COLUNA PARABÓLICA

Cássio Gomes revela se deixa MDB brigado com prefeito Arthur Henrique

Coluna desta sexta-feira (22) também analisa o custo que pode levar para um prefeito ganhar a eleição em Roraima

Bom dia,

Pois é, as conversas de bastidores sobre as eleições municipais deste 2024 são de arrepiar. Como afirma um experiente político local, e como afirmou um delegado da Polícia Federal que atuou como policial fiscalizador de um pleito local faz alguns anos, as eleições em Roraima não são travadas em torno de ideias e programas, mas numa guerra aberta pela compra de votos. Simples assim, aqui no Estado não é possível eleger-se se não tiver alguma organização e muito dinheiro.

Conta-se já agora, a pouco mais de seis meses do pleito, que alguns candidatos a prefeito em municípios do interior já estão com sua chapa de vereadores quase fechada. E os escolhidos estariam recebendo todos os meses até as eleições a bagatela de R$ 40 mil. Cabos eleitorais de reconhecida influência junto aos eleitores custam em torno de R$ 50 mil e os mais endinheirados planejam fazer milhares de “boca de urna”, que se estima, por baixo, custará no mínimo R$ 200. Cálculos feitos por quem conhece o assunto estimam que nenhum prefeito, ou prefeita, no interior se elegerá por menos de R$ 10 milhões.

E de onde virá essa montanha de dinheiro para bancar as campanhas milionários? É claro, todo mundo sabe: Vem da corrupção desenfreada, que cada dia mais aberta no Brasil e em Roraima não é diferente. E como o orçamento próprio dessas prefeituras mal dá para pagar as despesas de custeio, inclusive pessoal, a grande fonte que alimenta o fluxo de desvio de dinheiro são as emendas, sejam elas de origem estadual e federal; e nalguns casos a propina chega a escandalosos 30%. Todos os órgãos de fiscalização sabem disso, mas fazem de conta que tudo isso é muito natural; e da essência da democracia.

Reboliço

O anúncio público de apoio do vice-prefeito Cássio Gomes pré-candidatura de Catarina Guerra (União Brasil) à Prefeitura de Boa Vista movimentou os bastidores da política roraimense, na tarde dessa quinta-feira (21). A declaração veio acompanhada ainda de sua filiação ao Progressistas, do governador Antonio Denarium (Progressistas) e do senador Hiran Gonçalves (Progressistas), em entrevista coletiva à imprensa, transmitida ao vivo pelas redes sociais.

Efeito moral

Nas redes sociais, cada grupo, obviamente, “puxou sardinha” para o seu lado, e é preciso admitir o efeito moral do anúncio. Embora aliados do prefeito Arthur Henrique (MDB) tenham minimizado o fato, alegando a suposta falta de expressão política de Cássio Gomes, não dá para menosprezar a confusão e curiosidade, no mínimo, que a informação causa na população de forma geral.

Blindagem

Durante a coletiva, houve uma espécie de blindagem ao vice-prefeito e a organização deu um jeitinho para que os jornalistas direcionassem suas perguntas ao presidente regional do Progressistas, Hiran Gonçalves e ao governador Antonio Denarium. Informalmente, o próprio Cássio Gomes confirmou sua insatisfação, há alguns meses, com a gestão da Prefeitura de Boa Vista, deixando claro que não deixa seu antigo grupo político brigado.

Catarina Guerra reforçou o discurso de que procura o diálogo para resolver sua questão partidária com o presidente regional do União Brasil, deputado federal Antonio Carlos Nicoletti, e frisou que algumas articulações ainda estão em andamento e serão informadas mais adiante, conforme ela, dentro do prazo. Ainda assim, ficou subentendido que assim como Cássio Gomes, ela deva se filiar ao Progressistas.

Des(união) 1

Presente à coletiva de ontem, o deputado estadual Jorge Everton, que também é do União Brasil, declarou apoio público à pré-candidatura de Catarina Guerra. Até então, ele não havia se posicionado e era tido como um dos principais aliados de Nicoletti. À Folha, o parlamentar admitiu sua insatisfação com o comando regional da sigla e disse que pretende manifestar sua queixa ao presidente nacional do partido.

Des(união) 2

Jorge Everton reclama da centralização das decisões do partido por Nicoletti que, conforme ele, acabaram por desmobilizar os diretórios estadual e municipais da sigla. A falta de formação de grupo político para disputar as eleições municipais no interior do estado, sobretudo na região Sul, onde a votação do União Brasil foi mais expressiva, teria sido a “cereja do bolo” no processo de desidratação do partido.

Matemática

O União Brasil foi um dos partidos que saiu mais forte nas últimas eleições. Três deputados estaduais – Catarina, Jorge Everton e Cláudio Cirurgião, dois federais – Nicoletti e Pastor Diniz, mais dois vereadores em Boa Vista – Guarda Jullyerre Pablo e Melquisedek, fora os representantes no interior. Conforme fontes da Coluna, o estilo centralizador de Nicoletti seria fator determinante para a crise interna.

Baliza 1

Nos bastidores da política em São João da Baliza, o assunto do momento gira em torno do nome que vai compor a chapa à reeleição da prefeita Luiza Maura (Progressistas). Segundo a própria, não há uma definição sobre a questão e alguns nomes ainda estão sendo apresentados, sendo o do vereador Toinho Maia (Solidariedade) um dos que mais se destaca, “mas essa decisão será realizada em conjunto com aliados políticos”, disse ela.

Baliza 2

Toinho Maia seria uma indicação da deputada federal Helena Lima (MDB), o que, conforme fontes da Coluna, não estaria agradando o senador Mecias de Jesus (Republicanos), que é aliado de primeira hora do governador Antonio Denarium e do senador Hiran Gonçalves, principais apoiadores de Luiza Maura. O comentário por lá é que, para chegar ao consenso, a prefeita terá que desagradar alguém.