Por Jessé Souza
Em 07/11/2017

Tema surpresa e uma boa reflexão

Em tempos em que há um movimento muito forte de desconstrução sobre os direitos de minorias, em todo o mundo, o tema do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", foi importante principalmente para os jovens que estão em busca do seu lugar no ensino superior, que é a principal porta de entrada para o mercado de trabalho.

O individualismo e o avanço de um conservadorismo perigoso, de ultradireita, têm feito muitas pessoas se sentirem envergonhadas de manterem uma posição favorável aos temas sociais, dos direitos humanos e da questão das minorias, entre elas as pessoas com algum tipo de deficiência.

O fato é que o Enem não só abriu um leque de possibilidades para que se discuta a questão dos deficientes auditivos, como também pôs a juventude a refletir sobre o tema e a recolocar em suas preocupações de estudo a realidade de uma parcela da sociedade que sofre de preconceitos e exclusões por toda sua vida.

Os educadores envolvidos com essa questão comemoraram, a escola sentiu-se animada para recolocar o tema em discussão e a sociedade ficou impactada, pois quem estava se preparando para fazer o Enem jamais imaginaria que um tema neste sentido iria testar as habilidades de quem busca uma formação em um momento importante de sua vida.

O país precisava de um fato como esse para encarar uma transição difícil e incerta, em que as pessoas estão passando mais a acreditar em bravateiros sem propostas concretas para pensar e solucionar os problemas da realidade brasileira, a não ser seus jargões contra as parcelas mais frágeis da sociedade.

O achincalhamento das pessoas mais pobres e dos pensamentos em defesa dos mais fracos, além da desconstrução dos direitos humanos, passaram a ganhar espaço nas redes sociais, nos temas de youtubers zombeteiros e em programas humorísticos de TV achincalhadores.

Então, o tema da redação do Enem acabou por fazer as pessoas pensarem mais para dentro da sociedade, da educação brasileira, em vez de focarem seus conhecimentos da atualidade para temas que estão em destaque momentaneamente na mídia mundial. Os surdos são apenas uma parcela das pessoas que precisam ser pensadas com projetos de inclusão de verdade na escola e na sociedade.

Que bom seria se organizadores de outros concursos e seletivos também pudessem prestar esse serviço de reflexão para testar as pessoas sobre o que elas estão pensando sobre os desafios não só da educação brasileira, mas de outros problemas de setores importantes da sociedade.

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com
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Jessé Souza
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