Por Opinião
Em 03/01/2018

O que será de nós... - Tom Zé Albuquerque*

O ano de 2017 foi, sem nenhuma réstia de dúvida, um dos mais difíceis períodos para a população brasileira. A recessão, o desemprego, a corrupção, a irresponsabilidade nos poderes constituídos... Tudo isso asfixiou a sociedade num todo, curvando-a numa inércia penosa.

Os meses que se passaram foram brutais para com o brasileiro. A violência no país atingiu níveis estratosféricos, encarcerando as pessoas em seus lares fortemente protegidos; também privou as pessoas de se locomoverem livremente duma bandidagem cada vez mais protegida por leis demagógicas e com traços de fábulas mofinas. Aumentaram as mortes nos hospitais e, principalmente, por falta destes e do todo aparatado; estradas brasileiras causaram mais destruição humana que qualquer guerra civil no mundo.

A administração pública brasileira, falida que está (em especial os municípios), agonizou em 2017. A União cada vez mais centralizou os recursos para agigantar o poder de barganha em chantagem absurda, numa tortura desmedida. Considerável parte da imprensa se monopolizou de vez; só se publicou, em geral, o importante para os governos, publicidade estatal paga com o dinheiro nosso. Eis a ditadura velada. Os poucos ricos que conseguiram permanecer presos transformaram suas celas em escritórios particulares e quartos de luxos.

O individualismo do brasileiro tem notoriamente crescido, muito pelo sentimento de proteção em face do caos instalado. A esquerda brasileira, despreparada e colérica, conseguiu segregar cada vez mais no ano que findou.

Os guetos sociais foram covardemente alimentados por uma visão insulada de um pseudosocialismo doente de ódio e lastrado de alienação, demolindo a unidade social precípua de uma nação, polarizando as pessoas por cor da pele, pela propensão sexual, pela condição social, cor da bandeira. O patriotismo foi estuprado pela vermelhidão anárquica. Há no Brasil, indiscutivelmente, uma geração enferma pelo mi mi mi que enclausura mentes.

O ano de 2018 será muito louco. Como no Brasil o ano útil só começa após o carnaval (aí ainda questionam sobre o porquê do subdesenvolvimento), três meses após haverá uma copa do mundo de futebol que, disparatadamente, estanca os serviços públicos no país, embora as publicações nos Diários Oficiais sejam bombardeadas de mudanças sinistras, protecionistas, geralmente para benefícios particulares em detrimento à coletividade. Político corrupto ama copa do mundo. Enquanto os tolos gritam gol, o saque se alastra. Pouco mais de dois meses após o circo da bola parar, vem o festivo, novelístico e sinistro pleito eleitoral brasileiro, e daí o Natal. Calculemos..., quantos dias úteis no Brasil se produzirá em 2018?

De nada adiantarão as mensagem melosas e cosméticas de ano novo, fartamente publicadas nas redes sociais, se a população brasileira não reagir. O Brasil de 2018, em todas as esferas, precisa de líderes íntegros, com atitudes probas; carece de comando e, como requisito, de uma sociedade sã. Que chegue logo, pois, 2019.

*Administrador


É só uma “virose” - Marlene de Andrade*

De sua boca procedem o conhecimento e o discernimento (Provérbios 2:6).

É muito estranho ver uma pessoa dizendo que o médico que a atendeu disse-lhe ser a mesma “apenas” portadora de uma “virose”, como se toda doença virótica fosse sempre doença “benigna”.

Os vírus podem ocasionar doenças gravíssimas e aí cabe uma pergunta, será que o paciente está mesmo somente com uma virose, ou seu caso é de urgência cirúrgica como, por exemplo, uma apendicite aguda, a qual é um quadro clínico que necessita de tratamento extremamente urgente?

É verdade que nem sempre é possível o médico chegar ao diagnóstico imediatamente, mas rotular tudo como uma “simples virose” é bastante equivocado. Se a história do paciente e o exame físico não foram suficientes para se chegar ao diagnóstico, existem os exames laboratoriais, os quais muito ajudam esclarecer doenças difíceis de serem diagnosticadas somente pela anamnese e exame físico. No entanto, há que ficar claro que o médico não é obrigado a fazer o diagnóstico da doença, tão logo atenda ao paciente e para isso pode recorrer aos exames laboratoriais.

Conheço o caso de uma senhora idosa que começou de repente a sentir cólicas abdominais e por isso resolveu procurar um médico que investigou melhor o seu caso e descobriu que ela não tinha contraído doença virótica e sim algo muito grave, ou seja, um câncer de intestino. Já pensou se ela ficasse no “mi mi mi” da “virose” e só fizesse uso de buscopan composto até morrer, devido ao referido câncer?
Para o médico afirmar que alguém é portador de virose, ele tem que excluir a possibilidade do paciente ter contraído bactéria, ou mesmo fungo, pois o tratamento de vírus é totalmente diferente do tratamento bacteriano ou fúngico.

Os vírus não têm células, mas são agentes infecciosos, às vezes, bastante agressivos como, por exemplo, o vírus da AIDS, hepatite B e C, gripe, poliomielite, febre amarela e entre outros, a raiva. Apesar deles não serem seres vivos, são parasitas obrigatório de células vivas, portanto contrair uma virose é muitas vezes, extremamente perigoso e a pessoa pode ir ao óbito irremediavelmente.

Termino este artigo afirmando que também não é para ninguém ficar cheio de fobia, achando que já está totalmente morto e que o jeito agora é se sentar não no berço esplêndido, mas sim em cima de uma sepultura, visto que a morte jaz à sua porta. Hoje até o vírus da AIDS e da hepatite B podem ser controlados através de tratamento e por isso nem tudo está perdido.

