INICIATIVA INÉDITA

Parque Nacional do Viruá testa equipamento inovador para prevenção de incêndios florestais

Dispositivo auxilia no manejo adequado da área protegida por meio do uso controlado do fogo

Os equipamentos foram adquiridos pelo Ibama, em dezembro de 2022 mas só agora foram testados no ecossistema da Amazônia. (Foto: reprodução/ICMBio)
Os equipamentos foram adquiridos pelo Ibama, em dezembro de 2022 mas só agora foram testados no ecossistema da Amazônia. (Foto: reprodução/ICMBio)
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Em uma iniciativa inédita no Brasil, o Parque Nacional do Viruá, em Caracaraí, adotou o uso do equipamento sling dragon como estratégia de prevenção de incêndios florestais. A iniciativa faz parte de uma parceria entre o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para prevenir incêndios na Amazônia.

O sling dragon é um dispositivo que consiste em esferas que, ao tocarem o solo, causam a combustão instantânea da vegetação por meio de uma reação química. Essa tecnologia pioneira na América Latina foi adquirida pelo Ibama em dezembro de 2022, mas esta é a primeira vez que o sling dragon é utilizado em uma unidade de conservação federal.

O objetivo principal é realizar um manejo adequado da área protegida por meio do uso controlado do fogo, semelhante ao trabalho realizado pelos brigadistas em solo. A diferença é que o sling dragon proporciona mais segurança, pois permite queima prescrita em áreas muito maiores através de lançamento aéreo.

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“Verificamos que o uso do sling dragon requer algumas condições, como o planejamento cuidadoso da área a ser queimada, o treinamento das equipes para um alinhamento entre o piloto e o chefe da queima e uma checagem bem realizada no equipamento antes da operação”, analisou o coordenador de Manejo Integrado do Fogo (CMIF/CGPRO/Diman), João Paulo Morita.

Tecnologia útil para acessibilidade e em grande escala

O analista ambiental Bruno Souza, responsável pelas queimas, conta que no Parque Nacional do Viruá foi notado um ganho de escala no uso do sling dragon. “Pudemos acessar regiões de difícil acesso e conseguimos fazer em dois dias o trabalho que demoraria semanas”, relata.

Os sling dragon são lançados sobre a área. (Foto: reprodução/ICMBio)

Como parte do planejamento de queima da unidade, Souza acrescenta que o Parque terá parcelas de queimas destinadas à pesquisa para acompanhar o impacto na vegetação e nas aves. Apesar de ter sido testado pelo Ibama nas savanas amazônicas dentro de terras indígenas, o Parque Nacional do Viruá possui ecossistemas onde ainda não foi utilizado o equipamento. 

“O Parque é bastante suscetível aos efeitos do El Niño”, diz Souza, se referindo ao fenômeno climático que altera a distribuição de calor e umidade, gerando consequências que podem agravar a ocorrência de incêndios. Estas e outras razões fazem com que a unidade seja alvo de incêndios florestais severos, que chegam a atingir mais de 80 mil hectares. 

Na avaliação de Morita, o equipamento poderá ser útil para outras unidades de conservação que se encaixem neste perfil. Neste sentido, além da CMIF, outros profissionais com experiência no manejo integrado do fogo lotados em outras unidades estarão no Viruá para observar e usar o equipamento. Eles são da Floresta Nacional de Brasília (DF), Estação Ecológica da Serra das Araras (MT) e Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT).

Queimas prescritas

As queimas prescritas são uma das ferramentas utilizadas no Manejo Integrado do Fogo (MIF), estratégia que busca prevenir incêndios florestais por meio do conhecimento tradicional, pesquisa e educação ambiental. Nesse método, os brigadistas utilizam o fogo em janelas específicas de queima, com condições climáticas adequadas, para fragmentar parte da vegetação e evitar a propagação de incêndios naquela área durante a época crítica.

*Com informações do ICMBio

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