Cotidiano

Museu está interditado há 6 anos

Uma reforma foi anunciada anos atrás, mas não foi iniciada; Iacti quer reconstruir toda a instalação e estima investimento de R$ 25 milhões

Após o incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro no domingo passado, 2, as condições dos Museus pelo Brasil entraram na pauta de discussão e as notícias não são animadoras. Em Boa Vista, o Museu Integrado de Roraima, situado no Parque Anauá, está interditado desde 2012, após o Corpo de Bombeiros Militar classificar a estrutura do local como imprópria para a preservação de suas peças.

Atualmente, além da falta de vigilância, o Museu está com vidros de portas e janelas quebrados, grama alta em seus arredores por falta de limpeza. No interior do prédio, diversos documentos e materiais estão jogados por todos os lados. Dentre os materiais encontrados, estão exemplares do Diário Oficial da União, de até meados dos anos 2000, livros didáticos infantis, CDs, mapas, plantas arquitetônicas e pastas com contratos licitatórios. Em alguns papéis, é possível ver a formação de pequenos ninhos de cupins. 

Há quatro anos, em fevereiro de 2014, o Governo do Estado anunciou que recebeu R$ 400 mil para reforma do prédio. A expectativa era que a inauguração acontecesse até o fim de 2015, porém, a medida acabou não se cumprindo, e a reforma sequer começou.

Iacti quer R$ 25 milhões para revitalização

O presidente do Instituto de Amparo da Ciência, Tecnologia e Inovação de Roraima (Iacti-RR), Marcelo Nunes, explicou que a reforma não ocorreu, pois a proposta dela não seria o suficiente para estar de acordo com os termos de segurança estabelecidos pelo Corpo de Bombeiros.

“A reforma que era para ocorrer iria abranger somente o telhado e outros pontos de sustentação do teto. Isso não iria ser o suficiente para a preservação do acervo. O local é todo feito de madeira quariquara, que apesar de ser historicamente importante para Roraima, não tem condições de servir como estrutura de base para um museu”, explicou.

Para contornar esse problema, Nunes afirmou que o ideal seria que um recurso maior fosse repassado para que a estrutura de madeira seja substituída por ferro, que seria pintado para imitar os traços de quariquara, como se fosse uma réplica do antigo modelo.

“Não queremos que a memória da estrutura tradicional seja apagada, mas precisamos que o local seja mantido de pé por ferro, o que vai requerer o desabamento e reconstrução completa de toda a instalação. Essa é uma ideia que estamos apresentando para o Governo Federal, que já acenou que irá abrir um edital de R$ 25 milhões para investir nas estruturas de museus pelo Brasil”, contou.

Em relação aos documentos encontrados jogados pelo chão do museu, Marcelo Nunes afirmou que toda a documentação está passando por um processo de digitalização há três meses. “Nós temos uma empresa que já está fazendo toda a parte da conversão dos documentos para o digital”, frisou.

Acervo está armazenado no Parque Tecnológico

O acervo do Museu Integrado de Roraima está guardado em um dos blocos do Parque Tecnológico do Instituto de Amparo da Ciência, Tecnologia e Inovação de Roraima, também no Parque Anauá, que foi inaugurado em dezembro do ano passado. 

Até então, as 40 mil peças do Museu, que reúne conteúdos arqueológico, botânico, geológico e zoológico, estavam distribuídas entre casas de servidores. O acervo está no Parque Tecnológico há sete meses e, segundo o presidente do Iacti, a expectativa é que o local esteja aberto para exposição já neste ano.

“Não existe uma falange de dedo, um pires, um copo, uma pena, nada do nosso acervo lá dentro [do Museu]. Todos estiveram bem acomodados e estão preservados. Hoje, no local onde estão, o ar-condicionado funciona direto e todos os objetos históricos, animais empalhados, pinturas, vertebrados insetos estão lá dentro”, contou.

Quanto à possibilidade da abertura do espaço para visitas, Marcelo Nunes ressaltou que detalhes em relação à segurança ainda precisam ser ajustados, mas que é possível ele estar aberto ao público ainda neste ano.

“Estamos em processo de organização. Cada sala estará com seus produtos relacionados. Teremos o espaço de vertebrados, de documentos históricos do antigo território do Amazonas. Queremos reabrir ainda este ano e acreditamos que nessa instalação há condições de fazer isso”, afirmou. (P.B)