Por Opinião
Em 19/01/2018

Fases do amadurecimento - Vera Sábio*

"Enquanto uns plantam alface para o almoço, outros plantam carvalho para a sombra na velhice".

Muitas vezes, nós, pais, precisamos esperar o amadurecimento dos filhos. No entanto, esta espera é muito cansativa, frustrante e até desastrosa.

Nós, pais, já esquecemos o quanto fomos jovens inconsequentes e, por termos este amor incondicional, capaz de dar e querer mais aos filhos, do que a nós próprios.

Acabamos por evitar momentos difíceis, poupando dos filhos, as dores necessárias para o amadurecimento e atrasamos assim o resultado, ainda que angustiados com a longa espera.

Porém, o que vale realmente a pena é o plantio feito na infância. O restante é liberdade, trajetória e consequência dos próprios atos.

A dedicação destinada aos filhos, na primeira infância, produzirá frutos na vida adulta, quando menos se espera, e às vezes, ao pensar que tudo está perdido, os filhos tornam-se adultos e refletem o que foi-lhes plantado.

Então o importante é quanto antes os filhos entenderem que o amor de seus pais os limitam, não deixando eles fazerem tudo que quiserem e ter tudo que tiverem vontade. Eles devem perceber o quanto antes que os pais são seus melhores amigos, seus confidentes, seus portos seguros. No entanto a regras em uma família, que para o melhor desenvolvimento de todos, cada um precisa fazer sua parte.

Os pais nunca devem ser substituídos por qualquer outra pessoa, ou seja, independente da genética, são pais ou responsáveis aqueles que os adotaram e estão sempre com eles.

Se este vínculo acontecer de verdade, não importa se o amadurecimento demore um pouco, mas a gratidão uma hora ou outra irá lhes despertar do sono da juventude rebelde, da grande aborrecência. Afinal, os alicerces foram bem fincados e não será qualquer tempestade da vida e das influências que o abalarão.

As raivas, palavras não bem ditas, desordem, rebeldia; jamais prevalecem diante do verdadeiro amor entre filhos e pais, onde esta fase de autoafirmação e rebeldias logo passará, chegando o momento em que querem ser pais, como seus pais são.

Entregue os filhos aos cuidados de Deus; todavia estando sempre presentes, preocupados e fazendo o que podem na certeza de que Deus pode e ele faz o que não formos capazes.

*Psicóloga, palestrante, servidora pública, escritora, esposa, mãe e cega com grande visão interna.
CRP: 20/04509
vera.sabio@tjrr.jus.br


Educação digital em 2018: do linear para o exponencial - Ronaldo Mota*

Comportamentos de variáveis ao longo do tempo podem ser descritos por modelos matemáticos. Dois dos modelos mais utilizados são: o modelo linear, representado por funções do tipo y = ax + b, e o modelo exponencial, no qual se empregam funções do tipo y = beax. Um exemplo atual interessante é o número de matrículas na modalidade Educação à Distância (EaD) no ensino superior brasileiro. Os dados mais recentes, ainda não oficiais, indicam que, provavelmente, neste ano o crescimento exponencial seja evidenciado.

O número de matrículas EaD vem crescendo de forma contínua e sustentável por mais de uma década, tendo atingido quase 1,5 milhão em 2016, o que já representa uma participação de quase 20% do total de matrículas da educação superior. Interessante observar também que o número de matrículas em cursos de graduação presencial diminuiu nos últimos anos (decréscimo de 1,2% entre 2015 e 2016, enquanto na EaD o aumento de matrículas foi de 7,2%). Se considerarmos que no ensino presencial a adoção da EaD no limite superior de 20% está, praticamente, universalizada, poderemos afirmar que, antes do final desta década, mais da metade das atividades didáticas serão ministradas via EaD.

Em 2017, foi inaugurado um novo marco regulatório para o ensino superior brasileiro, o qual tende a induzir mudanças mais profundas e abrangentes ao longo da próxima década. Destaque-se que a separação abrupta entre as duas modalidades, presencial e à distância, conforme previsto em lei, é algo peculiar do Brasil. No restante do mundo, a grande tendência é o modelo híbrido, o qual visa a combinar, com bastante liberdade e customizado caso a caso, as melhores ferramentas advindas tanto das experiências presenciais como não-presenciais. O que torna ainda mais complexo este processo é que, à luz de uma nova realidade baseada em educação híbrida, flexível e aberta, o próprio conceito atual de presencialidade, em poucos anos, se perderá por completo, quando sequer saberemos distinguir a presença da criptopresença.

