BEM-ESTAR
As perigosas interações do álcool com vários tipos de remédio
O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo preparou um material com as principais interações entre medicamentos e a bebida
Por Raisa Carvalho
Em 16/02/2018 às 00:05
O médico Cesar Penna é especialista em Endocrinologia e Metabologia (Fotos: Divulgação)

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o consumo de álcool per capita no Brasil excede a média internacional – tendo chegado a quase 9 litros em 2016, em comparação aos 6,4 do resto do planeta. E quatro dias específicos do calendário brasileiro dão um empurrãozinho para a nossa elevada média etílica: o Carnaval.

Durante o feriado, milhares de foliões pelo país bebem. E, enquanto muitos dos abstêmios podem encontrar no uso de antibióticos a justificativa para recusar uma cerveja gelada, pouco se fala sobre a interação das bebidas alcoólicas com outros tipos de remédio.

De acordo com o médico Cesar Penna especialista em Endocrinologia e Metabologia, ingerir bebida alcoólica enquanto há uso de medicamentos pode ser mais perigoso do que se imagina.

“O álcool pode alterar a interação de enzimas e de outras substâncias corporais quando entra em contato com medicamentos disponíveis no mercado, vendidos com ou sem prescrição médica, interferindo em sua potencialidade”, relatou.

Justamente por isso, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo preparou um material com as principais interações entre medicamentos e a bebida, confira:

Álcool + dipirona

O efeito do álcool pode ser potencializado.

Álcool + paracetamol

Maior risco de hepatite medicamentosa.

Álcool + ácido acetilsalicílico

Maior risco de sangramentos no estômago, já que o ácido acetilsalicílico irrita a mucosa estomacal.

Álcool + antibióticos

É possível que leve a vômitos, palpitação, cefaleia, hipotensão, dificuldade respiratória e até morte. Esse tipo de reação seria mais comum com as substâncias metronidazol; trimetoprim-sulfametoxazol, tinidazole e griseofulvin.

Já outros antibióticos – como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida – tampouco devem ser tomados com cerveja e afins pelo risco de inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Álcool + anti-inflamatórios

Maior risco de úlcera gástrica e sangramentos.

Álcool + antidepressivos

Aumento nas reações adversas e no efeito sedativo, além da diminuição na eficácia do medicamento.

Álcool + calmantes (ansiolíticos)

Aumento no efeito sedativo. Há ainda uma maior probabilidade de coma e insuficiência respiratória. Um exemplo disso é a substância benzodiazepina.

Álcool + inibidores de apetite

Tontura, vertigem, fraqueza, síncope, confusão mental e outros sintomas ligados ao sistema nervoso central se tornam mais comuns.

Álcool + anticonvulsivantes

Maiores efeitos colaterais e risco de intoxicação. Também há uma diminuição na eficácia contra as crises de epilepsia.

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