Por Jessé Souza
Em 01/09/2017

Quando todos falham...

A crueldade dos bandidos com suas vítimas executadas, a sengue frio e sob tortura, demonstra a urgência com que as autoridades precisam agir para frear essa onda de criminalidade. O Estado foi dominado pelo crime organizado na medida em que a segurança pública foi negligenciada pelos seguidos governos, que ficaram com paliativos e subestimando os criminosos.

E não apenas os presídios que foram largados ao descaso, ficando aos frangalhos, caindo aos pedaços, sob o domínio de facções criminosas. As escolas também se tornaram lugares sombrios para a transmissão de conhecimento, com a violência instalada no seu entorno e não demorando para entrar em sala de aula.

Na semana passada, dois professores que se encontraram casualmente no centro comercial da Avenida Jaime Brasil, falavam dessa violência que chegou silenciosa e hoje faz barulho a ponto de muitos educadores pedirem afastamento do trabalho para tratamento psiquiátrico.

Onde os presídios ficam superlotados, sem estrutura, e as escolas se deterioram, a realidade não poderia ser outra, com a violência chegando a um nível insuportável e o crime organizado se estabelecendo, desafiando a sociedade.

O Governo do Estado tem visto na militarização das escolas públicas uma saída para frear a violência em sala de aula, porém, esses colégios militares logo se tornam uma ilha nos bairros pobres, onde professores e alunos sentem-se protegidos dentro de sala de aula, mas passam a ficar à mercê da violência do muro para fora.

No nível de violência a que chegamos, ninguém está a salvo da criminalidade, pois a polícia tem combatido apenas os efeitos da violência, investigando e correndo atrás bandidos, mas as causas não. Então, o crime organizado continuará formando mais criminosos, cada vez mais cedo, já que as escolas também passaram a ficar reféns do medo e desinteressante para o aprendizado.

Todos estão falhando: a família, a escola, a sociedade e os governos com todo seu aparato. Como os governos são a última esperança para combater e punir as mazelas, então fica difícil pensar numa solução a curto prazo. E isso sem contar que os políticos estão pensando apenas em sua sobrevivência diante da Operação Lava Jato, esquecendo de uma agenda para o Brasil.

Com um Estado arrasado pela corrupção, destratado por maus políticos e governantes, e agora enfrentando uma onda migratória sem precedentes, os ventos que sopram não são bons. É preciso que a sociedade organizada comece a reagir. Até agora só os bandidos estão mostrando sua força.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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