VIOLÊNCIA EXTREMA
Jovem é assassinado a golpes de madeira e a pedradas no Pricumã
Vítima era homossexual e entidade de defesa afirma que pode se tratar de mais um caso de intolerância
Por João Barros
Em 04/11/2017 às 00:55
Corpo de Hiago Nunes Trindade (no detalhe) foi encontrado por populares num campo de futebol (Foto: Divulgação)

Na manhã desta sexta-feira, dia 3, populares encontraram o corpo do jovem Hiago Nunes Trindade, de 18 anos, em um campo de futebol na Avenida dos Bandeirantes, bairro Pricumã, zona Oeste da Capital. O rosto da vítima estava desfigurado devido ao amassamento do crânio causado por pauladas e pedradas. A motivação do crime ainda não foi esclarecida.

A Polícia Militar foi acionada, isolou a área e chamou a perícia criminalística para realizar os procedimentos técnicos e uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) para fazer a remoção do corpo. Agentes da Delegacia-Geral de Homicídios (DGH) também compareceram ao local do crime para dar início às investigações.

Ao lado do corpo estava um pedaço de madeira sujo de sangue que foi usado para a prática do homicídio. A polícia acredita que o assassinato tenha ocorrido durante a madrugada e até ontem não havia conseguido testemunhas para falar sobre o caso. Pela manhã, a Folha foi até o IML, no intuito de conversar com os familiares da vítima, mas eles estavam muito abalados e não quiseram dar informação sobre o caso e nem mesmo se teriam alguma suspeita da autoria do crime.

Segundo o laudo elaborado a partir do exame cadavérico, a morte foi causada por traumatismo craniano com massa encefálica exposta em decorrência da violência do ataque. Ao fim do procedimento dos legistas, o corpo foi liberado para a família. O delegado titular da DGH, Cristiano Camapum, explicou que as investigações estão em curso, mas que até o fim da tarde de ontem nenhum suspeito tinha sido identificado.

INTOLERÂNCIA - Apesar de a família não ter confirmado, o presidente do Grupo DiveRRsidade, Sebastião Diniz, informou à Folha que a vítima confessava a amigos que era homossexual assumido, e que o crime pode ter sido motivado por intolerância. “Tem que ser investigado, porque foi um crime diferenciado. Não é qualquer um que esmaga a cabeça de um rapaz com uma pedra”, disse.

Se confirmado, esse seria o terceiro caso de crimes cometidos contra homossexuais em menos de um mês na Capital. No dia 22 de outubro, a transexual Angelo Tablante, de 27 anos, conhecida como Stefany, foi morta com mais de 20 facadas desferidas por um servidor público. O crime ocorreu na Orla Taumanan, no Centro da Cidade.

Na mesma noite, catadores de lixo encontraram um corpo do sexo masculino com pelo menos 25 perfurações de arma branca no aterro sanitário, zona rural de Boa Vista. As investigações apontam que ele também era homossexual. (J.B)

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