Antes de novas considerações, recuperemos um pouco da história recente. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996) inovou ao abrir a possibilidade de EaD em todos os níveis e modalidades de ensino. No ano de 1998, dois Decretos publicados caracterizaram EaD e regulamentaram a LDB, definindo competências entre os sistemas federal, estaduais e municipais. Posteriormente, duas Portarias do MEC (uma de 2001 e outra de 2004) trataram da possibilidade de introdução de métodos não-presenciais na organização curricular e pedagógica dos cursos superiores reconhecidos. No entanto, enquanto modalidade com alguma escala em cursos regulares de graduação, o ano de 2006 pode ser considerado, de fato, o nascedouro efetivo da EaD no Brasil. Tenho a satisfação de ter acompanhado de perto, enquanto secretário nacional de Educação a Distância do MEC na ocasião, todos esses primeiros passos.

Distintamente da educação presencial, na educação digital a escala não compromete a qualidade, muito pelo contrário. Todos os especialistas internacionais têm segurança em afirmar que a racionalidade e a economicidade envolvidas na utilização das tecnologias digitais na educação permitem baixar custos e aumentar qualidade simultaneamente. A ênfase na aprendizagem independente, centrada no aprender a aprender ao longo de toda vida, e o ensino baseado em metodologias ativas e em solução de problemas são novidades já incorporadas, ainda que preliminarmente. Enfim, metodologias que levem em conta as características personalizadas de cada educando, suas demandas específicas e os ambientes peculiares do mundo do trabalho contemporâneo são exemplos de iniciativas positivas em curso.

Se no século passado a capacidade de memorizar conteúdo e a aprendizagem de técnicas e procedimentos eram o centro, atualmente o amadurecimento dos níveis de consciência do educando acerca de como ele aprende torna-se gradativamente mais relevante. Em termos mais simples, aprender a aprender passa a ser tão ou mais importante do queaquilo que foi aprendido.

Pessoas educadas são essenciais para a melhoria da qualidade de vida e para o aumento da competitividade e produtividade de um país. A formação de cidadãos aptos a desempenharem tarefas complexas é missão urgente e imprescindível. Explorar esta nova realidade - onde todos aprendem-, se aprende o tempo todo e cada um aprende de forma personalizada, é, portanto, o maior de todos os desafios do mundo da educação.

*Chanceler da Estácio


Faça sua autoavaliação - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Não inveje. Admire! Seja entusiasta com o sucesso alheio como seria com o seu próprio. Idealize um modelo de competência e faça sua autoavaliação para saber o que está lhe faltando para chegar lá.” (Aristóteles Onassis)

Você certamente conhece a história do Onassis. Ele foi um dos grandes exemplos do empreendedorismo. E não se consegue chegar até lá, sem o conhecimento das Relações Humanas, que implica controle de qualidade, indispensável ao sucesso. A harmonia dentro do ambiente de trabalho é fundamental para a evolução. O respeito ao sucesso alheio é uma demonstração de sentimento moral, espiritual e, sobretudo, profissional. Sinta-se bem no seu ambiente de trabalho, na família e no meio social. É simples pra dedéu. É só você se valorizar no que você realmente é. Porque quando sabemos o que somos, sabemos como ser.

O ambiente profissional num país subdesenvolvido difere muito do, do país desenvolvido. Que é o que ainda vivemos. Ainda temos dificuldade em fazer com que as Relações Humanas no trabalho sejam devidamente entendidas. Ainda encontramos dificuldade em fazer com que as pessoas entendam que tudo está na Educação. Que, ou nos educamos ou continuaremos navegando em águas turvas onde poderíamos estar saboreando o fruto do saber simples.

Admirar é muito importante. Quando admiramos e nos orgulhamos do sucesso das outras pessoas, estamos visualizando o que nos interessa e que podemos alcançar, não imitando, mas copiando o fazer. Porque é assim que fazemos o que aprendemos a fazer, com os que fizeram o que devemos fazer. A vida é um aprendizado permanente. Cabe a cada um de nós, saber o que queremos e podemos fazer bem feito.

Mantenha a harmonia no seu ambiente de trabalho. Não perca seu tempo com fofoqueiros. Não dê ouvidos a assuntos que não possam lhe trazer engrandecimento. Ame sempre o que você faz, não importa o que seja. O que importa é como você faz. Já lhe falei daquele faxineiro que foi promovido, na transferência para a mecânica da empresa. E a transferência foi feita pelo presidente da empresa que não o conhecia, nem ele conhecia o presidente, nem nunca soube que foi ele que o promoveu. Um caso aparentemente simples e esquisito, mas verídico e presenciado por mim.

O que mede o seu valor não é o que você faz, mas como você faz. Procure fazer sempre o melhor. Você pode. É só acreditar em você e na sua capacidade. Seja sempre cordial. Esteja sempre disposto ao sorriso. Ame-se amando. Quando amamos respeitamos. E o respeito é fundamental para o bom entrosamento. E a simplicidade é a base que sustenta o sucesso. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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