Seguindo a trilhaEmbora eu tenha 18 anos de carteira assinada na Folha, eu escrevo artigos neste espaço há 19 anos de forma ininterrupta como colaborador. Mas, em 1993, estreei aqui com um texto enviado em laudas datilografadas, em defesa do povo Yanomami, o que significa dizer que há 22 anos já me identifico com este espaço de Opinião, o qual serve para abrigar debates e ideias.É uma trilha considerável de caminhada. E faço questão de lembrar porque ontem comemoramos os 32 anos de criação da Folha. É mais da metade de minha vida dedicado ao jornalismo na Redação deste jornal, sempre procurando honrar o Código de Ética e corresponder aos anseios da opinião pública, muito embora meus pensamentos tenham divergido das pessoas, em determinado momento.Mas nada foi por interesse pessoal ou a serviço de alguém. Nasci na década de 70 e passei da adolescência para a juventude na década de 80, quando éramos movidos por ideologia, em um momento dividido em uma Guerra Fria que decidia os nossos destinos.Ideologia não dá dinheiro, mas nos proporciona uma vida de contribuição ao debate e ao pensamento, pontos fundamentais para a construção de uma sociedade. E eu comecei a praticar ideologia em um momento muito crítico em Roraima, quando pensar e ter posicionamentos significavam uma ofensa ao sistema, aos que mandavam nele e aos que serviam ou queriam servir a ele.Ao longo desse período, vi a máquina de datilografia desaparecer diante do surgimento da tecnologia, com seus computadores e celulares com internet, que tornou o jornalismo algo espetacular no seu papel de ajudar a compor a grande aldeia global.Embora tenha visto o preto e branco dos jornais de minha época serem substituídos pelo colorido, e mais recentemente a chegada das telas brilhantes com sua capacidade de armazenar, compartilhar e reproduzir a vida sem precisar de impressão em papel, minha ideologia se mantém firme em favor de contribuir por um mundo melhor.No mundo cada vez mais individualista, quando a alienação e a opressão mudaram de cara e de tática, a ideologia continua importante para lembrar que a sociedade só consegue seus objetivos se continuar com o pacto de caminhar unida, dentro dos novos parâmetros impostos pela tecnologia e pelos novos tempos, ou seja, nem que seja reunida em grupos de redes sociais.Então, nesses 32 anos de Folha e nas quase duas décadas escrevendo neste espaço, venho renovar o compromisso de manter essa postura crítica, sempre lembrando que, sem divergências e sem debates, não será possível garantir esse mundo melhor que almejamos para nossos filhos e nossos netos. O mundo mudou, mas o compromisso de mantê-lo melhor continua, nem que seja uma utopia em página de jornal. Obrigado, leitor, por sua companhia nesses longos anos. Avante!*JornalistaAcesse: www.roraimadefato.com/main
Mais Colunas
Mais artigos
OKIÁ
Sabores da temporada
Ensaios, celebrações em família e sabores típicos da época. Festas e registros fotográficos marcam momentos de expectativa, alegria e união. Nos cafés e confeitarias, delícias como rabanadas ganham versões sofisticadas para a data. A coluna celebra esses encontros, tradições e preparativos que tornam dezembro tão especial.
COLUNA PARABÓLICA
TSE mantém multa de R$ 32 mil ao governador de Roraima
Coluna desta sexta-feira (5) ainda repercute a expectativa frustrada da equipe de Joner Chagas pela saída do ex-prefeito da prisão
Shirley Rodrigues
Espetáculo Natal da Paz 2025 será encenado neste sábado, 6, na Praça Germano Sampaio, as 19h
Com o tema “A jornada de todos nós - Uma ópera de Natal”, o espetáculo é quase 100% montado com mão de obra local, tem cerca de 2 horas de duração e reúne 1.500 pessoas na sua produção, entre atores, cantores, direção, músicos e outros.
AFONSO RODRIGUES
Nunca perca sua liberdade
“Há duas maneiras de perder a liberdade: quando os bobos são ludibriados pelos patifes, e quando os fracos são subjugados pelos fortes”. (Voltaire)