Jessé Souza

Alunos sem aula sob a omissao de liderancas emperiquitadas de verde amarelo 14921

Alunos sem aula sob a omissão de lideranças emperiquitadas de verde-amarelo

Jessé Souza*

Por mais absurdo que possa parecer, ainda existem escolas estaduais em comunidades indígenas onde os alunos não puderam voltar a estudar presencialmente, por falta de transporte escolar, muito menos de forma remota, devido à falta de internet e até mesmo de um dispositivo para acessar as aulas. Significa mais um ano perdido nos estudos, para desespero dos pais, que não têm coragem de se revoltar publicamente.

Uma mãe de uma aluna adolescente indígena usou seu perfil privado em uma rede social para protestar exatamente no dia em que foi divulgado o valor gasto pelo Governo do Estado com os quatro shows  nacionais (R$ 1.750.000,00) na edição deste ano da Exposição Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), encerrada na semana passada, enquanto sua filha provavelmente já perdeu o ano letivo.

Conforme a postagem, a revolta não era apenas por causa do valor gasto pelo governo com artistas nacionais, enquanto falta recurso para ajeitar as estradas e contratar uma empresa de transporte escolar. Mas também porque as lideranças indígenas da região, inclusive o tuxaua de uma comunidade atingida pela falta de aula, em vez de estarem cobrando o governo, estavam na manifestação golpista em frente do quartel em Boa Vista pedindo intervenção federal.

Essas mesmas lideranças indígenas seguiram a orientação do movimento golpista nacional, que não aceita o resultado da eleição presidencial, e começaram o bloqueio da BR-174, no sábado, no entroncamento com a RR-319 que dá acesso à região do Passarão e às comunidades indígenas do Baixo São Marcos, que passam pelo problema na Educação. Isso mostra o empenho em um protesto antidemocrático, enquanto algumas de suas comunidades estão sem aula para seus alunos.

Aquela mãe tem toda razão. Pois, enquanto essas lideranças indígenas acampam em frente ao quartel do Exército e tentam bloquear rodovias federais, ao mesmo tempo viram as costas para as demandas urgentes de suas comunidades, especialmente a gravíssima situação da falta de aulas falando menos de um mês e meio para o fim do ano.

O que chama a atenção nesse caso não é apenas a omissão das lideranças indígenas, mas dos órgãos de controle que parecem não ter conhecimento desta absurda situação, o que é outra vergonha. Embora a maioria dos moradores desta região tenha aprovado essa administração nas urnas, a concedendo mais quatro anos, trata-se de uma situação inaceitável.

É bem provável que as lideranças dessas comunidades seguirão com suas demandas golpistas, emperiquitados de verde-amarelo, e com suas bandeiras em favor da liberação do garimpo e de todas as pautas em favor do agronegócio do atual governo, enquanto desprezam a falta de aula para suas crianças e adolescentes.  

Mas alguém precisa tomar uma providência, uma vez que pais e mães temem sofrer represálias se denunciarem o descaso oficialmente ou abertamente nas redes sociais, uma vez que há ligação de lideranças indígenas com garimpeiros ilegais, os quais adotam suas próprias leis nestas regiões. É uma situação vergonhosa e criminosa por matar o futuro desses estudantes, que já vinham sendo penalizados por causa dos dois anos de pandemia com escolas fechadas.  

*Colunista

  

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