SAÚDE
Vírus Sincicial Respiratório
VSR é a principal causa de infecções respiratórias graves e hospitalizações recorrentes de bebês prematuros
Por Raisa Carvalho
Em 20/01/2018 às 00:05
Dr. Renato Kfouri, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) explica os sintomas (Fotos Divulgação)

Este vírus é um dos principais responsáveis por problemas respiratórios em bebês de zero a 2 anos. Em prematuros pode ser fatal.

É temporada de circulação de VSR – Vírus Sincicial Respiratório na região Norte do Brasil. O VSR, um vírus de caráter sazonal – circula em cada região numa determinada época do ano - é a principal causa de infecções respiratórias graves e hospitalizações recorrentes: em crianças acima de dois anos e adultos saudáveis, causa sintomas semelhantes aos de um simples resfriado, mas pode ser fatal em bebês prematuros ou com fatores de risco associados.

De acordo com Dr. Renato Kfouri, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) sobre o VSR em uma entrevista realizada por email, a doença é a causa mais frequente de infecções respiratórias do trato respiratório inferior de bebês prematuros, duas vezes mais comum que o rinovírus, causador do resfriado comum.

“O vírus é responsável por cerca de 66,7% dos casos mais graves de hospitalização de bebês por problemas respiratórios, especialmente aqueles nascidos com ou abaixo de 35 semanas de gestação, como agente único ou em coinfecção com outros vírus, como mostrou recente estudo, chamado BREVI, publicado no periódico Pediatrics Infectious Disease Journal, de outubro de 2014”, explicou.

Além disso, o VSR é também responsável por re-hospitalizações constantes de prematuros (três vezes mais do que bebês nascidos a termo). Para crianças acima de dois anos de idade, ou adultos saudáveis, a infecção por VSR normalmente é leve, e pode ser confundida com um simples resfriado.

Mas em crianças prematuras ou portadoras de doenças cardíacas congênitas ou doenças pulmonares crônicas, o vírus pode dobrar o tempo de hospitalização da criança, ou sua permanência em unidades de tratamento intensivo, devido a problemas respiratórios.

“O quadro clínico é bastante variável, e varia desde quadro leves, lembrando um resfriado comum, até quadros mais graves com bronquiolite e pneumonia. Normalmente a gravidade da infecção está relacionada com a idade, quanto menor a criança maior o risco de desenvolver complicações”, explicou.

O VSR é um vírus comum, que circula em determinadas épocas do ano, mas altamente contagioso, que infecta as vias respiratórias principalmente do trato inferior. A transmissão é de pessoa para pessoa, em contato com secreções de pessoas infectadas, seja por via direta (espirros, tosse), ou através de objetos – como brinquedos, principalmente aqueles com superfície porosa.

“Não há tratamento específico para a infecção por VSR, somente prevenção. Depois de infectada, a criança recebe tratamento somente para amenizar os sintomas. A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomenda a imunização com um anticorpo monoclonal específico para o VSR, o palivizumabe, que reduz em até 70% a necessidade de internação de prematuros. A imunização com o anticorpo está disponível pelo SUS, em todos os Estados brasileiros e é recomendado nos meses de maior circulação do vírus” relatou.

Imunização

É fundamental que profissionais da saúde façam a recomendação e que os pais imunizem seus bebês contra o VSR. Vale lembrar que a imunização, para esses grupos de maior risco, é gratuita no SUS, e é um direito de todo bebê ficar protegido.

Não são todas as crianças que precisam receber a imunização e sim prematuros, com menos de 29 semanas de idade gestacional, portadoras de doença cardíaca congênita ou doença pulmonar crônica da prematuridade. O próprio médico deve fazer a recomendação e encaminhar para a imunização.

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