FONOAUDIOLOGIA
Respirar pela boca causa o mau desenvolvimento do maxilar em crianças
O desenvolvimento da face é o mais afetado, mas não o único, causado pela respiração bucal. Entenda
Por Raisa Carvalho
Em 13/12/2017 às 00:29
Segundo a fonoaudióloga Evânia Costa, a respiração bucal influencia no desenvolvimento maxilar da criança (Fotos: Divulgação)

A passagem de ar pelas cavidades nasais é fundamental para o desenvolvimento da criança. No respirador bucal essa região se desenvolve menos, ficando “afundada”, comprometendo esteticamente a face. De acordo com a fonoaudióloga Evânia Costa, a respiração quando feita de forma errada é capaz de dar à pessoa uma aparência de tristeza ou seriedade exagerada e tornando o nariz relativamente maior.

“O maior estímulo para o crescimento dos ossos é o trabalho dos músculos sobre eles. A função da musculatura orofacial tem sido, ao longo do tempo, considerada como fator relevante no crescimento e na forma do esqueleto craniofacial”, explica a especialista.

Segundo ela, a boca aberta torna os músculos faciais frouxos, atrapalhando as funções de sucção, mastigação, deglutição, fonação, expressão facial e mímica.

Com relação à mandíbula, a incapacidade que a criança tem em manter a boca fechada impede que os músculos exerçam as pressões necessárias sobre ela, tornando-a pouco desenvolvida pela maior abertura no ângulo formado entre sua porção vertical e a horizontal.

“A somatória desses problemas resulta numa face que se torna continuamente mais comprida, num processo denominado crescimento vertical da face. Com a boca aberta a língua vai para frente, se anterioriza; seus músculos tornam-se flácidos, hipotônicos, resultando na denominada deglutição atípica, impedindo o adequado crescimento do céu da boca”, ressalta.

O desvio de septo acaba dificultando ainda mais a respiração, além de vir acompanhado de nariz torto. “Também são mais comuns neste grupo de pacientes os problemas pulmonares, uma vez que sem a participação do nariz, o ar entra “in natura” nos pulmões: poluído, contaminado, frio e seco”, diz.

Em situações de dificuldade respiratória, o organismo automaticamente procura uma posição corporal mais confortável, que facilite o ato de respirar, levando a uma projeção anterior da cabeça em rotação para cima, ou hiperestendida, ampliando a passagem do ar pela faringe.

“A respiração bucal acaba assim, por ações compensatórias musculares e esqueléticas, modificando toda a postura corporal. Numa tentativa de se adaptar, aparecendo vícios posturais e distúrbios de equilíbrio de todo o corpo: tórax, abdômen, ombros, coluna, pelve, pernas e pés”, disse.

Ainda segundo a especialista, o tórax especificamente acaba se deformando com o tempo, tanto pelo esforço muscular contínuo na inspiração, quanto pela menor expansibilidade proporcionada pela menor quantidade de ar inspirado pela boca.

“Além de desenvolvimento inadequado da caixa toráxica e consequentemente dos pulmões. Havendo necessidade do aumento do ritmo cardíaco e toráxico para dar conta da demanda durante a oxigenação. Isso faz com que os tecidos destes órgãos atinjam a maturidade antes do tempo, tornando-os com menor capacidade funcional, que a médio e longo prazo normalmente levam a sobrecarga do sistema cárdio-pulmonar, que por sua vez pode levar o indivíduo a desencadear um A.V.C (derrame) e até mesmo Enfarto do Miocárdio” disse.

Crianças com respiração nasal melhoram sua postura com o crescimento, enquanto que crianças com respiração bucal mantêm um padrão corporal desorganizado, semelhante ao de crianças mais novas. “Com relação ao trato digestivo, o respirador bucal “engole” ar, que acaba parando no estômago, aumentando as possibilidades de ocorrerem os problemas: sensação de estômago cheio diminui o apetite. Alimentando-se menos e com menor concentração de oxigênio nos tecidos cresce menos do que deveria, podendo desenvolver baixa estatura”, conta.

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