Por Opinião
Em 27/06/2017

Escrever é fácil - Walber Aguiar*
Feliz o que transfere o que aprende e o que aprende o que ensina
                                                                Cora Coralina

25 de julho, Dia do Escritor. Alguém perguntou: como você começou a escrever? Disse que, no começo, falava de coisas que encontrava com os olhos, que invadia a alma em dias de chuva e incerteza. Escrevia sobre a terra, à semelhança do grande carpinteiro da esperança e sonetista Dorval de Magalhães, o grande representante dos escritores roraimenses. Também escrevia sobre canteiros e jardins. Sobre a vida e a morte, como a do grande piadista “Fumaça”, que partiu nos ombros largos da noite.

Depois passei pela fase de artigos de opinião, da criticidade, na tentativa de consertar o mundo com palavras determinadas, incisivas. Fui convidado a parar de escrever em jornais, pois o que escrevia incomodava os viciados em poder, mexia com as estruturas apodrecidas da tirania. Não parei, perdi o emprego, mas continuei fazendo o que mais gostava: escrever.

Ademais, escrever é um exercício leve, é como embalar palavras num berço, sabendo que uma cova as espera um dia, sabendo que elas nascem e morrem constantemente. Mas que, no espaço que habitam o mundo, tudo fica mais belo, simples, solto. Significativo. Por isso tornei mais terno o bico da pena, o teclado mágico que comporta, levitei com as palavras, elaborando crônicas e passando vida para o papel em branco do nada, rascunhando sobre a dor, a mesmice e a ignorância.

A partir de meus canteiros literários, tentei alcançar o amor, na tentativa de ampliar os horizontes de quem, acostumado com a mediocridade dos dias, conforma-se com a mesmice, com a vida pouca, com um cotidiano sem aventura. Nessas andanças pelos livros meus e dos outros, aprendi umas palavras e tornei outras mais belas. Passei a desenhar sonhos dissertados, na esperança de construir uma realidade mais leve, uma vida, digamos, mais suportável.

Aprendi a linguagem filosófica, científica, cartesiana, existencial. Mergulhei nas páginas profundas da espiritualidade, em busca do Eterno e da eternidade, de mim mesmo e daquilo que na vida nos vence. À semelhança de Cora Coralina, afirmo que carrego mais terra nos olhos que cansaço nas minhas pernas; que afasto pedras, planto roseiras e faço doce. Um doce de ternura, esperança e fé na vida. Que na lição dura que as pessoas vão aprendendo com a dor e a amargura, parto para a didática mais divina e menos opressiva, a de que bondade também se aprende...

Vamos escrever a nossa  história e elaborar nossos sonhos ainda há tempo.

Quanto ao grande amigo “Fumaça”, que ele continue a soprar fumaça em nossos olhos e graça em nossos dias apressados, pois de amor todos estamos carecidos...

*Advogado, poeta, historiador, professor de Filosofia, conselheiro de Cultura e membro da Academia Roraimense de Letras. wd.aguiar@gmail.com


Casamento é coisa séria - Marlene de Andrade*

Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.
(Provérbios 16:25)

Morarmos num país democrático, mas quando a Suprema Corte decide é ponto final, pois o legislativo não se impõe. Não bastasse isso no Brasil, os casamentos entre pessoas do mesmo sexo são realizados por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), baseada claro, em decisão anterior do Supremo Tribunal  Federal. Essas uniões  começaram a ser celebrados desde maio de 2013.

A Bíblia condena a homossexualidade? Claro que sim, sendo assim, nós cristãos devemos ser contra a esse tipo de união. Vejamos o que nos diz  Levítico “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é.” (Levítico 18:22). Sempre que a Bíblia menciona o casamento é entre um homem e uma mulher e não entre pessoas do mesmo sexo, sendo que a primeira vez que a Bíblia falou sobre casamento foi em Gênesis 2:24 e o descreveu assim: o homem deixando seus pais e se unindo à sua mulher e não ao seu homem.

No entanto, quero deixar muito claro que não sou homofóbica e até tenho intimidade com alguns homossexuais que prezo de verdade, até porque cada um tem livre agência para fazer de suas vidas aquilo que lhes dá prazer, menos é claro, cometer crimes ou atos ilícitos. Além do mais, vivemos num país democrático por isso posso externar meus pontos de vista, sendo assim, me posiciono contra a união de homem com homem ou de mulher com mulher. A educação que recebi de meus pais me fez pensar dessa forma. Eles viveram juntos mais de 40 anos até que ele falecesse. Eu percebia que casamento para eles era algo muito sério. Além do mais, Romanos 1 deixa muito claro que esse tipo de união não é a vontade de Deus para a raça humana.

