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Professores debatem assédio moral e sexual dentro das universidades
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Por Folha Web
Em 01/12/2017 às 00:38

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) está realizando em todas as suas seções regionais eventos com o objetivo de debater possíveis opressões sofridas e a defesa dos direitos de docentes e da comunidade acadêmica

Durante dois dias, os participantes terão esclarecimentos sobre seus direitos dentro da sua instituição enquanto categoria e terão ainda a possibilidade de discutir o assédio sexual e moral, por se tratar de um fenômeno inerente às relações de trabalho em contextos de divergências, conflitos de posicionamentos e hierarquização.

No primeiro dia de discussões foram debatidos temas relacionados aos direitos dos docentes. “Falamos sobre as medidas provisórias que o governo está criando, que retira alguns direitos dos professores, sobre as reformas no sistema trabalhista e previdenciário. Esses assuntos entraram na mesa redonda como informes, em que os profissionais puderam expor suas opiniões”, explicou o professor Leandro Roberto Neves, segundo vice-presidente regional Norte 1 do ANDES-SN e um dos organizadores do evento.

Devido aos altos índices de violência contra mulher, que colocaram o Estado de Roraima no topo do ranking nacional, os organizadores trouxeram para o encontro um tema envolvendo o assédio moral e sexual dentro das universidades. ”O tema é atual e coloca o Estado de Roraima com uma taxa de violência contra mulheres acima de 100%, motivo suficiente para falarmos sobre isso, porque esse tipo de violência ocorre também dentro das instituições. Vamos explicar o que significa o assédio moral e o sexual nas relações de trabalho na Universidade e como podem ser enfrentados”, explicou a professora Caroline de Araújo Lima, primeira vice-presidente Regional Nordeste 3 do ANDES-SN.

Segundo a docente, dados sobre assédios e até mesmo casos mais graves como estupros dentro das instituições ainda não existem, mas já é possível perceber que esse assunto não é visto mais como um tabu. É comum ouvir relatos sobre esse tipo de violência em campus e as mulheres, principais vítimas, não estão se calando mais. “Após o surgimento de movimentos feministas dentro das universidades do país, é mais comum ouvir esses relatos. Nos últimos anos, a mídia tem divulgado todo tipo de violência, isso porque as vítimas estão mais abertas a falar sobre o assunto, que está deixando de ser uma vergonha. Com isso, a instituição é obrigada a não ser omissa e o melhor é saber que esses casos não ficarão impunes”, afirmou Caroline de Araújo Lima.

Participam do encontro profissionais do Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia, além de convidados de outras regiões. O evento ocorre no auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH), no Campus Paricarana da Universidade Federal de Roraima (UFRR) até o meio-dia de hoje, 1º.

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