Por Opinião
Em 02/12/2017

Para onde caminha a humanidade? - Sebastião Pereira do Nascimento*

Desde os primórdios da humanidade, a vida em sociedade é marcada por contradições e conflitos. Na contemporaneidade, este fato está cada vez mais visível, na medida em que assistimos atônitos, ao alto grau de conflitos e desacertos sociais por parte da humanidade. Como diz o filósofo Delmo Matto, a todo instante, somos conduzidos a crer que a coisa bruta sempre fez parte da condição humana.

Portanto, a boa vida apregoada por Aristóteles não nos cabe mais? No nosso cotidiano também não nos cabe mais pensarmos na solidariedade? Hoje vivemos numa época de transformações em todos os níveis. Não obstante, estas transformações refletem inexoravelmente na nossa própria capacidade de lidarmos com os semelhantes.

Onde o outro é cada vez mais estranho para nós e está mais distante de nossa própria capacidade de ver como ser humano. Há quem tema que isso possa ser uma tendência geral e que essa atitude hostil seja incorporada de forma ainda mais acentuada, com menos compromisso social e sem julgamento nenhum.

Atualmente o que percebemos é que os esforços das pessoas que antes eram usados para as coisas satisfatórias, agora são voltados para as coisas nocivas. Essa potencialidade humana que deveria ser o objetivo em comum agora é aliada à avidez e ao desejo imoderado pensado de forma unilateral e desprovido do sentido humano.

Diante dessas mazelas gerais, um fato que contribuiu muito para o fracasso da humanidade, foi a partir do momento em que se pensou dividir a sociedade em categorias ou classes sociais, contrariando a natureza singular da própria humanidade. Sim, começamos a sucumbir no momento em que esse processo de heterogeneização social sobrepôs o estado de igualdade promovendo o estado de segregação.

Sendo a mais forte estratificação social a estirpe humana que se convencionou tratar como classe média (que apesar de ser um contingente menor do que as classes desassistidas é a casta de maior potencial de ação e coerção), onde insatisfeita com o estado das coisas que só lhe convém e com a ordem estabelecida pelo paradigma neoliberal, hostiliza as populações pobres e bajula os super-ricos, ou seja, é a principal força motriz que impulsiona a concentração de renda e promove a pobreza extrema. Essa classe social quando exaltada deseja tão veemente ampliar suas oportunidades de receber benefícios muitas vezes impróprios, utilizando todos os meios possíveis de se apossar de seus interesses existencialmente corrompidos.

A classe média é uma categoria humana que sofre de profunda oligofrenia – déficit de inteligência composta pela tríade: debilidade, imbecilidade e idiotia. Portanto, um conjunto de sujeitos débeis, imbecis e idiotas que forma a força destrutiva da massa. Como diz a filósofa Marilena Chauí “a classe média é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante e arrogante. Ela é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética porque ela é violenta, e uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante”.

Não o bastante, quando as diferentes categorias de classe média se unem em prol de interesses mais universais, diluem-se numa massa humana e passam a agir, sentir e pensar contra os próprios interesses essenciais, perdendo todo o poder de reação humana, e como categorias que vivem em constantes conflitos passam ser facilmente doutrináveis.

Em muitos casos essa massa amorfa permanece num estado de dependência do poder instituído, não sendo capaz de adquirir seu estatuto político social. Pois ela é socialmente desmobilizada e desprovida de uma axiologia pujante que lhe permita transformar a ordem estabelecida num plausível progresso social.

De acordo com o filósofo Renato Bittencourt, a massa social, quando é manipulada pelas classes dominantes, torna-se fragilizada emocionalmente e coletivamente utilizada como massa de manobra. Isso porque ela atua acima de tudo por meio de um sentimento confuso, devido à sua incapacidade de expandir a sua potência intrínseca através de uma valoração efetiva e transformadora das reais condições humanas.

Assim a humanidade esfacelada em diversos segmentos torna-se difícil alcançar um equilíbrio social sólido. Por outro lado, é importante entender que o ser humano é um ser social, e como qualquer ser social ele necessita viver numa sociedade que ofereça condições de igualdade entre todas as estratificações humanas sem distinções.

Com isso, acerca dessas acepções urge a necessidade de uma reflexão sobre a própria animalidade humana. Afinal, o objetivo de uma reflexão sobre a essência da natureza humana identifica aquilo que é próprio dela. E faz com que de repente venha uma resposta trazendo uma ideia que possa restituir o sentido da humanidade, que na atual conjuntura caminha sem direção.

* Filósofo
sepenascimento@gmail.com


Os salvadores - Afonso Rodrigues de Oliveira*

“Gosto de ver um homem orgulhar-se do seu país, mas gosto também de vê-lo viver de tal maneira que seu país se orgulhe igualmente dele.” (Abraham Lincoln)

Somos todos responsáveis pelo país que temos. Nosso futuro depende do que fazemos no presente, claro. Ou trabalhamos para que nosso país se orgulhe de nós, ou nunca teremos um país do qual possamos nos orgulhar. A população brasileira mais esclarecida está vivendo um momento de decepção jamais vivido no Brasil. Quem viveu os momentos políticos do Brasil, do começo do século passado até mil novecentos e sessenta e quatro, sabe do que estou falando. A ditadura varguista foi aterrorizante, para a época. Mas não éramos tão esclarecidos para entender isso, à época.

Vamos refletir mais sobre o momento político que estamos vivendo. E o que mais me preocupa é que estamos correndo o risco de que a maioria dos maus políticos atuais volte ao poder nas próximas eleições. Não é pequeno o número de salvadores da pátria, que estão indo à televisão, dizerem o quando poderão nos salvar. E é aí que você deve dar uma paradinha, e pensar em você. As mudanças de que tanto necessitamos está em nossas mãos. Cabe a cada um de nós, cidadãos incipientes, conhecer nossos direitos e poderes para resolver a situação. Ou mudamos o rumo da nossa política ou nunca teremos de que nos orgulharmos no país que deveria, e pode, nos orgulhar.

Reflita sobre isso e vamos levar mais a sério o problema que os maus políticos estão nos causando. Vamos mudar o cenário. A responsabilidade e o poder são nossos. E só iremos nos orgulhar de nós mesmos, no dia em que tivermos um país do qual possamos nos orgulhar. Ame o Brasil como eu amo. Não se envergonhe dele pelos momentos maus que ele está passando há décadas, quando a culpa é nossa, somente nossa. Vamos cuidar da nossa Educação que está realmente em frangalhos. Não embarque na piroga furada de políticos que ficam o tempo todo usando seus fantoches para nos dizerem o tudo que eles têm feito no seu mandato. Um político e um cidadão educados sabem que tudo que um administrador público faz na sua administração é apenas parte do que ele deve fazer. É por isso que ele está ali, porque o pusemos ali, para fazer o que ele deve fazer como nosso representante. Logo, não há favores. O que quer que tenha sido feito é o que deveria ser feito.

Vamos nos concentrar em nossa educação. Analisemos o quanto ela tem sido prejudicada nos últimos cinquenta anos. Sem Educação não seremos civilizados. Veja se seu candidato está realmente preocupado com a Educação e se ele é politicamente educado. Pense nisso.

*Articulista
afonso_rr@hotmail.com
99121-1460

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fale@folhabv.com.br
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