Por Francisco Cândido
Em 12/07/2018

RIOS E IGARAPÉS DE RORAIMA

 O poeta roraimense Eliakin Rufino, na música de sua autoria “Cidade do Campo”, enaltece a beleza hidrográfica de Roraima, particularmente de Boa Vista: ♫♪ “Buriti do campo, que prazer / Igarapé, tão bom te conhecer // Boa vista, vai onde a vista ver / No verde do campo vi você //. Correm mitos no vento / Pedra de Macunaíma / Voa meu pensamento / Sobre o Monte Roraima. // Cidade do campo (Boa Vista), à beira-rio / Estrela do Norte do Brasil/ Cidade do campo, no entardecer / Boa vista linda de se ver // Correm rios de tempo / Águas de Pacaraima / Montes em movimentos / Coração de Roraima//” ♫♪.

Os principais rios de Roraima são: 

Branco (formado pelos rios Tacutu + Uraricoera); Uraricoera (nasce entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas, e é o maior rio de Roraima, com 870 km); Tacutu (na sua margem esquerda está o sitio arqueológico do que sobrou do Forte São Joaquim (1775 – 1778, a 30 km de Boa Vista). O rio Tacutu, diferente dos demais, corre do Sul pro Norte, e em sua porção à leste de Roraima, marca um trecho da divisa do Brasil (em Bonfim) com a Guiana (em Lethem);

O rio Cotingo nasce no Monte Roraima e serpenteia pelos lavrados de Roraima.  Tem em seu leito a presença de ouro e diamante, é um afluente do rio Tacutu e deságua no rio Surumú. 

Maú, é um afluente do rio Tacutu e nele deságua o rio Ailã. Já o rio Ailã, nasce próximo ao Monte Caburaí – o Extremo Norte do Brasil-, no Município de Uiramutã; 

Ajarani (em Iracema e Caracarai, é afluente do rio Branco), Alalaú (em Rorainópolis, deságua no rio Jauaperi e marca a divisa entre os Estados de Roraima e Amazonas); Catrimani (em Caracaraí, é afluente do rio Branco); Cauamé (é afluente do rio Branco e limita a área urbana de Boa Vista); Mucajaí (recebe ás aguas do rio Apiaú, em Mucajaí, e deságua no rio Branco); Surumu (em Pacaraima, é cortado pela BR-433 e deságua no rio Cotingo); 

Urubu (é um rio de águas escuras, devido à presença de Ácidos orgânicos com a decomposição de Materiais orgânicos, e está em dois Estados: Roraima e Amazonas, sendo afluente do rio Amazonas); Xeruini (em Caracaraí e afluente do rio Branco); e o rio Água Boa do Univiní (em Iracema e Caracaraí, desaguando no rio Branco).

História do rio Branco: O navegador português Pedro Teixeira, chamado "O Conquistador da Amazônia", nasceu em 1587, na cidade de Coimbra, Portugal. E, em outubro de 1639, à frente de 2.500 pessoas, entre militares, índios e familiares, embarcados em mais de 50 canoas, empreendeu viagem partindo de Belém do Pará e atingiu a cidade de Quito, no Equador. Em seguida, regressou a Belém depois de haver percorrido mais de 10.000 km de rios e trilhas. Em sua viagem, descobriu e nominou o rio

Negro (que os índios chamavam de “Uaupés” – rio de águas escuras).

E, na volta, descendo o rio negro em direção à Manaus, deparou-se com o desaguadouro de um rio de cor clara. Perguntou aos índios que o acompanhavam: "Que rio é este? - responderam: "É o rio Kelsuene (Queçuene, Quequene) que significa: "rio de águas claras". Então Pedro Teixeira batizou este rio de: "rio Branco", que é o principal rio que corta a cidade de Boa Vista, em Roraima. O rio Branco é formado pelos rios Tacutu e Uraricoera.

Pedro Teixeira, como reconhecimento pelos seus 25 anos de profícuos serviços ao Rei de Portugal, foi nomeado para o cargo de Capitão-Mor do Grão-Pará. Tomou posse em fevereiro de 1640. Infelizmente, sua gestão foi curta, durando até maio de 1641. Pedro Teixeira faleceu no dia 4 de Julho de 1649 na cidade de Belém, no Pará.

IGARAPÉS: é a denominação dada a pequenos rios da região Norte (Amazônia). Igarapé é um termo indígena que significa “caminho de canoa” (de igara – canoa; E pé; o “caminho da canoa).

Alguns Igarapés de Boa Vista: igarapé Caranã (que também é o nome de um bairro), na língua macuxi significa “falso buriti”. O Igarapé Waizinhio vem da etnia bororo “uái” (“wia” = jacaré) e grande refere-se à medida, neste caso diminutivo (pequeno). Já a expressão “wai” (de wai-grande) e waizinho, na língua macuxi, quer dizer balde, e na língua yanomame quer dizer “violento”. Este Igarapé se situa no Bairro Nova Cidade. O Igarapé Uai-grande, percorre vários bairros da cidade. 

“Igarapé Bacabal” (onde há um aglomerado de palmeiras Bacaba). Este Igarapé está na área do Distrito Industrial de Boa Vista. “Igarapé Carrapato” (devido a presença deste inseto); “Igarapé Caxangá” (na língua Tupi-guarani, vem da palavra “caá-çangá”, quer dizer: “mata extensa”.

Há o Igarapé “Frasco”, que passa em vários bairros; o Igarapé “Paca” (tupi de 'paka' e na makuxi como “warana”) que significa mamífero roedor. Outros Igarapés: Jararaca (Igarapé do Mecejana que, na língua tupi, significa: “Lagoa ao abandono”); Igarapé Pricumã (“lugar coberto de juncos”), deriva de “pericumã”, um rio da cidade de Pinheiro, no Maranhão. 

Há outros Igarapés que também merecem registros (serão temas em outras edições). 

Francisco Cândido
franciscocandido992@gmail.com
Sterfson disse: Em 12/07/2018 às 17:03:31

"Parabéns Francisco Candido pela matéria sobre os rios de Roraima e Igarapés"

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