Por Jessé Souza
Em 19/08/2017

É preciso admitir, urgente!
 
Em entrevista a um telejornal, sobre o aumento de assaltos no bairro Caimbé, na zona oeste de Boa Vista, o oficial da Polícia Militar falou de quase tudo que motiva esse avanço da violência naquele setor da cidade: grande concentração de imigrantes, bares e fluxo constante de gente por causa da Feira do Passarão.

Não se sabe qual o motivo, mas o militar não falou abertamente que o Caimbé é conhecido historicamente por pontos de prostituição – atividade que aumentou com a chegada de venezuelanas que adotaram aquele setor como local para vender seu corpo – e também bocas de fumo que por longos anos dominaram aquele bairro.

É preciso que as autoridades reconheçam abertamente esses problemas para que o Estado assuma sua parte não só na questão de segurança pública, colocando mais polícia na rua, mas também agindo com políticas públicas que combatam não os imigrantes que chegam, mas o que motiva a imigração desordenada.

Porém, acostumado com a distribuição de presentes em datas festivas e concessão de “vale-alimentação”, há muito tempo os governantes confundiram propositalmente programas sociais com programas assistencialistas, por isso não há estrutura de governo para reagir a este novo cenário.

O assistencialismo foi mais uma forma que os políticos encontraram para conseguir voto na periferia, onde os migrantes e os roraimenses se habituaram a trocar seus votos por assistencialismo praticado pelo Estado. Mas esse tipo de ação fugiu ao controle, pois a realidade agora é o grande número de estrangeiros que chegam em busca de um recomeço, do zero, precisando de assistência não eleitoral.

Junto com a chegada de mais estrangeiros, sem qualquer perspectiva, surgem a prostituição, violência, tráfico de drogas, mais pobreza, desemprego, mais demanda nas já superlotadas unidades de saúde, além de outras mazelas advindas de um fluxo migratório desordenado.

O estado de Roraima não vai conseguir superar isso escondendo os fatos ou deixando de comentá-los. Já tivemos um exemplo semelhante, quando havia autoridades estaduais negando a existência de facções criminosas, permitindo que os bandidos se organizassem, a ponto de haver a maior chacina dentro de um presídio, no início do ano.

Também de nada adiantará as pessoas tão somente acusarem os estrangeiros pelo avanço de nossos problemas, incitando o preconceito e a xenofobia, o que só pode piorar esse quadro desalentador que estamos assistindo. Ou encaramos essa realidade ou nossos problemas só irão aumentar e chegar a um nível insuportável.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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