Por Opinião
Em 06/03/2018

Amar nada tem a ver com o amor carnal - Marlene de Andrade*

“Mas a prostituição, e toda impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convêm a santos; Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações degraças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus” (Efésios, 5:3-5).

A palavra santo nada tem a ver com bondade. Ser santo significa biblicamente estar separado do mundo perverso e cultivar a cada dia o Fruto do Espírito Santo que é amor, alegria, paz, longaminidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Portanto amar não é apenas sentir uma emoção de momento e nem nutrir um sentimento vulgar por alguém.

A sensualidade entra no relacionamento do casal sim, contudo apenas como tempero e não como alimento, pois o tempero não tem os nutrientes necessários para o crescimento e fortalecimento da união marido e mulher.

O amor, segundo a Bíblia, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; “Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1ª Coríntios 13:5-7). Porém o “amor” mundano não tem passado de puro relacionamento genital físico e imoral. Tudo isso é fruto da carne, a qual a não tem compromisso com Deus e com o próximo.

O casamento não pode ser algo promíscuo, mas ao contrário deve se configurar em uma união saudável, acima de tudo, sublime e abençoada por Deus. O sexo praticado, fora do casamento, contraria as orientações bíblicas e com certeza vai acarretar maldição à vida de quem o pratica. A Bíblia assevera: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas me convêm.” (1ª Coríntios 6:12a).

O casal não precisa ser cristão para entender que se os esposos vivem um relacionamento de fidelidade mútua terá mais chance de construir uma família funcional e organizada. Um pai devasso, que gosta de relacionar-se com várias mulheres traz conflitos e insegurança aos filhos e a esposa. A mãe promiscua desonra seu lar e prejudica a sua prole e Deus não honra tal união.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho/ANAMT-AMB- CFM


Canção da alegria - Walber Aguiar*

“Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.” (Drummond)

Eram dias de Monteiro Lobato. Frank, o cara que tinha mais volume que os outros, Charles Caganeira, o monkey louro, Jairo, o menino que conversava com as paredes, Paulo apache, o cuinha, Odlan, o velho gavião, Parimé, Joãozinho, Dalício e o imprescindível Luiz Carlos Pereira, o jabuti.

Ora, Luiz viveu como bem entendeu viver, de astral alto e alegria contagiante. Aquele tipo de alegria que não se torna ridícula, mas que acena para os outros e faz com que as pessoas se procurem e se entendam um pouco mais. Isso porque, a vida não pode conter apenas sujeitos macambúzios, tristes, sorumbáticos, casmurros. A vida tem que carregar consigo as mais belas cores e canções, a fim de que celebremos o existir com graça e grandeza. A fim de que contemplemos as estrelas mal contempladas e façamos uma espécie de farra existencial que nos torne seres humanos mais leves e completos.

No Monteiro Lobato, Luiz era uma espécie de líder, um cara que sempre chegava animando, sempre falante e com alguma novidade para contar. Por ter um sinal no braço e ser um pouco mais amadurecido que os demais, nós o chamávamos de macumbeiro. Isso porque, o velho Luiz “jabuti” carregava em sua aura uma espécie de magnetismo, uma coisa que atraía, que cativava, que parecia juntar as pessoas em torno de si.

Mas o tempo, companheiro da alegria e das frustrações, se encarregou de arrastar cada um de nós para ângulos e pontos de vista diferentes. Nesse meio termo, em que as definições apareciam e os mosaicos passavam a ser montados com mais consistência, em que vivíamos, no entender de Drummond, a fase das misérias, Luiz optou pela vida militar, apagando fogo e salvando gente, sempre com dignidade, Laulimã assumiu o magistério, fez amigos nas escolas por onde passou, desenvolveu projetos. Chamou Luiz para ser compadre, padrinho do menino Raimundo Neto. Tal relação entre Luiz e Laulimã seria uma espécie de coisa de irmão, de alma gêmea, conforme as amizades mais fraternas e mais lindas e significativas que alguém já conheceu.

Ele carregava tanta alegria dentro de si que passou a tocar um instrumento e cantar, pois quem canta geralmente encanta, ainda mais quando a canção passa de alma pra alma, de coração pra coração, como no caso de Luiz. Sempre curtindo a Casa do Neuber, apreciava ritmos regionais e uma boa comida. Um dia me disse que não gostava de poemas tristes, mas disse a ele que, embora tristes os versos, os poetas fingiam a dor que sentiam, na ânsia de elaborar algo que fizesse cócegas na alma, ou seja, de contar as histórias de um mundo mais alegre e feliz.

Descanse em paz, irmão. Um dia nos encontraremos debaixo das enormes ingaranas do infinito. Aí teremos descoberto a mais intensa, louca e verdadeira alegria...

*Poeta, professor de filosofia, historiador, membro do Conselho de Cultura, advogado e membro da Academia Roraimense de Letras.
wd.aguiar@gmail.com


Acreditar em quem? - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Não há tribunais que bastem para obrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados.” (Rui Barbosa)

A perda de tempo está cada vez mais decepcionante na nossa democracia. Não há como obrigar a fazer o que devemos fazer por dever. Um procedimento que faz de nós meras marionetes. Não há justiça com obrigação. Só quando sabemos o que somos, sabemos quais os nossos direitos e deveres. Sabemos que devemos primeiro cumprir os deveres para merecer os direitos. Agatha Christie disse: “Eu sei que não é muito bonito, mas eu espero sempre o pior da humanidade.” Infelizmente é assim.

A Cultura Racional nos diz que “O ser humano é o parasita mais monstruoso que existe sobre a terra, em razão dos crimes hediondos que pratica contra as leis naturais”. E consideremos que estamos vivendo uma avalanche de crimes cometidos contra nós mesmos. Porque somos os únicos animais que praticam crimes. E até quando iremos navegar nessa piroga furada? Quando iremos descobrir que a única saída está na Educação? Mas primeiro precisamos aprender a educar.

Entristece-nos o problema da desordem no Rio de Janeiro. Mas mais entristecedor é o blá-blá-blá que ouvimos das autoridades, tentando mascarar sua incompetência. E continuamos despreparados para não entender a pantomima do “Que Brasil você quer para ao futuro?” Se soubéssemos o que queremos não teríamos o que temos. Ainda não fomos educados suficientemente para entender que somos nós, “cidadãos”, os responsáveis pelos políticos desonestos que bagunçam nosso País. Somos responsáveis pelo país que temos. O Joaquim Barbosa também nos chama a atenção: “Somos a única democracia que condenados por corrupção legislam contra os que os condenaram”.

O engodo que engolimos vindo da “Burrocracia”, que nos mostram como burocracia, envergonha os esclarecidos. Seria até inútil mencionar nomes que não mereceriam estar nos representando nos poderes públicos, mas estão, e eleitos por nós. Então, vamos acordar e procurar nos educarmos para podermos corrigir as distorções que nos envergonham.

Mas só conseguiremos isso quando reconhecermos que toda a desordem é resultado da nossa ignorância política. Vamos nos educar para podermos desfrutar a nossa importância, como cidadãos. Vamos nos educar para merecer o direito ao voto facultativo. Porque para merecê-lo temos que respeitá-lo. E não o respeitaremos enquanto ficarmos no ridículo de fantoches, títeres de políticos condutores de malas cheias de dinheiro roubado. Políticos que se não forem presos voltarão a serem eleitos por nós, vítimas de nós mesmos. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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