Casamento deve ser entre duas pessoas de sexos diferentes, mas não deixo de ser amiga de um casal homossexual só porque sou contra esse tipo de união. Ainda digo mais: se eu souber que tem um homossexual precisando de mim, ele pode contar comigo que tudo que estiver ao meu alcance farei por ele.

O que mais gostaria de deixar esclarecido, neste artigo, é que a única coisa que não aceito mesmo é um casal homossexual adotar filhos. No meu ponto de vista, as crianças devem ser criadas por um casal heterossexual, pois esse é o padrão de Deus.  Jesus foi criado por quem? Maria e José. A Bíblia afirma que um casal homossexual criou uma criança? Criança precisa de um pai e de uma mãe e ponto final. Esse é o meu posicionamento a esse respeito, mas volto a repetir, não sou homofóbica e ainda digo mais, tive um colega da saúde quando eu trabalhava no Posto de Saúde Buriti, o qual se tornou meu grande amigo. Ele era homossexual e contraiu AIDS e dessa maligna doença faleceu. Ele fazia programas e fez de mim sua confidente. Eu o amava muito e quando ele ficou muito mal no dia de sua morte, o Posto me ligou para que eu fosse ao HGR lhe dar o meu consolo. Sofri muito com a morte dele, pois o tinha como um amigo do peito.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT


Construa o seu futuro - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Para ver muita coisa é preciso desligar os olhos de si mesmo”. (Nietzche)

Todos eles na mesma faixa de idade, com diferenças sem diferença. Todos entre três anos e três meses de idade. São eles: Melissa, Ian, Felipe e Iure. Um quarteto da pesada. Cada um, claro, com características diferentes e comportamentos distintos. Exatamente como deve ser.

Mas, todos com uma qualidade, e marca registrada. Todos alegres, sorridentes e simpáticos. Ian é um cara que sorri até para a dor. Esforça-se desmedidamente para conversar. Só que ainda não tem condições de articular as palavras. E talvez pela dificuldade que encontra em dizer o que pensa, sorri e ri com uma facilidade indescritível. No último dia em que nos encontramos, ele sorria pra mim e vinha com as duas mãozinhas em direção ao meu rosto. Quando se aproximava do rosto, puxava as mãos como se estivesse com medo de tocar na cara do sapo, e soltava uma gargalhada, a seu modo. Deus, como aquilo foi gostoso.

Com o Iure e o Felipe, quase não nos encontramos. Mas quando nos vemos é aquela alegria. E, naturalmente, fico como o bisavô mais coruja da paróquia. Mas não sou. Apenas tiro os olhos de mim e os fixo no que realmente me faz feliz. Resolvi bater esse papo depois que a Melissa chegou aqui, ontem pela manhã. Ela é uma das pessoas mais alegres que eu já conheci. Irradia felicidade e alegria numa espontaneidade indizível. Chegou, parou diante de mim, focou me olhando, abriu um sorriso, abriu os braços e correu para um abraço apertado e longo.

Conversamos no linguajar dela e só aí me lembrei que era o seu aniversário. Três anos de idade. Abracei-a novamente e fomos ao telefone. Liguei para São Paulo, para ela falar com a dona Salete. Foi um papo curto, e quando ela me passou o telefone, falou:
- A vó cantou parabéns, vô.

Este quarteto é formado pela geração mais recente de dois netos e dois bisnetos que compõem o grupo de catorze netos e dois bisnetos. E você nem imagina a felicidade que sinto quando esse grupo se reúne. Na realidade vivo pra eles. Meus olhos estão voltados infinitamente para cada um deles, e para todos, de um modo distinto. A felicidade consiste em saber ser feliz. E o respeito é o maior e melhor ingrediente para se ser feliz fazendo com que os outros se sintam felizes. Ame sua família com respeito, e escudado no respeito como exemplo de vida. Não há como não ser feliz quando se respeita a felicidade das outras pessoas. Um exemplo muito fácil de seguir. É só não exigir, mas dar o que gostaria de receber. A resposta que obtemos é sempre o resultado do que damos. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
9121-1460       

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