BOA VISTA ENERGIA
Sindicalistas querem evitar venda
A audiência pública acontece nesta quarta-feira, em Brasília, com expectativa da presença de deputados e senadores
Por Paola Carvalho
Em 19/02/2018 às 01:25
O vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários, Roberto Benedetti: venda é prejudicial à população (Foto: Diane Sampaio)

A audiência pública sobre a privatização da Eletrobras Distribuição Roraima vai reunir sindicalistas e parlamentares na próxima quarta-feira, 21. O ato foi convocado por membros do Sindicato dos Trabalhadores Urbanitários de Roraima (Stiu-RR) e se inicia às 10h no Anexo II do Plenário II da Câmara dos Deputados em Brasília.

O vice-presidente do Stiu-RR, Roberto Rivelino Benedetti, informou que a reunião busca ampliar a movimentação de deputados e senadores do estado. O sindicalista citou, por exemplo, que a audiência pública sobre a venda da empresa na última sexta-feira, 16, em Roraima, contou com a presença de dois deputados, Carlos Andrade (PHS) e Édio Lopes (PR).

“A gente tem buscado apoio da nossa bancada federal, mas sentimos que esse apoio ainda é muito tímido”, comentou o vice-presidente durante o programa Agenda da Semana na Rádio Folha 1020 AM, no domingo, 18.

“Precisamos que nossos deputados e senadores sejam mais efetivos no combate à venda da empresa. A gente espera que os políticos mostrem a cara, que façam valer o voto e defendam a população”, afirmou.

Benedetti informou que a convocação da reunião é uma corrida contra o tempo, pois a venda da Eletrobras Distribuição Roraima tem até data marcada: o próximo dia 30 de abril. O sindicalista acredita que a privatização vai afetar massivamente os moradores do interior do Estado. “A nossa preocupação, além dos trabalhadores, é com localidades do interior e comunidades indígenas”, declarou.

Para o Sindicato, o custo bancado hoje pelo Governo Federal para levar energia às comunidades ribeirinhas, com poucos clientes e pouca geração de renda, é muito alto. Algo que não será acatado por uma empresa privada, que visa apenas o lucro. “Jamais vão se importar com os moradores das vicinais. Essas pessoas vão voltar à idade da pedra. Vão voltar a usar a velha lamparina”, disse Benedetti.

Entenda o processo de geração, transmissão e distribuição de energia

Para melhor informar a população sobre a privatização da Eletrobras Distribuição Roraima, o vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários informou que existem três segmentos no setor elétrico: geração, transmissão e distribuição.

Em Roraima, quem gera energia é o Linhão de Guri, as termelétricas de Monte Cristo, Novo Paraíso e a PCH de Jatapu. A Eletronorte transmite e a Eletrobras Distribuição Roraima, como diz o nome, é responsável pela distribuição.

Conforme Benedetti, o processo funciona da seguinte forma: a Eletronorte compra a energia de Guri, na Venezuela. A Eletrobras Distribuição Roraima compra essa energia da Eletronorte e faz a distribuição para o consumidor final. Além da energia de Guri, a Eletrobras Distribuição Roraima também compra a energia das termelétricas.

Hoje em dia, são seis empresas de distribuição que pertencem a Eletrobras, quatro na Região Norte e duas na Região Nordeste. No Norte são as empresas de Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. Na Região Nordeste são Piauí e Alagoas. As seis empresas de distribuição de energia são as que o Governo Federal quer privatizar, cada uma avaliada em R$ 50 mil.

Custo para manter usina de Monte Cristo supera R$ 26 milhões ao mês

Sobre as termelétricas, especificamente sobre a usina de Monte Cristo, o sindicalista disse ser um absurdo o valor pago mensalmente para manter o local em funcionamento.

“Pagamos aproximadamente R$ 15 milhões de reais por mês de contrato de aluguel e outros R$ 11 milhões de combustível. São R$ 26 milhões ao mês somente para manter essas máquinas funcionando, se precisar entrar em operação. Para auxiliar quando falta a energia de Guri, com algum blecaute”, completou.

Com a Eletrobras Distribuição Roraima assumindo a Companhia Energética de Roraima (CERR), a Jatapu ainda está em processo de regularização. A usina é responsável pela distribuição de energia ao interior. Além disso, existe a usina de Novo Paraíso, porém, os sindicalistas não souberam informar os valores pagos mensalmente à estação.

ESCLARECIMENTO – O vice-presidente aproveitou para esclarecer a diferença entre Boa Vista Energia S.A. e a Eletrobras Distribuição Roraima. Segundo Benedetti, se tratam da mesma empresa. “O nome Eletrobras Distribuição Roraima foi criado quando a Eletrobras incorporou a Boa Vista Energia, mas juridicamente, o que existe é a Boa Vista Energia S.A.”, finalizou. (P.C.)

Christhian Rodolfo Torres Dominguez disse: Em 19/02/2018 às 07:49:31

"a mamadeira esta acabando para tanto encostado....................."

Rio Branco disse: Em 19/02/2018 às 02:09:30

"Tem que vender mesmo, chega de cabide de emprego e curral eleitoral."