VENEZUELANOS REFUGIADOS
Estratégia de interiorização tem grandes chances de sucesso, acredita Acnur
Para o porta-voz da instituição no Brasil, Luiz Fernando Godinho, as ações, se planejadas de forma correta, podem resultar em um acréscimo na mão de obra qualificada no país
Por Paola Carvalho
Em 02/03/2018 às 01:35
A Acnur reconhece que o impacto da chegada dos venezuelanos em Roraima é muito alto para os serviços e a economia local (Foto: Arquivo/Folha)

A estratégia de interiorização dos venezuelanos apresentada pelo Governo Federal tem sido bem avaliada pela Agência das Organizações das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur). A organização acredita que a ação pode resultar em um acréscimo na mão de obra qualificada no país, contanto que seja feita de forma coerente e atendendo às necessidades dos estrangeiros e dos estados aptos a recebê-los.

Segundo o porta-voz da Acnur no Brasil, Luiz Fernando Godinho, a Acnur apoia a decisão, pois reconhece que o peso é muito grande sobre o Estado e sobre os serviços oferecidos na região. "Não há uma capacidade de absorção dessas pessoas no mercado e economia local. Se esse processo de realocação, de interiorização, acontecer de uma maneira ordenada, tem grandes chances de ser bem-sucedido. As pessoas que têm formação têm capacidade de trabalhar no Brasil e agregar economicamente com o país", avaliou.

O porta-voz esclareceu que, desde que a decisão foi anunciada pelo Governo Federal, a Acnur vem trabalhando em um levantamento com os estrangeiros para analisar a recepção da notícia. O trabalho foi iniciado no abrigo localizado no Tancredo Neves. No último final de semana, a Acnur conseguiu finalizar uma checagem geral, em parceria com o Ministério da Saúde e a Prefeitura de Boa Vista, em que aproximadamente 300 venezuelanos já estariam prontos para deixar Boa Vista.

"Já com a documentação, todo o check-up médico, faltando apenas o tempo de maturação das vacinas para que possam viajar pelo país normalmente. Em Boa Vista, o nosso trabalho tem sido de identificar as pessoas no sentido de prepará-las para essa viagem e, por outro lado, também no sentido de aprender onde existe uma melhor capacidade de recepção dessas pessoas", afirmou.

OUTRAS AÇÕES – Além do levantamento, a Acnur ressalta que continua o seu trabalho em parceria com a Polícia Federal no monitoramento das fronteiras e no registro das pessoas que entram no país. "A PF tem uma capacidade de atender 150 pessoas por dia, mas o número que passa pelo órgão é muito maior. Então, nós disponibilizamos voluntários e estagiários para auxiliar a PF a receber essas pessoas, dar um pré-atendimento, explicar as soluções que elas têm e ajudar no preenchimento de documentos", explicou.

A administração nos abrigos também tem sido parte da função da Acnur em Roraima, com o auxílio ao poder público e as organizações não governamentais na gestão dos abrigos do Pintolândia e de Pacaraima. "É um trabalho mais silencioso, tratar do acompanhamento dos venezuelanos, das questões que surgem no dia a dia e ao tentar solucionar cada uma delas, mas temos trabalhado nessa questão intensamente", reforça Godinho.

MIGRANTES X REFUGIADOS – A Acnur ressalta ainda a diferenciação entre as denominações de pessoas migrantes e refugiados. Para Godinho, o que se vive em Roraima é uma situação de recebimento de refugiados e não de migrantes. "Cada vez mais as pessoas têm deixado a Venezuela não só por questão econômica, de emprego, que é o que determina a migração. As pessoas também estão vindo por se sentirem ameaçadas e se sentirem de alguma maneira perseguidas pelos grupos políticos. É importante ressaltar essa característica que é claramente de um refugiado e atender às normas e tratados políticos feitos no país e no mundo para atendimento dessas pessoas", frisou. (P.C.)

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