Cotidiano

Ministro Sachsida vem a Roraima para autorizar obras do Linhão

Evento aberto ao público contará com políticos locais, como o governador Antonio Denarium, além do presidente da Eletrobras e do diretor geral da Aneel

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, vai desembarcar em Boa Vista na manhã dessa quarta-feira (19) para assinar a ordem de serviço que autoriza o início das obras do Linhão de Tucuruí, que promete ligar Roraima, o único Estado isolado da energia brasileira, ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

A previsão é que o ministro embarque de Brasília às 7h30 (horário de Boa Vista), no avião da FAB (Força Aérea Brasileira). A solenidade de concretização do acordo para as obras está prevista para começar às 11h, na subestação Boa Vista, na zona rural da capital, e será aberta ao público.

Segundo o governo estadual, estarão no evento o governador Antonio Denarium (Progressistas) e o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior.

A equipe de Sachsida prevê a presença de autoridades como o diretor geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, o secretário-executivo da Casa Civil, Jônathas Assunção de Castro, o secretário nacional de Energia Elétrica, Ricardo Marques Alves e os deputados federais Hiran Gonçalves (Progressistas-RR) e Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR), e o senador Chico Rodrigues (União Brasil-RR).

Impasse de mais de 10 anos


Obras irão iniciar após assinatura da ordem de serviço (Foto: Fernando Oliveira/Secom-RR)

A construção das linhas de transmissão pelo consórcio TNE (Transnorte Energia) foi motivo de um impasse de mais de uma década, envolvendo o governo federal e os indígenas Waimiri Atroari, também conhecido como Kinja, que cobravam ser consultados sobre o projeto. Várias decisões judiciais, solicitadas por órgãos federais ao longo dos últimos dez anos, barraram o empreendimento.

Após muita negociação, em maio deste ano, cerca de 450 lideranças Waimiri-Atroari aceitaram a proposta do consórcio e do governo federal para a construção passar pelo território indígena. Na ocasião, os entes apresentaram um plano básico ambiental com 37 impactos à terra indígena, dos quais 27 são irreversíveis. Com isso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) oficializou, por meio de decreto, a compensação de R$ 90 milhões aos Kinja.

Em setembro, um acordo judicial encerrou as ações civis públicas relacionadas ao licenciamento ambiental, o que permitiu o andamento das obras, cuja previsão é terminar em 36 meses.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Linhão terá 715 quilômetros de extensão, sendo 425 em Roraima e 290 no Amazonas, e será construído às margens da rodovia federal BR-174, que liga Boa Vista a Manaus. Cento e vinte e dois quilômetros das linhas de transmissão irão passar pela Terra Indígena, situada entre os dois estados.

O projeto foi reconhecido como de interesse nacional pelo Conselho de Defesa Nacional (CDN), qualificado como estratégico pela Secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (SPPI) e a interligação foi reconhecida como de interesse estratégico pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O MME analisa que o Linhão vai reduzir os custos da energia roraimense – atualmente baseada em termelétricas, entre as que produzem energia limpa -, divididos entre os consumidores brasileiros.

O governo estadual avalia que a interligação de Roraima ao SNI vai reduzir a conta de energia e culminar na atração de novos investidores, indústrias, geração de emprego e crescimento econômico do Estado.

Em seu site oficial, a TNE informa que, durante a fase de implantação do empreendimento, espera a criação de cerca de três mil empregos diretos, distribuídos entre canteiros de obra e escritórios, além de indiretos decorrentes da cadeia produtiva necessária para fornecer os insumos a serem utilizados.

O consórcio prevê cerca de 1.450 torres metálicas treliçadas, tipo autoportantes e estaiadas, com altura para que os cabos fiquem acima da copa das árvores. Aproximadamente 250 torres vão passar pela Terra Indígena Waimiri-Atroari.