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MEIO AMBIENTE

Alunos da EJA estão entre os 10 vencedores do Prêmio Territórios com projeto ambiental

Os participantes projeto têm entre 16 e 74 anos e estudam a 1ª série do Ensino Fundamental na Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia.

Motivação do projeto tem origem na repercussão dos problemas ambientais causados pelo garimpo - Foto: Semuc
Motivação do projeto tem origem na repercussão dos problemas ambientais causados pelo garimpo - Foto: Semuc
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Na Escola Francisco de Souza Bríglia, os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) se destacaram ao vencer o 7º Prêmio Territórios do Instituto Tomie Ohtake com o projeto “A Terra de Macunaíma Pede Socorro”. A iniciativa visa conscientizar a comunidade sobre os impactos do garimpo ilegal em Roraima.

A Escola Francisco de Souza Bríglia tem 62 alunos matriculados na EJA, e dentre eles, alguns são ex-garimpeiros que buscavam retorno financeiro. Conscientes das consequências ambientais e de saúde decorrentes do garimpo ilegal, esses alunos agora estão determinados a concluir os estudos para garantir oportunidades no mercado de trabalho.

Lena Deleon, estudante de 74 anos e ex-garimpeira, compartilhou sua história trágica: “Eu perdi meu marido devido às águas e comidas contaminadas com mercúrio. É triste o que acontece, pois afeta todo mundo, principalmente os povos indígenas, que só querem viver de sua cultura e acabam sendo ameaçados.”

A professora Shirlei Catão, que leciona da 1ª a 4ª série da EJA, explicou como surgiu a ideia para o projeto: “Percebemos que os veículos estavam publicando muitas matérias sobre a temática e alguns dos matriculados são ex-garimpeiros. Com a mudança climática, achamos que seria interessante trabalhar com a Educação Ambiental. Eles estão gostando bastante.”

Aprendizagem adaptada

O aluno Levair Santos, de 38 anos, uma pessoa com deficiência visual e intelectual, encontrou na arte uma ferramenta de aprendizado única. Nascido em Ouro Preto, Minas Gerais, Levair se comunica por meio da música. “Eu tenho aula de canto toda terça e quinta-feira. É uma forma de me expressar, pra mim, é melhor assim. Aprendo muitas coisas nas aulas de canto e aqui na escola também. Eu treino, ensaio e canto o que aprendi”, compartilha o aluno.

Cuidadora há uma década, Francimara Gomes, orgulha-se dos alunos e, em especial, de ajudar Levair durante as aulas, incentivando-o a usar a música como meio de aprendizado. “A EJA é uma oportunidade para essas pessoas voltarem ao convívio social. Além de ser uma preciosa troca de experiências. Sempre falamos para eles que nunca é tarde para dar continuidade ou começar os estudos. É gratificante participar dessa fase da vida deles”, destaca Francimara.

Premiação

O “Prêmio Territórios” oferece diversas ações de premiação, incluindo doação de livros, produção de um minidocumentário, bolsa de estudos, apoio financeiro para a escola, entre outros benefícios. Em março de 2024, está previsto o “Encontro de Territórios” para a cerimônia de premiação das 10 escolas selecionadas. O reconhecimento destaca não apenas a importância do projeto vencedor, mas também o impacto positivo da Educação de Jovens e Adultos na comunidade de Boa Vista, transformando vidas e promovendo a conscientização ambiental.

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