SURTO DE SARAMPO
Combate com vacinação na fronteira
A doença chegou ao território brasileiro por meio de uma criança venezuelana infectada
Por Folha Web
Em 26/02/2018 às 01:40
O titular da Sesau, Marcelo Batista: “O governo federal deve instalar uma barreira sanitária” (Foto: Diane Sampaio)

Doença erradicada no Brasil desde 2015, o sarampo voltou a ser um temor para autoridades de saúde, principalmente em Roraima. Por volta do dia 11 deste mês, uma menina venezuelana de um ano de idade deu entrada no Hospital da Criança Santo Antônio com sintomas da doença. Devido à alta possibilidade de contágio, prefeitura, governo estadual e federal correm contra o tempo para imunizar a população e evitar um surto da doença, que em alguns casos pode levar à morte. 

Em entrevista ao Programa Agenda da Semana, na Rádio Folha AM 1020, no domingo, dia 25, o titular da Sesau (Secretaria Estadual de Saúde), Marcelo Batista, afirmou que o Governo Federal deve instalar uma barreira sanitária no município de Pacaraima para aplicar vacinas contra doenças já erradicadas em território brasileiro. A unidade irá funcionar em um prédio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) naquela localidade e contará com suporte do Governo do Estado e da prefeitura de Pacaraima.

O titular da Sesau afirmou que a imigração desenfreada e a falta de controle sanitário na fronteira facilitaram a entrada da doença em Roraima. Lembrou que o venezuelano que passa pela barreira em Pacaraima, não precisa mostrar nenhum cartão de vacina. “Ao contrário da gente, se formos para lá sem apresentar o cartão de vacina da febre amarela somos impedidos de entrar. No Brasil não se faz isso”, alertou.

No que se refere à barreira sanitária na fronteira, Batista ressaltou que essa é uma obrigação do governo federal. “Ali é uma região de fronteira internacional e deveria ser vista com mais atenção pelo Governo Federal. Na Venezuela, infelizmente, a cobertura vacinal é muito baixa e isso pode facilitar a passagem de doenças erradicadas no Brasil”, lamentou.

A menina infectada que deu entrada no Hospital da Criança, infelizmente teve contato com muitas pessoas até receber atendimento médico. “Podem ter sido infectadas pessoas na barreira, o motorista e os passageiros do carro em que vieram de carona, as pessoas no abrigo e nos demais locais onde essa família se alojou. A doença é altamente contagiosa, até mesmo nos primeiros estágios, quando a pessoa nem sabe que está doente”.

DEMANDA – O secretário de saúde relatou ainda as dificuldades que o Sistema Único de Saúde (SUS) vem enfrentando com o aumento da demanda nos serviços gerado pela imigração. “Toda essa situação já pode ser considerada um êxodo, pois o número de pessoas que passa em nossas fronteiras vem aumentando cada vez mais. Sempre atendemos os irmãos venezuelanos, isso não é nenhuma novidade, mas o que nos assusta é o aumento”, afirmou.

Em 2014 foram 766 atendimentos a imigrantes venezuelanos em todas as unidades hospitalares do Estado. “Até então, esse número era comum, nada expressivo, mas saltou para 19 mil em 2017, um aumento de mais de 3000%. É notório que as unidades do estado são antigas, foram reformadas há pouco tempo, mas não tiveram aumentado o número de leitos. A nossa população sabe que as vagas que temos hoje atende à população local e que ainda sofre com uma lotação superior em períodos sazonais”, disse.

Para amenizar a demanda por leitos, ele anunciou que na segunda quinzena de março, o Governo do Estado deve inaugurar o Hospital das Clínicas. “Essa unidade nos dará uma retaguarda de 120 leitos. A oferta será ainda maior após a inauguração do anexo do Hospital Geral de Roraima (HGR) em data a ser definida”, pontuou.

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