Por Opinião
Em 13/01/2018

Coragem! - Francisco Habermann*

Estava gostando da sequência festiva do final de ano quando as contas e cobranças começaram a chegar, já nos primeiros dias do ano. Um contraste inevitável entre o tão gostoso Bom Princípio de Ano desejado a mãos cheias e a rigidez das obrigações inadiáveis que a maioria enfrentamos. E o pior, quase sempre de mãos vazias. Mas, reflito agora, antes assim do que com o coração vazio, o que é muito mais grave em qualquer ocasião.

Digo assim, porque tive a felicidade de ver a sentença que foi promulgada nesse início de ano de 2018 por um inspirado juiz que optou em atender prioritariamente aos valores intangíveis do coração humano. Assim se expressou ele: “É hora de extinguir, sem resolução do mérito, artigos processuais de desencantos; De reconhecer ex-ofício à prescrição de velhos problemas; De arquivar o que já foi resolvido, dando-lhe justo lugar na história;

De indeferir pensamentos negativos, deferir abraços e votos de felicidade.”

E determinou: “Distribuir”.

De minha parte, acatei como manda a lei. Fiquei feliz e divulgo a sentença final com a devida anuência do editor deste espaço público. Acrescento aos leitores, entretanto, um alerta e uma esperança.

Diante de tantas perspectivas que observo por aí, da enorme ansiedade dos brasileiros que batalham a vida toda para ter uma existência digna, mas são vencidos pela indignidade, pela desonestidade, pela incúria, pelo mau exemplo dos superiores, pelas pesadas burocracias e cobranças impostas, ressalvo uma lembrança. É, antes, um aviso protetor do nosso jeito de ser tão badalado.

Quero lembrar a todos que não se desesperem, que não pensem que está tudo perdido, que tenham esperança. Sim, basta fazer pequenas contas e nem precisam se angustiar com as esquecidas fórmulas de cálculo integral para se obter a feliz resultante. Vejam que beleza (esse é o nome do autor – Dr. Beleza* - desta lembrança final):

“Amigos, daqui 40 dias é Carnaval, depois, mais 40 e já é Páscoa, daí, mais 60 dias é a Copa, depois de 120 dias é eleição e depois de mais 60 dias já é Réveillon de novo”.

Que cálculo integral, que nada, gente. Vamos lá. Coragem!

Ô, ô... skindô... skindô...!

Ilustre médico cirurgião vascular formado na 26ª turma da FMB-UNESP.

*Professor da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (FMB). Contato: fhaber@uol.com.br


Quem vai pagar essa conta? - Hélio Costa*

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente que o ICMS, um imposto estadual, não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, ambos tributos federais. Como consequência, para compensar a perda de arrecadação, a Receita Federal (RFB) teria realizado estudos para avaliar eventual elevação de alíquotas destes tributos federais. A alíquota atual do setor de serviços é de 3,65%, cumulativa sobre a receita bruta; para a indústria e o comércio, de 9,25%, não cumulativa. Caso a intenção de aumentar estas alíquotas se concretize, setores de serviços com alta capacidade de geração de empregos – mas que recolhem ISS e não ICMS e, portanto, não tiveram economia com a decisão do STF – serão fortemente impactados pelo aumento da carga tributária.

Os setores que recolhem ICMS são aqueles que comercializam produtos, como a indústria e o comércio. Já a maior parte do setor de serviços recolhe o ISS. Caso a elevação da alíquota do PIS e da COFINS seja colocada em prática para os todos os setores, e não somente para os que pagam o ICMS e foram beneficiados com a decisão citada do STF, o setor de serviços pagará uma conta que não está relacionada à natureza dos seus negócios, que recolhe ISS e não ICMS.

É importante destacar que o setor de serviços é um dos que mais emprega no Brasil. Eventual medida nesse sentido impactaria diretamente na geração de empregos em uma conjuntura econômica delicada, que está nos primeiros passos da recuperação. Elevar tributos no momento em que o Brasil ainda tem 13 milhões de desempregados vai apenas aumentar esse número, começando pelo setor de telesserviços.

A Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) estima que, se o aumento fosse de 0,75% na alíquota do PIS/Cofins, isso resultaria na perda de 100 mil empregos somente nas empresas associadas, que representam um terço dos empregos no setor. Com margens estreitas de rentabilidade e tendo a mão de obra correspondendo a 80% dos custos dessas empresas, qualquer aumento de tributos afeta diretamente a geração de empregos.

