BOA VISTA

Sindicato denuncia exposição desprotegida de servidores a substâncias tóxicas no CPCOM

Secretaria de Saúde prometeu apurar situação, e que já existe planejamento para melhorar a infraestrutura do Centro e ampliar oferta e qualidade dos serviços da unidade

Fachada do Centro de Prevenção de Câncer, no bairro Jardim Tropical (Foto:  Gabriel Gomes/Sitram)
Fachada do Centro de Prevenção de Câncer, no bairro Jardim Tropical (Foto: Gabriel Gomes/Sitram)

O Sitram (Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Boa Vista) denunciou uma série de irregularidades a que são submetidos os servidores do laboratório de citopatologia do Centro de Prevenção do Câncer de Colo e Mama (CPCOM). Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde prometeu apurar a situação, e informou que já existe planejamento para melhorar a infraestrutura do Centro e ampliar oferta e qualidade dos serviços da unidade.

A entidade sindical citou estrutura improvisada, móveis improvisados corroídos pela ferrugem, descarte incorreto do lixo tóxico, além da falta de equipamentos de proteção individual e de capela de exaustão, componente vital em laboratórios com manipulação de substâncias perigosas. O local também não possui lava olhos e saída de emergência.

Nestas condições, os técnicos passam mal por inalar substâncias químicas, como o xilol. Os dirigentes do Sitram também confirmaram a queixa. “É impossível ficar mais de três minutos no prédio sem se sentir mal”, constatou Conceição Filha. “Eu passo mal. Me dá dor de cabeça. Fico muito alterada. Me dá crise de ansiedade”, relatou uma técnica em citologia que preferiu não se identificar. “É desanimador trabalhar aqui”, lamentou outra profissional do CPCOM.

Servidores não têm lava olhos, capela de exaustão e saída de emergência, segundo o Sitram (Foto: Gabriel Gomes/Sitram)

Consultada pelo Sitram, a médica clínica geral Carina Duarte Pezzin explicou que essa exposição desprotegida causa sintomas, como dor de cabeça, tosse seca, dificuldade respiratória e irritação ocular. “Em alguns casos, pode levar a dermatite e vários outros sintomas”, concluiu.

Sem respostas dos ofícios enviados à Secretaria Municipal de Saúde e ao gabinete do prefeito Arthur Henrique (MDB), o Sitram cobrou a adequação das condições básicas de funcionamento do laboratório na Mesa de Negociações do SUS.

Segundo o representante do sindicato, Raimundo da Cunha, o secretário-adjunto Rodrigo Matoso informou que as adequações seriam feitas em até 45 dias. A presidente do Sitram, Lucinalda Coelho, acrescentou que esse prazo encerrou em 20 de abril e nada foi corrigido no CPCOM. “Simplesmente, a Prefeitura não está respeitando a lei”, reclamou Lucinalda.

Uma norma regulamentadora do Ministério da Saúde estabelece diretrizes para a segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Ela aborda especificamente a prevenção de infecções no ambiente de trabalho, garantindo a proteção tanto dos trabalhadores da área da saúde quanto dos pacientes. Entre as principais medidas, estão: higiene pessoal, limpeza e descontaminação, esterilização e desinfecção.

Com a palavra, a Secretaria de Saúde

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde se manifestou por meio da seguinte nota:

“A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) sempre esteve preocupada com os serviços prestados à população e à disposição dos servidores para debater e resolver as principais necessidades do Centro de Prevenção de Câncer de Colo e Mama (CPCOM). No entanto, até o momento, não foi registrada reclamação alguma junto à secretaria. A SMSA irá apurar a situação relatada e reforça que já existe um planejamento para melhorar a infraestrutura do Centro e ainda ampliar a oferta e a qualidade dos serviços da unidade. 

O CPCOM foi implantado em 2017, sendo uma unidade de saúde especializada na prevenção e tratamento do câncer de colo e de mama. Tem sua importância assistencial, chegando a registrar uma crescente demanda de exames e consultas com especialistas na área de ginecologia, patologia cervical, ultrassonografia, Raio-X, cardiologia, citopatologia e infectologia. No ano de 2023 foram feitas 13.475 consultas e 2.744 procedimentos na unidade.”