Por Opinião
Em 19/08/2017

Brasil ou é Beiral? - Roberta Almeida de Souza Cruz*

Nascido Brasil ou é Beiral?

Às margens do Rio Branco, o Beiral bem que já se pode chamar Largo do Estácio, mas realisticamente seu nome é bairro Caetano Filho, ou será, filho de Caetano?  Bem, o tempo vai seguindo, vou me lembrando do passado, quando alguns amigos “diferentes” e inofensivos passavam pela Escola Euclides da Cunha na hora da saída. Se eu entendia, pouco importa, seres humanos não se julgam, anulam, matam ou reprovam e outra coisa que me vem à mente, quando penso no tão falado desenvolvimento, eram umas matérias jornalísticas em que analistas confirmavam que a tecnologia baratearia a vida e traria qualidade para todos. Agora, com a carne crua sendo exposta na televisão, me pergunto? Melhorou?

Em todo o país está havendo sim, racionamento de água, outro lembrete do passado “O país da água potável? É isso mesmo telespectadores?

Agora, Belo Monte já é realidade, os índios padecem, e, eu pensando um pouco, acho que o Beiral é de Roraima, patrimônio sim cultural, sua arquitetura lembra um bairro do Pará chamado Cidade Velha, uma obra prima. O Beiral existe por si mesmo, tem sua tradição, tem seu povo, assim como uma aldeia têm seus índios.

Violência não é a droga usada por lá, violência não é matar prisioneiros e transmitir AIDS como na Rebelião do Carandiru, o mais irônico é que nessa época remota o Secretário de Segurança Pública de São Paulo foi nosso atual presidente Michel Temer, ele solucionou o problema com o que era inevitável de não se fazer acabou-se o famoso Carandiru e surgiram tantas prisões de segurança máxima.  É assim mesmo produção?

A violência não é de Deus, logo se o homem há tem, o sistema gerou, como? Mentem fatos históricos, educação pior que mediana na atualidade, poluição dos rios e mares só por petróleo e agora, me indago: A globalização traz a revolução do quê? Fácil para quem tem condições, agora para muitas pessoas o dinheiro, se possível, eles plantavam...

Não sei se é o início do fim ou de um novo começo, mas até hoje eu espero, gente fina, elegante e sincera e gente é para brilhar, não para morrer de fome. Que um dia as estrelas e a lua não acordem e talvez o Brasil no escuro possa novamente se dar as mãos, limpar as chagas e definitivamente acreditar no povo brasileiro, só assim, somos Brasil!

*Jornalista e escritora


Parlamentarismo - Ranior Almeida Viana*

Dentro das discussões a respeito da Reforma Política, cogita-se que o Brasil adote o Parlamentarismo como sistema de governo.

Este mesmo que fora rejeitado duas vezes quando foi proposto via plebiscito, uma em 1963 e outra em 1992, e nesta última oportunidade há quem diga que não foi bem explicada esta forma de governo na época. De forma que não se pode dizer que o sistema de governo presidencialista não está bem consolidado e que não haja falhas.

No presidencialismo brasileiro, o chefe de governo tem que lotear o executivo entre as dezenas de partidos políticos existentes e isso é praticamente uma obrigação se o governante quiser concluir seu mandato. É o chamado de governo de Coalizão é o que explica a existência de mais de 20 mil cargos comissionados na administração pública, ocupados por indicação política.

No parlamentarismo não se tem a separação de poderes os poderes legislativo e executivo, pois se o executivo, neste caso o Primeiro-Ministro não consegue apoio do parlamento, este pode ser trocado a qualquer momento pelo parlamento.

Já no presidencialismo essa eventual substituição só ocorre por meio de um mecanismo chamado impeachment, criado pelo EUA, vale ressaltar nunca se utilizaram dele contra seus presidentes. No Brasil foi usado pelo menos duas vezes a primeira em 1992 e a outra em 2016.

Dá pra apontar inúmeras vantagens no Parlamentarismo como, por exemplo, a determinada facilidade e rapidez de aprovação de leis, maior comunicação entre o executivo e legislativo, possibilitando uma melhor transparência e fiscalização, risco mínimo de se ter governos autoritários, devido aproximação entre oposição e situação.

Aponto também desvantagens do sistema parlamentarista, como o chefe do executivo não é eleito pelo povo, a oposição como minoria fica engessada cabendo-lhe apenas o papel de fiscalizar.

No presente momento o que está para ser aprovado são os modelos eleitorais como Distritão e Distrital misto (este último vai continuar beneficiando os grandes partidos sem deixar que novas alternativas surjam), e de forma que a cada mês nasce mais um novo partido, sem contar que são poucos os que mantêm sua ideologia.

Por fim, é apenas um exercício de reflexão e discussão a respeito deste sistema de governo chamado Parlamentarismo, que funciona muito bem em diversos países com mais eficácia que o nosso presidencialismo. Mas se não mudar a mentalidade das lideranças políticas não adianta mudar os mecanismos.    

*Licenciado em Sociologia – UERR, Bacharelando em Ciências Sociais – UFRR
raniorameida@outlook.com


Construir escolas, pra quê? - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios.” (Darcy Ribeiro)

Faz pouco mais de três décadas que o Darcy disse isso. E quem prestou atenção a isso? Não sei se o pensamento dele tem algo com o do Napoleão Bonaparte, há séculos: “Devemos construir escolas para não termos que construir presídios”. Não construímos escolas, depredamos e negligenciamos com as boas escolas que tínhamos, e agora falta dinheiro para construir presídios. E não tem como sair dessa. Apoiados, pela hipocrisia fica mais fácil iludir, chamando o presidiário de “educando”. E como o povo vai na onda, vamos fingir que estamos educando, na verdade, prendendo. Simples pra dedéu.

Talvez alguém esteja me chamando de tolo por eu achar que os problemas do mundo se resolvam com a Educação. Talvez não, mas não teríamos, com certeza, os desmandos que temos, por exemplo, na política. Com certeza. Se fôssemos um povo realmente educado, não ficaríamos nadando em águas turvas da ignorância. Porque o que vivemos atualmente é mero fruto da nossa ignorância política. Então vamos nos educar e sair desse blá-blá-blá. Vamos amadurecer. Viver nossas vidas dentro de um padrão condizente com nossa evolução racional. E ser racional é a coisa mais simples.

Valorize-se não perdendo seu precioso tempo com coisas e assuntos que não lhe tragam benefícios. Os descontroles que abalam o mundo atualmente são os mesmos que o abalaram em outras eras. A diferença está apenas em como as coisas aconteceram e acontecem. As mulheres estão batalhando pela igualdade. Só não dizem, porque talvez não saibam, que igualdade visam. E talvez por isso, estamos vendo o número de mulheres embarcando na canoa furada do crime, na mesma proporção dos homens. Será essa a igualdade desejada. Claro que não. Mas não está havendo uma educação no caminho da procura.

Mas não se apoquente com isso. Apenas faça sua parte na evolução do mundo. E se você se achar pequeno demais para mudar o mundo, lembre-se do passarinho que estava levando pingos de água no bico, e jogando-os contra um incêndio na floresta. Quando um colega o criticou, em razão da insignificância do pinto de água, ele respondeu: “Eu estou fazendo a minha parte.” Sabedoria. Não importa o que você faz o que importa é a importância que tem o que você faz. Porque você só pode colaborar com sua parte, e nada mais.

Vamos agir, mas com civilidade e racionalidade. Porque, mesmo que você não acredite você é de origem racional. Sua imunização racional está no que você faz. Mesmo que seja apenas uma gota d’água. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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