Por Opinião
Em 24/03/2017

O emprego voltou

Michel Temer*

A melhor notícia que um governante pode transmitir, sejam quais forem as circunstâncias que envolvem o momento de sua administração, é a geração de novos empregos. Tive a felicidade de fazê-lo, ao anunciar que, depois de 22 meses de números negativos, revertemos a tendência de queda. Foram criados mais de 35 mil empregos com carteira assinada em fevereiro.

É claro que temos ainda muitos milhões de brasileiros a trazer de novo para o mercado formal. O importante é que o emprego está voltando. Agimos de forma corajosa para que a iniciativa privada, que gera os empregos, possa prosperar. Sem o empresariado fortalecido não temos oportunidade de novas vagas na indústria, no comércio, na agricultura, nos serviços.

Tivemos a ousadia de editar uma lei que limita os gastos públicos. E foi uma ação bem sucedida, porque há um diálogo muito sólido com o Congresso Nacional, que aprovou nossa proposta em tempo recorde. Colocar ordem nas contas públicas é criar condições para a retomada do crescimento e, consequentemente, geração de empregos, nosso objetivo central.

A queda da inflação e a baixa dos juros básicos da economia vieram logo a seguir. Segundo o Banco Central, até o final do ano, a inflação estará abaixo do centro da meta, que é de 4,5%. Todos sabemos que esses fatores são imprescindíveis para o crescimento da economia, o que significa mais renda e mais empregos.

Com a liberação dos saldos das contas inativas do FGTS, vamos injetar cerca de R$ 35 bilhões na economia brasileira. Todo esse dinheiro vai diretamente para as mãos de mais de 30 milhões de trabalhadores. Dívidas serão pagas, reabrindo acessos ao crédito. Compras adiadas vão aquecer, especialmente, o comércio lojista. No final, seja qual for a aplicação desse dinheiro, toda a sociedade será beneficiada.

Para este ano, nós destinamos, apesar da crise que enfrentamos e estamos vencendo, R$ 75 bilhões para a construção de cerca de 600 mil casas no Minha Casa Minha Vida, que vai incentivar a construção civil. E isso significa mais empregos para quem precisa.

A confiança no Brasil está sendo recuperada. O caminho da responsabilidade começa a dar resultado. Vamos fazer as reformas da Previdência e trabalhista que o Brasil tanto precisa para seguir na retomada do crescimento econômico sustentável e do desenvolvimento social.

*Presidente da República 


  Espírito de porco

Luan Guilherme Correia*

Dia desses estava passando por um desses novos terminais de ônibus climatizados que foram implantados em Boa Vista, e um colega que estava ao lado comentou: “Nossa, como ficou legal. É uma ideia genial para uma cidade como a nossa, pena que não vai durar”.

A ideia é realmente genial e futurista, concordo. Mas a verdade é que o brasileiro não está acostumado com isso. Eu sei, meu colega sabe e boa parte da população tem certeza disso. Infelizmente, em meio a uma parcela da sociedade justa, honesta e trabalhadora, sempre tem os “espíritos de porcos”.

Quando estavam sendo construídos vi e ouvi muita gente reclamando que os novos terminais, ou “paradas”, eram um gasto de dinheiro público por conta da estrutura de ferro e vidro, o que os tornaria extremamente quente em dias de calor intenso.

Mas a verdade é que o problema é muito maior que isso. O problema está nos “espíritos de porcos”. Aqueles mesmos, que aproveitam a falta de fiscalização e policiamento nas ruas para apedrejar o patrimônio público. Aqueles que não podem ver uma coisa nova e já querem destruir.

E não pensem que só existe “espírito de porco” em bairros de periferia, não. Não faz muito tempo que uma dessas novas paradas de um bairro nobre foi apedrejada e destruída por um desses.

Realmente tento entender o que se passa pela cabeça de uma pessoa dessas. Pergunto-me se é feito por prazer, por raiva, por decepção, por ódio. Seriam vários os motivos, mas nenhum deles justifica o ato de destruir algo que beneficia uma população inteira.

