Cotidiano

Cana-de-açúcar deve atrair investidores para RR, diz secretário 

Os municípios de Normandia, Bonfim, Cantá e parte do município de Boa Vista seriam os pontos principais para o cultivo da nova cultura

O Governo Federal editou novo decreto liberando a expansão da plantação de cana-de-açúcar na Amazônia e no Pantanal. À Folha, o secretário de Agricultura do Estado, Emerson Baú, disse que o Governo do Estado vê com bons olhos o decreto assinado na sexta-feira passada, do presidente Jair Bolsonaro, e acredita que a cultura vai atrair novos investidores para Roraima. 

“Sempre acreditamos nessa cultura no lavrado roraimense. Quando foi definido que não seria aplicada a cana-de-açúcar na Amazônia não se olhou a biodiversidade da Amazônia, e a considerou como um único bioma, esquecendo que temos o Lavrado, onde podemos fazer um trabalho sem derrubada de floresta”, disse. “Isso permite ao Estado atrair novos investidores e agregar valores ao redor da cana-de-açúcar, com a produção de etanol, por exemplo”, afirmou. 

Ele ressaltou que uma indústria de etanol de milho já está sendo instalada em Roraima e que esta mesma indústria pode fazer também a produção de etanol de cana de açúcar.

“A intenção é trabalhar para a produção de etanol e ao invés de trabalhar a monocultura, ter uma diversidade de culturas para abastecer a unidade industrial, e não ficar restrito a uma unidade”, disse.       

Segundo o secretário de Agricultura, a região nordeste do Estado, incluindo os municípios de Normandia, Bonfim, Cantá e parte do município de Boa Vista, seriam os pontos principais para a plantação da cana-de-açúcar.

Quanto aos incentivos que o Governo Estadual pode oferecer aos produtores que queiram iniciar a nova cultura, Baú informou que o Governo oferece as mesmas condições que já vem fazendo para outras culturas, e citou os benefícios da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), além da lei estadual 215.      

“Tanto a Suframa como a Sudam já oferecem incentivos e a lei estadual 215 fortalece o setor produtivo, oferecendo isenção ou redução de ICMS na compra de máquinas, equipamentos e de combustível específico para a produção”, disse.

Baú destacou ainda que desde 2009 foi feito um estudo de viabilidade para implantar a nova cultura no Estado.

“Já temos os estudos que apontam a viabilidade da plantação da cultura no Estado e tivemos um campo experimental na fazenda do produtor Álvaro Callegari”, disse.

A reportagem manteve contato com o produtor para saber detalhes do campo experimental, mas não foi possível a entrevista.

Um dos maiores produtores de soja e milho no Estado, Ermilo Paludo acredita que a cultura da cana-de-açúcar é mais uma alternativa de crescimento econômico de Roraima. 

“Não vejo nenhum motivo para não plantar cana no lavrado. E a plantação de cana-de-açúcar é uma boa alternativa para economia do Estado, embora tenha ainda que analisar a viabilidade econômica, mas acredito que vá dar certo ver Roraima produzindo etanol de cana-de-açúcar”, disse. (R.R)

“Entendemos que é preciso alavancar o setor” afirma superintendente 


Superintendente da Secretaria Federal da Agricultura em Roraima (SFA/RR), Plácido Alves (Foto: Arquivo Folha)

O superintendente da Secretaria Federal da Agricultura em Roraima (SFA/RR), Plácido Alves, disse que o órgão colaborou com uma nota técnica para os estudos que foram feitos de viabilidade da cultura em Roraima. Um dos pontos destacados por Plácido se refere ao fato de Roraima poder produzir sem haver a necessidade de devastar áreas de floresta.    

“Como estamos passando por investimentos na matriz energética, trabalhamos para a possibilidade da produção de bioenergia de milho e agora também da cana-de-açúcar que vai contribuir para o aumento de produção de energia”, afirmou.

“Entendemos que precisamos alavancar o setor sucroalcooleiro e energético no Estado e pedimos apoio do governador Antonio Denarium e da bancada federal para fazer frente a essa conquista”, disse. “Houve dois pareceres favoráveis dentro desta nota técnica, um do Ministério da Agricultura e outro do Ministério da Economia, e conseguimos fazer com que o presidente Jair Bolsonaro assinasse o decreto que revoga o decreto anterior e permite financiamento para o setor da cana-de-açúcar.”

Ele explica que antes não era proibido plantar cana-de-açúcar na Amazônia, por isso era proibido a liberação de créditos de financiamento para o plantio.

Ele informou que o plantio de cana-de-açúcar no Estado ainda é pequeno, mas acredita que agora, com os incentivos, esta cultura possa aumentar a área plantada.

“Nossa plantação dessa cultura ainda é incipiente. Agora, com a liberação de aportes e a vinda das indústrias e empresas energéticas chegando para o Estado, esperamos receber mais investimentos no setor”, disse. “Além de que a cana-de-açúcar vai contribuir com a proteína animal para alimentar nosso plantel”, disse.      

HISTÓRICO – O Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar (ZAE Cana) surgiu diante da necessidade estratégica de se avaliar, indicar e aprimorar o potencial das terras para a expansão da produção de cana-de-açúcar para a criação de etanol e açúcar como base para o planejamento do uso sustentável das terras brasileiras, em harmonia com a biodiversidade.

Com a publicação do decreto nº 6.961, o plantio ficou proibido em áreas com cobertura vegetal nativa, nos biomas Amazônia e Pantanal, na Bacia do Alto Paraguai e em áreas de proteção ambiental e terras indígenas.

A decisão teve como base estimativas, incorporadas no texto da lei, que demonstraram que o país não necessitava adicionar áreas novas e com cobertura nativa ao processo produtivo, podendo expandir o cultivo de cana-de-açúcar sem afetar as terras utilizadas para a produção de alimentos e nem causar novos desmatamentos.