*Médica Especialista em Medicina do Trabalho


Não mintam sobre a minha geração - Percival Puggina*

Há poucos dias fiz aniversário. Embora costume brincar sobre o tema da minha idade dizendo que tenho 73 anos, mas "de banho tomado fico como novo", o fato é que algumas coisas mudaram na percepção que tenho da minha realidade existencial. Assim: quando eu era jovem, contemplava o futuro como um horizonte móvel. Ele se ampliava e se distanciava a cada passo dado. Agora, eu o percebo fixo. A distância entre mim e ele encurta a cada velinha soprada.

Um dos fascínios da vida, aqui de onde eu a vejo, é a possibilidade de ouvir o que os jovens falam e o que alguns dizem aos jovens. Nessa tarefa instigante de ouvir, comparar e meditar volta e meia me deparo com a afirmação de que os anos 60 e 70 produziram uma geração de jovens alienados. Milhões de brasileiros teriam sido ideologicamente castrados em virtude das restrições impostas pelos governos militares que regeram o Brasil naquele período. Opa, senhores! Estão falando da minha geração. Esse período eu vivi e as coisas não se passaram deste modo.

Bem ao contrário. Nós, os jovens daquelas duas décadas, éramos politizados dos sapatos às abundantes melenas. Ou se lutava pelo comunismo ou se era contra o comunismo. Os muitos centros de representação de alunos eram disputados palmo a palmo. Alienados, nós? A alienação sequer era tolerada na minha geração! Havia passeata por qualquer coisa, em protesto por tudo e por nada. Surgiu, inclusive, uma figura estapafúrdia - a greve de apoio, a greve a favor. É sim senhor. Os estudantes brasileiros dos anos 70 entravam em greve por motivos que iam da Guerra do Vietnã à solidariedade às reivindicações de trabalhadores. Havia movimentos políticos organizados e eles polarizavam as disputas pelo comando da representação estudantil.

Agora, leitor, compare o que descrevi acima com o que observa na atenção dos jovens de hoje às muitas pautas da política. Hum? E olhe que não estou falando de participação. Estou falando apenas de atenção, tentativa de compreensão. Nada! As disputas pelo comando dos diretórios e centros acadêmicos, numa demonstração de absoluto desinteresse, mobilizam parcela ínfima dos alunos. Claro que há exceções nesse cenário de robotização.

Mas o contraste que proporcionam permite ver o quanto é extensa a alienação política da nossa juventude num período em que as franquias democráticas estão disponíveis à vitalidade da dimensão cívica dos indivíduos.

Em meio às intoleráveis dificuldades impostas à liberdade de expressão nos anos 60 e 70, a juventude daquela época viveu um engajamento que hoje não se observa em quaisquer faixas etárias. Nada representa melhor a apatia política da juventude brasileira na Era Lula do que os fones de ouvido.

*Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é Arquiteto, Empresário e Escritor


O futuro é amanhã - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Aqueles que não se dedicam a pensar no que pode acontecer no futuro acabam sendo atropelados pela realidade.”

Ela sempre nos atropela quando não nos preparamos pra ela. Quando não pensamos no futuro somos atingidos pela realidade, porque nem percebemos que estamos vivendo o futuro. Estamos começando mais um ano de batalha, e nem todos se prepararam para a luta. O resultado que estamos vivendo atualmente por não nos prepararmos é o exemplo. 2017 foi um ano revolucionário. O problema é que nem sempre nos preparamos para as revoluções. Quando nos preparamos não precisamos estrebuchar nem gritar pelas ruas. É na luta silenciosa que devemos mostrar nossa grandeza. E a luta silenciosa está no nosso voto para eleger os que realmente merecem nosso voto.

Não sei se você está se preparando, ou se preparou, para mudar o rumo da nossa política. Ela está muito aquém do exigido pela cidadania. Ainda não nos respeitamos como cidadãos porque ainda não o somos. Ainda somos marionetes de políticos que não são políticos. Apenas vivem da política fazendo dela um meio de enriquecimento. E continuará assim enquanto não reconhecermos a importância da nossa participação na administração pública. Porque cada um de nós é responsável pelo futuro do nosso País. Então vamos amadurecer e fazer o melhor que pudermos fazer, para melhorar nossas vidas. E só faremos isso com a responsabilidade no nosso voto.

Sabemos que nem todos os que estão na política são políticos. E que grandes políticos não conseguem atuar na política, porque não somos capazes de entender isso. Ainda somos, politicamente, analfabetos. Mas se levarmos em conta que o futuro é amanhã, nos prepararemos hoje para eleger políticos realmente capazes de fazer política. Ainda temos bons políticos na política. Mas são os que, infelizmente, não conseguem trabalhar, cerceados pelos aventureiros mascarados de políticos. As eleições se aproximam. E cada um de nós deve se preparar para o dever de votar com legitimidade. O que exige a faculdade do voto. Porque só quando tivermos o voto facultativo votaremos por dever e não por obrigação.

Vamos nos preparar para merecermos a responsabilidade que não nos dão, mas nos impõem. Comece por respeitar a política. E você não a respeitará enquanto votar em candidatos sem formação política, nem preparo para exercer o cargo para o qual você o elegeu. O que significa que a responsabilidade pelos desequilíbrios é sua. Assuma isso e você mudará o rumo da história. Comece não vendendo seu voto, nem servindo de títere de aventureiros. Escolha seu candidato com responsabilidade. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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