Eu, como parte dessa população, e principalmente como jornalista, queria poder acreditar que esses novos terminais não serão destruídas. Que ninguém irá quebrar os vidros ou furtar as centrais de ar. Mas, infelizmente, sei que não será assim.

Não é complexo de vira-lata, muito pelo contrário. Temos que ser realistas, reconhecer que não vivemos em um país de primeiro mundo. Para alguns pode parecer simples terminais de ônibus, mas para outros é a necessidade, é onde você espera minutos, às vezes horas pelo transporte para ir ao trabalho, para casa, para os lugares.

Por que não conseguimos cuidar? Por que os “espíritos de porcos” têm que destruir e prejudicar as pessoas de bem? Por que ninguém fiscaliza? Por que não há investigação para frear esses delinquentes? Por que as leis são brandas para esse tipo de gente?

A verdade é que sei que amanhã ou depois irei noticiar algum desses pontos destruídos, e ficarei triste por vocês lerem esse tipo de notícia. A verdade é que isso só irá acabar quando houver respostas para essas perguntas.

*Jornalista 


  Não me pergunte

Afonso Rodrigues de Oliveira*

“A experiência aumenta a nossa sabedoria, mas não elimina as nossas tolices”. (Leon Tolstoi)

Não acredito que você faça as tolices que eu faço, quando alguém me pergunta o nome de uma rua. Ainda bem que não sou único por aí, mas devo ser o pior deles. Já falei pra você, daquele dia. Eu estava parado na calçada da Caixa Econômica, na Praça da Sé, em São Paulo. Um cidadão, ainda jovem aproximou-se e me perguntou:
- Por favor, onde fica a Rua Sete de Abril?

Estiquei o braço, apontei com o dedo em riste e falei sorridente:
- É só você atravessar a praça.

O cidadão riu e falou simpático:
- Ainda bem que eu sou paulistano.

Rimos, ele acenou e saiu em direção à rua. Dia desses sorri, me lembrando daquele episódio sem graça, mas engraçado. Eu moro aqui na Rua Gaucho Dias, na esquina com a Lobo D`almada. Todas as manhãs entro pela Lobo e sigo até à Folha, para pegar o jornal. Pego o jornal, sigo novamente pela Lobo e entro em casa. Naquele dia eu acabara de sair da Folha, quando uma moto parou do meu lado e o cidadão me perguntou:
- Por favor, onde fica a Rua Lobo D`almada?

- Oi, cara... Me dá dez segundos pra eu pensar? Mas eu acho que não fica por aqui não.

- Aqui não é o São Francisco?
- É!
- Então é por aqui.

Depois de um logo é, não é, dei uma tremenda risada. A ficha caiu. Estávamos na Lobo D`almada. Rimos muito e ele saiu, à procura da casa que procurava.

Ontem eu vinha, pela manhã, com o pão para o café da manhã e já ia entrando pelo portão de casa, quando uma moto parou e o cidadão perguntou:
- Por favor, sabe onde mora o Seu Dilton?

- Sei não, cara. E com certeza não é por aqui, senão eu saberia.

- Mas me disseram que era aqui nessa esquina.

Depois de longo é, não é, ele se foi e eu entrei em casa. Eu já estava tomando o café quando vi, pela janela, o cidadão parando a moto na calçado do meu vizinho Dilton. Não acreditei no que via. O Dilton e eu nos conhecemos há décadas e somos vizinhos. Levantei-me da mesa num pulo e corri para o cidadão, apertei-lhe a mão e me desculpei muito, pela tolice que fiz. Não sei se ele acreditou, mas espero e desejo que sim; afinal ele riu muito. E espero que você acredite nisso e sempre que tiver que me perguntar o nome de uma rua, não se aborreça se eu não souber. Com certeza você nunca conheceu um cara mais desligado do que eu, em termos de endereços.

Já assobiei várias vezes para motoqueiros a quem dei o endereço errado e me toquei a tempo de me corrigir. E já sofri muito quando não tive oportunidade de corrigir. E se um dia eu fizer isso com você, não me queira mal, porque vou me esforçar pra me corrigir. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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