VESTIBULAR 2018
Aprovados pedem que UERR reveja decisão que cancelou novas turmas
Para os candidatos, a suspensão causou prejuízo, uma vez que muitos investiram tempo e dinheiro no certame
Por Minervaldo Lopes
Em 06/02/2018 às 01:10
Após a manifestação, aprovados participaram de audiência com titulares da Promotoria de Educação do Ministério Público (Foto: Hione Nunes)

Cerca de 20 candidatos aprovados no vestibular 2018 da Universidade Estadual de Roraima (UERR) promoveram na manhã de ontem, 5, uma manifestação em razão do cancelamento da convocação de aprovados no certame realizado pela instituição no dia 3 de dezembro do ano passado.

De acordo com os manifestantes, a decisão proferida pela reitoria na sexta-feira, dia 2, afetou cerca de 140 candidatos aprovados nos cursos de Engenharia Florestal, Filosofia, Geografia, Matemática, Química e Turismo.

Entre as pessoas prejudicas está a ex-auxiliar administrativa Stephanie Farias, de 23 anos. À Folha, a jovem relatou estar decepcionada com a súbita medida adotada pela UERR, uma vez que pelo fato de ter sido aprovada no certame, precisou pedir as contas no emprego em que estava.

“Fiz vestibular para o curso de Engenharia Florestal e fui aprovada na oitava colocação. Era um sonho para mim, tanto que fiz muitos planos. Como o curso é feito no polo de Rorainópolis, pedi dispensa do meu trabalho e até coloquei minha casa para alugar. Para minha surpresa, eles decidiram cancelar a convocação dos aprovados, sem levar em consideração todo o nosso desgaste”, disse.

Conforme Stephanie, até o momento a instituição não deu um posicionamento claro dos motivos que a levaram a cancelar a convocação. “Fala-se que o cancelamento do certame para esses seis cursos se deu pelo fato de não ter atingido a quantidade de vagas por turma, que geralmente é de 30 a 40 pessoas, só que eu tenho amigos que estudam lá e que permanecem até hoje em turma abaixo desse número”, complementou.

Em seu primeiro vestibular, Neemias Veloso, 51 anos, foi aprovado na 12ª colocação. Assim como os demais, o candidato se declarou prejudicado com a situação. “Foi o primeiro vestibular que fiz na vida e infelizmente a sensação que fica é de decepção. Tentamos ver uma solução com a UERR e a única opção que nos ofereceram foi o ressarcimento dos valores pagos. Nós não queremos o dinheiro de volta, mas sim estudar. É um direito nosso”, pontuou.

Após o ato, que durou aproximadamente duas horas, em frente ao campus da Capital, no bairro Canarinho, zona Leste, os manifestantes foram convocados para uma audiência pública a portas fechadas com a Promotoria de Defesa de Necessidades Especiais, Idosos e Direito a Educação (PRO-DIE) do Ministério Público de Roraima (MPRR).

Nesta ação, o grupo contou com o suporte da Associação dos Estudantes de Roraima (Assoer). “A contribuição nossa é em realmente dar esse apoio na mobilização dos estudantes universitários que foram classificados, mas que não foram convocados no vestibular 2018 da UERR, e também dar apoio jurídico, tanto que estamos fazendo o acompanhamento deles junto ao Ministério Público, justamente para recorrer contra esse ato, que é um retrocesso na educação superior do Estado”, destacou o presidente da entidade, Jean Farias.

UERR – Questionada sobre a mobilização, a Universidade Estadual de Roraima (UERR) ressaltou, em nota, que a não convocação dos candidatos se deu em cumprimento ao item 15.14 do Edital n° 031/2017, e em respeito aos princípios da eficiência e da supremacia e indisponibilidade do interesse público, que especifica que a instituição não pode abrir turmas dos cursos cuja quantidade de aprovados foi inferior ao número de vagas ofertadas.

“O número de aprovados é de extrema importância e relevância, pois os referidos cursos apresentam taxas elevadas de evasão, que vão de 10% a 38% de um semestre para o outro. Ao mesmo tempo em que possuem taxa de sucesso na graduação baixa (formação em tempo regular), que vai de 4% a 16%. A taxa de insucesso (quantidades de alunos que não conseguem se formar) vai de 58,3 a 71,56%”, informou.

Ainda segundo a nota, a instituição voltará a ofertar vagas para os cursos de Geografia Turismo, Matemática, Engenharia Florestal, Química e Filosofia. A previsão é de que isso ocorra no próximo certame. “Os candidatos aprovados e não convocados receberão de volta o valor da inscrição. Basta procurar a Comissão Permanente de Concurso e Vestibular (CPCV), no campus Boa Vista, no horário das 8 às 14 horas, até o dia dois de março e requerer a devolução”, concluiu.

MINISTÉRIO PÚBLICO – Sobre a reunião com os manifestantes, a Promotoria de Justiça de Defesa da Educação esclareceu que por se tratar de seleção com regras previamente estabelecidas em edital, o órgão não tem legitimidade para atuar no caso, devendo, cada candidato que se sentir lesado, pleitear seus direitos individualmente na Justiça comum. (M.L)

NANA disse: Em 06/02/2018 às 11:09:34

"Acorda Ministério Publico, muitos alunos prejudicados , não só pelo cancelamento dos cursos, bem como, pelas notas alteradas das redações, onde alunos que nem estavam na primeira lista dentre os classificados , e ja na última lista , apareceram quase em primeiro, quanta falta de respeito com quem estudou, e o mais sarcástico é ouvir da boca de alguns candidatos que não fizeram nem sequer dez linhas na redação e tiraram nota máxima, troca de favores?"

Christhian Rodolfo Torres Dominguez disse: Em 06/02/2018 às 07:35:47

"Pó tem curso que tinham mais vagas que inscritos.......................muita concorrência kkkkkkkkkkk"