Por Jessé Souza
Em 18/07/2018

A mentira na vida e na política

A mentira como instrumento do pós-verdade nas redes sociais não é uma invenção recente, a partir da popularização da internet. Ela vem de longe. A Bíblia é recheada de ensinamentos para alcançar o caminho da verdade rumo ao Paraíso prometido. Aliás, o Diabo, considerado o inimigo de Deus, é descrito na Bíblia como o "pai da mentira". E Jesus, enviado para salvar a Humanidade, se se descreveu como sendo a Verdade e a Vida.

E assim vem batalhando a Humanidade na sua jornada, religiosa ou não, em uma luta da verdade contra a mentira. Então, não seria errado dizer que a mentira também é uma condição humana, senão jamais haveria preocupação do divino com a mentira dos homens. Diz um trecho da Bíblia: "Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa" (Números 23:19).

Não há leis proibindo comer tijolo, pois não há propensão para se comer tijolo. Porém, é crime mentir perante um juiz em um tribunal, falso testemunho que prevê prisão de um a três anos. As pessoas mentem também porque isso pode ser tolerado na sociedade para se evitar conflitos ou mesmo situações desagradáveis no dia a dia.

Antes das redes sociais, mentia-se no relicário, caderninho de lembranças da amiga da escola, em uma inocente brincadeira de criança, que era mais ou menos uma rede social off-line da época; mentia-se nos cadernos das brincadeiras de perguntas e respostas, ainda que fosse copiando frases de outras pessoas ou de revistas de comportamento.

E assim a mentira chegou aos dias atuais, em forma de "fake news", que não passa de notícias falsas que já eram praticadas em tempos atrás, de quando mentir era tolerado enquanto era proibido falar a verdade, característica de qualquer ditatura em que jornais são censurados quando tentam divulgar a verdade.

O que é a política senão a arte de mentir? Como eliminar o "fake" se vivemos atolados em mentiras em forma de se fazer política? A campanha eleitoral se torna um período em que a sociedade autoriza e tolera a mentira de políticos canalhas. Em Roraima, tem até parlamentar que, sabendo que não se reelegerá, largou seu "grande amor" das redes sociais para voltar ao seu "velho-novo amor", inclusive andando de bicicleta, na esperança de retomar o poder.

A sociedade toma esse comportamento como "normal", pois seria algo tão "inocente" diante da ação dos políticos que sempre estão representando interesses particulares e de grupos. Não há maior "fake news" do que a própria imprensa reproduzindo os interesses inconfessáveis de seus políticos de estimação, nessa busca desonesta em busca de votos e poder. Jamais iremos eliminar o "fake news" enquanto as mentiras se tornam verdades de acordo com as conveniências de cada um ou de grupos.
 
*Colaborador
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Jessé Souza
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