Cotidiano

AUGUSTO CARDOSO: Um mestre da arte contemporânea

O artista plástico faleceu na manhã desta quarta-feira (22), vítima da Covid-19. Augusto Cardoso realizou mais de 60 exposições, tendo obras expostas em museus e embaixadas no Brasil, Itália, Argentina, Holanda, Japão, França, Bélgica, Uruguai, Canadá, Áu

O artista plástico roraimense Augusto Cardoso, morreu aos 63 anos vítima da Covid-19 em Boa Vista, nesta quarta-feira (22). Ele estava internado na UTI do Hospital Geral de Roraima (HGR).

A Coluna ‘Minha Rua Fala’ de Folha de Boa Vista contou a história do artista plástico e sua importância para a cultura de Roraima.

AUGUSTO CARDOSO – UM MESTRE DA PINTURA

Personagem VIVO da nossa História

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O essencial é invisível aos olhos. É nesta assertiva que a maioria dos quadros pintados por Augusto Cardoso está além da nossa percepção. São obras de artes, verdadeiras obras-primas a nos encantar pela beleza e estética harmoniosas, traçada com seus mágicos pincéis. Um artista talentoso que é capaz de contar uma história, uma lenda e até um grito de contestação quando na defesa do meio-ambiente ou em uma justa causa política.

Augusto Cardoso já produziu centenas de pinturas, aquarelas e reposição com avivamento de obras suas antigas, como é o caso do Quadro que adorna o Salão principal de eventos do Palácio Senador Hélio Campos (Palácio do Governo). Há de se mencionar também que ele já realizou 64 exposições, tendo 1.600 obras comercializadas.

Os seus trabalhos artísticos estão expostos em museus e embaixadas no Brasil, Venezuela, Itália, Argentina, Holanda, Japão, França, Bélgica, Uruguai, Canadá, Áustria e Estados Unidos. E, uma de suas obras faz parte do acervo do Museu do Papa, no Vaticano, que é a tela de São Francisco, em uma paisagem regional. A maioria de suas obras retrata motivos e adereços da Amazônia e, em particular, da riqueza natural das belas paisagens de Roraima.

Entretanto, por vezes há um segmento artístico que o Cardoso tende a fixar nas telas, as chamadas pinturas abstratas e desenhos em silhuetas – mas, em todas, há uma mensagem embutida nas pinturas. E, como disse o pintor italiano Leonardo Da Vinci: “A arte diz o indizível; exprime o inexprimível e traduz o intraduzível”.

Augusto Cardoso teve como mestre-inspirador o seu próprio pai, um também autodidata pintor. Até aos 11 anos de idade, o Cardoso observava os trabalhos, aprendia a copiar, reproduzir e ampliar desenhos. Os movimentos se tornaram automáticos, mas o pai como mestre rígido, sempre exigia mais. O filho devia atingir a perfeição. Aprendeu com o pai que, para pintar é preciso antes de tudo desenhar, que é à base da pintura.

Hoje Cardoso é um artista nacional e internacionalmente reconhecido. É na expressão da palavra: um “Orgulho de Roraima”. Quem vê suas pinturas, não imagina o trabalho preparatório que há para ele expor seus quadros. Antes de pintar busca conhecer o tema. Faz os primeiros rabiscos, equilibra o desenho e só depois vem a pintura. Em alguns dos seus quadros, nota-se uma tendência para a pintura de temas místicos, a exemplo do que produziu em 18 quadros, inspirando-se na Era de Aquário (signo que regeu o ano de 2016).

Em 1989, Cardoso foi nomeado Conselheiro Estadual de Cultura do Estado de Roraima. Entre 1995 e 1996 foi destaque na revista Amazônia Nossa. Ilustrou o Livro Fatos e Lendas dos Mistérios da Amazônia e é destaque no Livro de Talentos da Listel, com a Obra Macunaíma. Recebeu o Diploma de Reconhecimento do Rotary Club Boa Vista-RR; Honra ao Mérito e Notoriedade Cultural do Estado de Roraima; e foi Destaque em 2002 pelo quadro “Triptico de São Francisco”, obra com 18 m² (metros quadrados).

Possui obras em exposição permanente na Di Cardoso Galeria de Arte, em Boa Vista, e Galeria Palácio das Artes, em Manaus (AM). Destacam-se ainda a Via Sacra (15 peças) na Matriz de Nossa Senhora do Carmo e “São Francisco do Lavrado”, que compõem o Acervo do Museu do Vaticano.

Em Boa Vista, o destaque é a obra: “Macunaima criando Roraima”, pintada por Augusto Cardoso em 1995. Esta obra está exposta até hoje no Salão Nobre do Palácio do Governo do Estado de Roraima.

A tela foi confeccionada por um artesão chinês no Rio de Janeiro. A obra tem três metros de comprimento por dois de altura, e para pintá-la o Augusto Cardoso utilizou a técnica de óleo sobre tela. A moldura tem três metros de comprimento por dois de altura, e é feita em madeira de cedro amargo, pesa 25 quilos e foi talhada por um artista de Paritins (no Amazonas), a partir de esboços feitos por Cardoso, que usou a técnica de óleo sobre tela.

Ao apresentar o quadro, exposto à primeira vez, o Augusto disse ser a “apoteose de Macunaima no céu, dando ordens às ninfas para que elas utilizassem os elementos da Natureza (terra, água, fogo e ar) para criar Roraima”, ele acrescentou: “Na minha visão, Macunaima é um deus macuxi. E é um grande orgulho saber que essa obra contribuiu para desmitificar o mito negativo criado a partir da obra do escritor Mário de Andrade, retratando Macunaima como um herói sem caráter. Hoje podemos observar, nas salas de aula, o respeito com que o lendário Macunaima é reconhecido como um símbolo de Roraima”.

Em novembro de 2015, atendendo uma encomenda da então primeira-dama Suely Campos, que depois se elegeria governadora), Augusto Cardoso deu novo brilho à pintura e restaurou toda a obra.

Sobre a carreira, o artista disse ter uma missão. “Eu estou na Terra com uma obrigação: eternizar paisagens, mitos e lendas do nosso estado. Acho que estou no caminho certo. Ter um estado desse que é bom de se viver, pesquisar e produzir obras como essa, é indescritível. A arte enobrece e nos faz chegar perto de Deus. Eu me sinto obrigado a fazer um inventário das belezas que Deus criou”. (numa entrevista ao Jornal Folha de Boa Vista).

Em setembro de 2017, o Augusto Cardoso expôs 45 de suas obras na Galeria de artes Luiz Canará, instalada no Anfiteatro do Parque Anauá. A exposição permaneceu durante dois meses e atraiu um grande público amante da arte do desenho e da pintura.

Fontes: Fotos de Neto Figueredo e Fernando Oliveira (Secom/Gov-RR)

*A matéria foi originalmente publicada no dia 15 de abril de 2020.

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