CAPITAL E INTERIOR
Agentes denunciam falta de papel nas delegacias da Polícia Civil
Problema tem dificultado o registro de boletins de ocorrências, além do encaminhamento de ofícios, memorando e inquéritos civis policiais
Por Luan Guilherme Correia
Em 14/12/2017 às 01:21
Alguns delegados estão tirando dinheiro do próprio bolso para comprar as resmas de papel (Foto: Hione Nunes)

Com o combustível das viaturas racionado, servidores que trabalham nas delegacias de Polícia Civil da Capital e do Interior estão enfrentando outro problema que compromete o funcionamento dos serviços essenciais: a falta de papel para impressão de registros policiais.

O problema foi denunciado por servidores do alto escalão da Polícia Civil após a Folha noticiar a falta de gasolina para abastecer as viaturas nas quais os agentes fazem diligências de investigações, entrega de intimações e cumprimento de mandados. O racionamento de combustível ainda não teria sido resolvido, segundo os servidores.

Agora a falta de papel tem atrapalhado o registro de boletins de ocorrências, além do encaminhamento de ofícios, memorando e inquéritos civis policiais. A situação ocorre há pouco mais de uma semana.

O serviço só não foi totalmente comprometido porque alguns delegados estão tirando dinheiro do próprio bolso para comprar as resmas de papel e alguns tonners de cartuchos que, segundo os servidores, também estão em falta nos distritos policiais, principalmente em unidades dos municípios do interior.

Um dos denunciantes, que preferiu não ser identificado por medo de represálias, informou que ouviu de alguns colegas de trabalho que o problema acontece devido o fornecedor que ganhou a concorrência para a distribuição do material ter importado papel da China. O produto, no entanto, teria ficado retido no Porto de Santos, em São Paulo, por não atender as especificações das normas brasileiras. “Não temos nada para reclamar da estrutura das delegacias, foi algo que melhorou muito, mas é constrangedor faltar papel e chato ter que ouvir delegado dizer que não vai trabalhar por conta disso”, disse o servidor.

Além de tirar dinheiro do próprio bolso, mesmo sabendo que dificilmente serão ressarcidos pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, que deveria distribuir os materiais conforme os estoques estivessem acabando nos distritos, alguns delegados têm que pedir papel emprestado às prefeituras e até ao Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR). “Não deram prazo para nós sobre quando isso seria regularizado. Já tem mais de uma semana que acabou o nosso estoque e estamos tendo que nos virar para não parar o serviço”, lamentou.

GOVERNO - Em nota, a Delegacia-Geral da Polícia Civil informou que todas as delegacias da Capital e do Interior estão abastecidas e que não procede a informação sobre a falta de material de expediente de qualquer natureza nas unidades policiais do Estado.

A reportagem voltou a entrar em contato com a fonte que denunciou o caso. O servidor informou que a alegação de que as delegacias estão abastecidas não procedia e voltou a afirmar a falta de papel e cartuchos nas unidades. (L.G.C)

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