Por Opinião
Em 20/11/2017

Economia comportamental e educação - Ronaldo Mota*

Richard H. Thaler, professor da escola de negócios da Universidade de Chicago, acaba de ganhar o Prêmio Nobel de Economia 2017 por suas contribuições em economia comportamental. Seus trabalhos ajudam a compreender como as pessoas tomam decisões sobre consumo, trabalho, investimentos e demais aspectos da vida, demonstrando que os traços humanos afetam sistematicamente nossas decisões

Ao minimizarem aspectos comportamentais, as teorias econômicas convencionais, em geral, assumem que somos totalmente racionais e que a objetividade é o guia dominante das decisões econômicas. Thaler foi um dos pioneiros na aplicação da psicologia ao comportamento econômico, esclarecendo como as pessoas tomam decisões financeiras, por vezes rejeitando a racionalidade.

O centro do raciocínio é que somos humanos, existe o indivíduo e ele precisa ser levado em conta. Na prática, mesmo sendo racionais, nossos comportamentos desviam de julgamentos puramente sistemáticos. Tais tendências estão associadas ao que chamamos genericamente de viés cognitivo e decorrem de motivações emocionais ou de influências sociais diversas. Além disso, há que se levar em conta os inevitáveis atalhos no processamento de informações ou as limitações inerentes às habilidades de nosso cérebro, incluindo distorções no armazenamento e recuperação de memórias.

Em educação fenômeno semelhante ao campo da economia comportamental está em curso. Ensino tradicional é centrado na transmissão de conteúdos e na assimilação de técnicas e de procedimentos. Gradativamente, novas habilidades, assentadas em aspectos socioemocionais e no incremento da capacidade de aprender a aprender, ocupam mais espaço. Portanto, na formação de profissionais contemporâneos há que se somar aos conhecimentos básicos os indispensáveis aspectos complementares cognitivos e metacognitivos.

Metacognição diz respeito àquilo que transcende a cognição simples, incluindo nossa percepção de como aprendemos, as habilidades de realizar conexões entre diversas áreas do saber, contribuindo para a solução de problemas complexos, a capacidade de comunicação, as habilidades no desenvolvimento de trabalhos em equipe e os outros aspectos socioemocionais. Compreender os vieses cognitivos ou metacognitivos torna-se especialmente relevante em um mundo com ênfase em economia comportamental e de informação plenamente disponível, de forma instantânea e gratuita.

No que diz respeito aos conhecimentos básicos, as três mais relevantes prioridades são: 1) letramento geral sofisticado, que vai muito além da alfabetização, contemplando a capacidade comprovada de escrever e interpretar textos mais complexos, e o letramento matemático, que transcende as operações matemáticas mais simples; 2) letramento digital, incluindo o domínio de plataformas e o preparo para compreensão, adoção e desenvolvimento de softwares e aplicativos; e 3) percepção de onde estamos, via a capacidade de entender aspectos históricos e geográficos, entendendo as diferentes culturas e comportamentos, desenvolvendo tolerância para especificidades, hábitos e costumes diversos.

As sete principais características complementares que se espera de um futuro profissional diferenciado são: 1) habilidade de aprender a aprender continuamente ao longo da vida, ampliando sua própria consciência acerca dos mecanismos segundo os quais ele aprende; 2) capacidade analítica para resolver problemas práticos, ou seja, embasado no conhecimento do método científico e na familiaridade com pensamentos críticos, desenvolva o domínio de raciocínios abstratos sofisticados; 3) efetividade em juntar diferentes áreas do saber e das artes, com especial disposição para a área de gestão de informações; 4) efetiva habilidade de comunicação, sabendo lidar com pessoas e a negociar com flexibilidade e competência em todos os contextos; 5) inteligência emocional desenvolvida, incluindo perseverança, empatia, autocontrole e capacidade de gestão emocional coletiva; 6) disposição plena para o cumprimento simultâneo de multitarefas, propiciando capacidade de análises apuradas e de tomada de decisões; e 7) competência em colaborar em equipe de forma produtiva, sendo respeitoso e cordial, entendendo as características individuais e as peculiaridades das circunstâncias, promovendo ambientes criativos e empreendedores, resultantes de processos coletivos e cooperativos.

*Chanceler da Estácio


Quem é esse eu aí? - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Sempre considerei um mistério a capacidade dos homens de se sentirem honrados com a humilhação de seu semelhante.” (Mahatma Gandhi)

Mas mais misterioso, é a capacidade do homem em se deixar ser humilhado. Afinal de contas quem sou eu? Sou eu ou sou o que os idiotas querem que eu seja? Se se deixar levar por eles você estará se comparando a eles. O Bob Marley também disse: “Enquanto a cor da pele for mais importante do que o brilho dos olhos, haverá guerra.”. E você vai continuar numa guerra desigual se continuar se deixando levar pelos imbecis que julgam você e seu valor, pela cor de sua pele. Corta essa.

Já falei pra você, do dia, e não faz tento tempo, em que ouvi o barulho de um movimento lá na Praça da Sé. Fui até à janela, olhei, e vi a Praça lotada de gente. Desci e fui até lá. Era um movimento de negros protestando contra a lei de Cotas nas Universidades. Fiquei feliz em ver como temos negros que se valorizam rejeitando benesses que os qualifica como inferiores. São os que sabem que não é a cor da pele nem o modelo dos cabelos que vão dizer o que eles são.

Como o Gandhi, eu também considero um mistério ver como ainda nos deixamos levar pela ignorância e idiotice dos que dão mais valor à cor da sua pele. Porque é o que faz o preconceituoso. E o pior é que o preconceito está bem alimentado na nossa Educação. Porque é o que vemos nessa lei absurdamente preconceituosa, das cotas. Vamos nos valorizar no que somos. E por isso devemos ser sempre o melhor no que somos.

Depois de mais de vinte e seis anos na prisão, ele foi solto e logo em seguida começou a governar o seu país. E ele não conseguiu isso por ser preto ou branco, mas por ser o Mandela. Tenha-o como exemplo e pare de ficar tentando se fantasiar para mostrar que você tem valor, apesar de ser um negro, ou negra. Seu valor está em você. Aprimore-se dentro da evolução racional que não exige a cor de sua pele.

Enquanto seres humanos somos os mais hediondos animais sobre a face da Terra. E não adiante tentar fugir dessa realidade. O que importa é que nos conscientizemos disso e procuremos ser o melhor, na nossa condição de seres humanos. E essa igualdade não pode ser desigualada pela incompetência apresentada nos preconceitos hilários dos despreparados. Porque o simples fato de sermos animais não nos dá o direito de considerar os semelhantes como inferiores. Pessoas superiores não veem inferioridade nos seu próximo. Senão não seria próximo. “Você é tão pobre ou tão rico quanto o seu vizinho, senão não seria vizinho dele”. E somos todos vizinhos na imensidão desta Terra imensa. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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