PEC Nº 287/2016
Reforma da Previdência é prejudicial, diz senadora
Para Ângela Portela (PDT), apesar das alterações feitas do relator, a proposta vai retirar os direitos adquiridos pelos trabalhadores brasileiros
Por Paola Carvalho
Em 04/12/2017 às 01:48
A senadora Ângela Portela acredita que a mais prejudicada com a reforma é a mulher trabalhadora (Foto: Diane Sampaio)

O debate sobre a PEC nº 287/2016, que trata da Reforma da Previdência, tem se intensificado nos últimos meses. No final do mês de novembro, por exemplo, o relator da medida, o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), apresentou uma série de mudanças no texto original. Apesar das alterações, a senadora Ângela Portela (PDT-RR), acredita que a proposta continua sendo prejudicial aos trabalhadores.

Em entrevista ao programa Agenda Parlamentar na Rádio Folha 1020 AM, no sábado, 2, a senadora Ângela Portela (PDT) reafirmou ser contra a aprovação da PEC.

Sobre a nova proposta, com poucas modificações, a senadora acredita que os trabalhadores ainda terão graves prejuízos em alguns pontos. Entre eles, a idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, quando antes era 60 para homens e 55 para mulheres, com 25 anos de contribuição. Aí, a senadora entende que o prejuízo recairá sobre a mulher brasileira.

“A servidora pública, com a nova regra, perdeu sete anos. A professora, que se enquadra na aposentadoria especial, perdeu cinco anos. Nós temos tripla jornada. A gente dá aula, de manhã e de tarde, prepara aula antes, corrige a prova, tem as nossas responsabilidades familiares, com os nossos filhos e vamos perder esse período. A mulher vai ter que trabalhar mais e contribuir 40 anos para ter direito a aposentadoria com salário integral. Para os professores, a aposentadoria será aos 60 anos, independente do sexo”.

Outros pontos levantados pela senadora estão relacionados à aposentadoria rural e o acúmulo do benefício de pensão por morte e aposentadoria. “Agora, o mínimo de contribuição é de 15 anos para o trabalhador rural, mas só vai receber 60% do salário e 40 anos para quem quiser a aposentadoria integral”, informou. “A pensão por morte e aposentadoria, hoje, as famílias podem acumular e isso vai acabar. A pensão deixa de ser integral e passa a ser 50% só do valor do benefício do segurado falecido e mais 10% dos dependentes, até o limite de dois salários mínimos”.

MOVIMENTAÇÃO – A senadora também comentou sobre a visível movimentação no Congresso Nacional para fazer a reforma da previdência e também, a intensificação da publicidade nos meios de comunicação para convencer a população.

“O presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM), está em intensa articulação para aprovar, mas, felizmente, ele tem dito que ainda não tem os votos para aprovar. A informação da imprensa nacional é que dos 513 deputados, 220 são contrários à reforma”, completou.

A senadora disse ainda que, a propaganda institucional do Governo Federal é enganosa e quer criminalizar o servidor público. “Ela quer culpar o servidor público, como se ele fosse o culpado pelas mazelas da economia do nosso país. Isso é um absurdo, vergonhoso e desonesto com o trabalhador brasileiro. A reforma da previdência, apesar de algumas modificações, continua muito ruim para os servidores”, frisou. “São R$ 2 bilhões de reais que devem os grandes empresários, os governos dos estados, as prefeituras municipais. E só nós, servidores públicos é que vamos pagar? Isso é uma injustiça”, questionou a senadora. (P.C.)

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João Pirão disse: Em 04/12/2017 às 11:05:08

"O pior é que o governo está pagando uma grana doida para passar propaganda na mídia para convencer incautos sobre a previdência. No entanto, com o REFIS renuncia a uma bolada das empresas campeãs em sonegação, que devem ao fisco, não só por previdência. A perversão está se especializando."