróleo território Essequibo, que corresponde a 74% do País vizinho.

Região de Essequibo está sob litígio há mais de 100 anos (Foto: Divulgação)

Ao resumir a falta de informação sobre a chegada de dezenas de veículos do Exército à cidade fronteiriça, incluindo dois tanques de guerra, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Pacaraima, João Kleber Soares Borges, revelou que a movimentação gera espanto.

“Situação essa que deixa a gente, ao mesmo tempo tranquilo, porque é sinal de que nossa fronteira tá com a proteção reforçada, ao mesmo tempo um pouco preocupada. Talvez eles já tenham alguma informação que nós, certamente, não temos e estão se precavendo”, disse.

Procurada, a primeira Brigada de Infantaria de Selva esclareceu que a ida do comboio à fronteira compõe as atividades normais de um treinamento de tropa. “Esse exercício, em específico, trata-se do Adestramento Avançado da 1ª Brigada de Infantaria de Selva chamado Operação Roraima 2023, sendo uma prática comum para manter a prontidão e eficiência das forças militares”, afirmou.

A Folha também aguarda resposta do Ministério da Defesa brasileiro.

Referendo na Venezuela

O ditador venezuelano Nicolás Maduro (Foto: Divulgação)

No dia 3 de dezembro, venezuelanos irão às urnas para decidir se aceitam ou não anexar a região guianense à Venezuela. A área concentra blocos de petróleo com reservas que correspondem a mais de 10 bilhões de barris.

Na terça-feira (21), o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República do Brasil, Celso Amorim, viajou a Caracas para alertar o ditador Maduro sobre a campanha a favor da anexação, embora sem pedir para não realizar a consulta popular. As informações são do jornal O Globo.

O Brasil teme que a situação saia do controle, uma vez que Maduro já defendeu publicamente a invasão do território em disputa desde o século 19, quando a Guiana ainda era colônia britânica. Por isso, Amorim pediu que o ditador busque o diálogo e baixe o tom sobre as ameaças de invasão territorial sob o argumento de que uma escalada da tensão entre os dois países pode causar uma “instabilidade regional”.

O jornal também relatou que o presidente da Guiana, Irfaan Ali, pediu ao homólogo brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que dissuadisse Maduro de sua intenção de avançar sobre o território do País.

O portal guianense Guyana Chronicle repercutiu fala de Ali de que seu País está em estado de preparação para um possível conflito, embora acredite que toda a tensão seja baseada na retórica venezuelana. O presidente disse ainda que não espera que o País vizinho aja de forma imprudente e acredita que o litígio seja resolvido pacificamente na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

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