Polícia

Militar do Exército é preso após mentir sobre roubo de pistolas

O caso do militar do Exército que disse ter sido roubado por travestis na madrugada da segunda-feira, dia 20, teve uma reviravolta depois que a delegada responsável pela investigação afirmou que ele teria mentido sobre sua patente e sobre as armas roubadas. No fim das contas, ele foi autuado em flagrante junto com a travesti que roubou seus pertences.

Quem explicou o caso à Folha foi a delegada Eliane Gonçalves. “Eu fiz o procedimento contra a travesti porque a bicicleta e a mochila realmente estavam na casa dela, mas quando ouvi as partes, percebi que alguma coisa não estava batendo, aí comecei investigar e só terminei o flagrante após às 16h da mesma segunda-feira. Foram 12h fazendo esse procedimento”, declarou.

O militar disse que era sargento, mas depois da investigação a polícia descobriu que isso não era verdade. “Ele também disse que o pai era delegado da Polícia Federal, mas eu peguei o nome, fui investigar, entrei em contato com a Polícia Federal e a informação era falsa. Ele forneceu a numeração das duas armas que ele afirmava terem sido roubadas, mas as numerações não existem. Ele não tinha a posse das duas armas, como havia dito”, ressaltou a autoridade policial.

Em dado momento do depoimento, o homem contou que pegou as armas em uma lixeira para levar para membros de uma organização criminosa, por ter um parente preso e precisar fazer o serviço, mas depois desistiu dessa versão da história, possivelmente para se livrar do flagrante de porte ilegal de arma de fogo.

“Fiz o flagrante contra ele por denunciação caluniosa, cuja pena é de oito anos, então não teve direito nem à fiança, e por lesão corporal, porque a travesti me falou que foi agredida por ele. Concluí que foi denunciação caluniosa porque ele deu causa à investigação de algo não era verdade. Também fiz o flagrante separado da travesti, porque as coisas dele realmente estavam na casa dela”, esclareceu a delegada.

Por fim, Eliane Gonçalves revelou que as armas não existem. “Ele pode ter mentido para os militares para mostrar a importância da ocorrência. Eu me convenci que as armas não existem, por isso não fiz o flagrante dele por porte ilegal de arma de fogo. Ele não é sargento. É um recruta que entrou no Exército há pouco tempo e trabalha na cozinha. Não tem parente na Polícia Federal. Foi um trabalho difícil, árduo e saí com a consciência tranquila por ter conseguido resolver parte da situação”, finalizou.

O juiz que atendeu ao sujeito na audiência de custódia manteve a decretação da prisão dele por entender o caso como uma somatória de mentiras, apesar de isso não ter excluído a ação de roubo da travesti. (J.B)