Por Parabólica
Em 20/02/2018

Bom dia,

O problema dos migrantes venezuelanos em Roraima vem ganhando repercussão internacional. Ontem, em Brasília, o assunto foi tratado junto ao Presidente da República, Michel Temer (PMDB), e com o ministro das Relações Exteriores, Aluísio Nunes (PSDB) pelo chefe do Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas (ONU), o italiano Filippo Grandi. Ao presidente e ao ministro, ele disse que levará para a Europa a gravidade da situação, e pedirá para governos europeus ajudar o Brasil enfrentar a situação.

O problema é em que tempo essa ajuda chegará? O fluxo de pessoas vindo da Venezuela para Roraima não para de crescer e, enquanto a situação interna daquele país continuar em crise profunda, mais gente de lá está disposta a vir para o Brasil. E como os receberemos, se não temos condições de sequer controlar a violência que se abate sobre Boa Vista?

DIREITO
Mais uma morte é registrada no Sistema Penitenciário do Estado. Conforme a Folha, Jairo Caldeira Lima, o Caboco Jairo, foi encontrado morto, com sinais de estrangulamento, numa cela da Cadeia Pública de Boa Vista, onde cumpria pena juntamente com outros presos. O que torna intrigante o caso é que a direção do Sistema Penitenciário do Estado disse que investigações serão realizadas e que os resultados serão fornecidos apenas para a polícia e para os familiares. Ora, é elementar que a opinião pública tem o direito de saber o que se passa no interior das cadeias públicas e da Penitenciária Agrícola de Monte Crista (Pamc). Não está no alvedrio dos agentes estatais dizer o que pode ou não ser publicado.

APERITIVO 1
A notícia está na edição da Folha de hoje, terça-feira (20.02). A Eletrobras Distribuição Roraima, nome fantasia da Boa Vista Energia S.A., mandou cortar o fornecimento de energia para os indígenas da comunidade da Boca da Mata, situada às margens da BR-174 (Norte), pertencente à Terra Indígena São Marcos. A justificativa é um atraso no pagamento de uma dívida de quase R$ 50 mil, depois que a concessionária mandou colocar um único medidor na saída para a instalação da energia para as residências. A conta está no nome do antigo tuxaua, e o atual líder da comunidade, tuxaua Zé Nilton, não reconhece a dívida.

APERITIVO 2
Além da falta de dinheiro -todos sabem tratar-se de uma comunidade muito pobre-, fica difícil para o tuxaua Zé Nilton individualizar o consumo de cada uma, das mais de três centenas de casas da localidade. Isso é apenas um aperitivo dos problemas que vão surgir com a venda da Boa Vista Energia prevista para o final de abril próximo. Se uma empresa estatal não é capaz de distinguir a existência de uma comunidade carente, imagina-se como vai proceder uma empresa privada que justificadamente procura ter lucro. Essa gente, movida por interesses nem sempre confessáveis, não tem a dimensão da confusão que esta venda vai trazer para o Estado.

CORREÇÃO
Na edição de ontem, dissemos que o valor simbólico para a venda da Boa Vista Energia seria de cinquenta reais. Ontem, recebemos do recém-eleito presidente do Sindicato dos Urbanitários de Roraima (STIU/RR), Gissélio Cunha Costa, um pedido de correção daquele valor. Na verdade, o preço simbólico da empresa a ser vendida é de R$ 50 mil. Ainda uma migalha, pois no contrato Social da Boa Vista Energia S.A., encaminhado à Parabólica pelo presidente do STIU/RR, o capital social da empresa é de R$ 684.204.245,96. Simplesmente, quase 14 mil vezes o valor simbólico.


Jornais que circulam na Venezuela e, que ainda mantém um mínimo de liberdade editorial, publicam notícias dando conta de que entre 40% e 60% dos estudantes universitários do Estado de Bolívar estão trancando as matrículas, pois já não têm condições de serem apenas estudantes. Eles precisam trabalhar para ajudar as famílias empobrecidas pelo governo de Nicolás Maduro. Uma refeição em restaurantes universitários, evidentemente subsidiados pelo governo, não custa menos de dez mil bolívares. As estatais da região pagam salários que não chegam a 300 mil bolívares.

PRESCRIÇÃO
Um dos inquéritos contra o notório senador Romero Jucá (PMDB), que apura a transferência do controle e outorga de uma televisão para seu filho, tramita por incríveis oito anos, no Supremo Tribunal Federal (STF). A acusação de que houvera fraude e assinaturas falsas em documentos entregues ao Ministério das Comunicações foi feita por um ex-laranja, Geraldo Magela, que anexou várias provas para confirmar. Tudo indica que vem aí mais uma prescrição de um crime que poderia ser facilmente investigado. E a ministra Carmem Lúcia ainda se irrita quando alguém resolver criticar o Judiciário. É uma vergonha!

ESTÁ DECIDIDO
O ex-senador Mozarildo Cavalcanti esteve ontem, aqui na Folha. Disse que está decidido a apoiar o nome do empresário Antônio Denarium, que ainda está sem partido, para o Governo do Estado nas próximas eleições. Mozarildo é pré-candidato ao Senado Federal e diz que nas próximas semanas também vai definir o partido pelo qual deverá ser candidato, provavelmente o mesmo do empresário. O ex-senador diz que tem certeza de um amplo desejo de mudanças do eleitor de Roraima, especialmente, para novas propostas de desenvolvimento, e menos corrupção.

Parabólica
parabolica@folhabv.com.br
misael carvalhedo disse: Em 20/02/2018 às 05:39:14

"Quem deve ser responsabilizado pelo dívida das comunidades indígenas é a FUNAI."

Últimas de
Parabólica
+ Ler mais artigos de Parabólica