A empregabilidade segue como pilar socioeconômico do setor de contact center. Em mais de dez anos, o mercado de contact center cresceu 244% em contratação de mão de obra. O setor é responsável pela qualificação de jovens, promovendo sua ascensão social e melhorando a empregabilidade em outras áreas. É também um importante formador de mão de obra qualificada, investindo até 7% do faturamento em treinamento e capacitação.

Em estudo realizado pela LCA Consultores, demonstrou-se que a cada emprego gerado em contact center, outro é gerado na economia, o que demonstra a alta capacidade do setor na geração de renda.

Esse mesmo estudo verificou que os multiplicadores de produção do setor de contact center são maiores que os da indústria. Por exemplo: para cada R$ 1 milhão alocados no setor de serviços, são gerados na economia brasileira, em 1 ano, R$ 800 mil em salários, 80 empregos e R$ 4,4 milhões na produção. Já com a alocação do mesmo montante de R$ 1 milhão na indústria seriam gerados R$ 421 mil em salários, 37 empregos e R$ 3,7 milhões na produção.

Estes dados reforçam que o setor de contact center tem um papel muito relevante na recuperação de emprego, na expansão da massa salarial e na retomada do poder de consumo da população. Por outro lado, elevar impostos põe em risco a recuperação da economia e geração de empregos. Extremamente sensível a esses movimentos bruscos e ocasionais, o setor de serviços não funciona como a indústria e o comércio, que têm a opção de transferir parte do aumento de alíquotas para o consumidor. Os estudos em torno destas simulações da RFB para o aumento da alíquota do PIS e da Cofins ainda não foram divulgados. Mas, caso haja aumento da carga tributária isto seria devastador para o setor de telesserviços que tem margem reduzida de lucro. O desafio é encontrar uma solução para que o setor de serviços não seja punido por uma “compensação” que não lhe diz respeito.

*Presidente do conselho da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT)


Mudamos ou não? - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Se há um idiota no poder, é porque os que o elegeram estão bem representados.” (Barão de Itararé)

Afinal, os eleitos foram eleitos para nos representar. Se se refletir sobre isso, se aprenderá a não eleger representantes que não nos representem com dignidade. E fim de papo. Mas mais importante é você saber que o que você escolheu como seu representante, não é só seu. O que aumenta sua responsabilidade. Você está elegendo um representante do povo. E todos nós somos o povo, independentemente da classe social a que pertencemos. Simples pra dedéu.

Se você é um operário ou serviçal, seu voto é tão importante quanto o do seu patrão. O que nos ratifica o pensamento que nos diz que somos todos iguais nas diferenças. Quando sair de sua mansão, ou cabana, para votar, lembre-se de que você vai participar da eleição, como qualquer cidadão. Que sua responsabilidade tem a mesma dimensão e importância que a dele tem. Então não há por que você se sentir inferior nem vender seu voto para satisfazer suas necessidades. Porque você continuará no mesmo patamar inferior, se se comportar como inferior.

Reflita sobre a importância que você tem como cidadão. E sua cidadania está no seu dever de votar no candidato que você quer como seu representante no poder público. Respeite sua responsabilidade e seja responsável.

Um dia você irá se orgulhar de ter votado num candidato que soube respeitar você, fazendo de você um cidadão, de fato. Mas você só conseguirá isso no dia em que sair de casa para votar por dever e não por obrigação.

Enquanto você cumprir seus deveres por obrigação, não será, de fato, um cidadão. E o seu poder está no poder do seu voto. Vote em candidatos que mereçam seu respeito. E você só conseguirá isso se respeitando. Vamos parar de mandar corruptos para nos representar, desrespeitando-nos e ao País. Respeitemos a política, independentemente do seu nível. O que devemos é nivelá-la por cima, no degrau da responsabilidade.

Pare por um momento e analise o grau de responsabilidade que você tem para melhorar a condição política do Brasil. Não se ponha na condição de um coitadinho, porque você só o será se se considerar assim. Valorize-se e se respeite como cidadão, não importa sua condição social. Se você se valorizar crescerá e será respeitado como cidadão, e não como marionete de corruptos que fazem de você um verdadeiro títere e coitadinho.

Prepare-se para as próximas eleições valorizando-se como cidadão. Faça isso e você estará abrindo caminho para um mundo digno de você. Você pode fazer isso, desde que se dê o valor que você realmente tem. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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