OITO DIAS DEPOIS
Vítima morre no Hospital Geral e suspeitos de latrocínio são presos
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Dois homens e uma mulher são apontados como responsáveis pela morte de Raimundo Andrade Carlos
Por João Barros
Em 03/02/2018 às 00:39
A vítima morava com a mãe na Rua Sebastião Ari Paiva, no bairro Alvora; A vítima ainda chegou com vida à sua residência (Foto: Nilzete Franco)

Mais uma vítima de assalto que resulta em morte entrou para as estatísticas em Roraima. Raimundo Andrade Carlos, de 36 anos, não resistiu aos ferimentos decorrentes do trauma sofrido na cabeça durante uma abordagem criminosa na sexta-feira da semana passada, 26, e morreu na madrugada de ontem, dia 2, no Hospital Geral de Roraima (HGR).

De acordo com a irmã da vítima, o caso aconteceu em frente à residência da família, localizada na Rua Sebastião Ari Paiva, bairro Alvorada, zona Oeste da Capital. Raimundo morava com a mãe, mas não pediu socorro de nenhum familiar após ser ferido.

A irmã contou à reportagem que, às 4h37 do dia 26, câmeras de segurança de uma residência que fica na mesma rua da casa da vítima mostraram o momento em que ele passa em sua motocicleta, seguido de dupla de motoqueiros. Quando chega em frente ao portão da casa, os criminosos fazem a abordagem, no entanto, além de tomarem a moto de Raimundo, desferiram vários golpes.

Os bandidos fugiram, levando o veículo, enquanto a vítima entrou em casa, tomou banho e deitou-se sem pedir ajuda à família. Quando perceberam a gravidade do estado de saúde de Raimundo, os familiares o levaram às pressas para a Policlínica Cosme e Silva, onde recebeu os primeiros atendimentos, porém, teve que ser transferido ao Pronto Socorro Francisco Elesbão, no HGR, onde ficou em coma durante oito dias.

O corpo foi submetido a exame cadavérico na manhã de ontem e, em seguida, foi liberado para funeral e sepultamento. A irmã da vítima disse que orou para que a vontade de Deus fosse feita. “Eu conversei muito com meu irmão, mesmo ele estando na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e também orei para que Deus não permitisse que ele acordasse com sequelas, então eu entreguei nas mãos de Deus. Meu irmão era uma pessoa muito divertida e eu vou sentir saudade”, concluiu a irmã. (J.B)

Três suspeitos de latrocínio são presos pela Polícia Civil

Oito dias após a morte de Raimundo Andrade Carlos, de 36 anos, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores Terrestres (DRRFVAT), em conjunto com a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), concluiu parte da investigação do crime de latrocínio. O trio G.D.S, de 24 anos, D.G.S, de 24 anos, e a jovem E.N.S.F, de 18 anos, foi preso e conduzido à delegacia para prestar depoimento.

Os três jovens confessaram a prática do crime ao delegado titular da DRRFVAT, Paulo Migliorin, que deu detalhes do trabalho de investigação que resultou nas prisões. “Da vítima foram roubados um celular, documentos, carteira, dinheiro e a motocicleta. A linha de investigação começou pelo celular. Nós contamos com o apoio da investigação da equipe da DRE, verificamos o número habilitado no celular e chegamos a um casal de venezuelanos que prestam serviços de pedreiro, pintura, e limpeza de quintal”, disse.

Sem que os venezuelanos desconfiassem, a polícia contratou o serviço e, quando chegou até eles, conferiu o IMEI, que é uma espécie de identidade do aparelho ou código unitário e constatou-se que era mesmo o telefone da vítima. A partir daí, os autores do latrocínio foram identificados, conhecidos dos estrangeiros, que alegaram desconhecer que o produto era roubado, inclusive o valor que compraram não está tão abaixo do preço de mercado. O delegado afirmou que está analisando se cabe, neste caso, o crime de receptação.

Depois da identificação e da prisão dos indivíduos, o delegado conseguiu apurar que eles agiram da seguinte forma: a vítima foi atraída por E.N.S.F. para um local organizado por ela e, assim que chegou, a suspeita comunicou os outros dois que estava com a vítima que tinha uma Yamaha/Lander e um celular “daora” e perguntou se eles não queriam fazer a “fita”.

Os dois pediram para que ela levasse a vítima até o local onde programaram que eles estariam, sendo mais afastado e escuro. De posse de um pedaço de pau, esperaram a vítima descer da moto e quando tirou o capacete levou uma paulada na cabeça. A vítima ainda tentou levantar, segundo o depoimento dos próprios autores, mas foi imobilizada por um dos indivíduos enquanto o outro desferiu mais alguns golpes.

“Eles ficaram em posse dos itens roubados, inclusive a carteira até hoje não foi encontrada e eles alegam não ter pego, dizem que somente a moto e o celular foram roubados. O celular foi vendido para os venezuelanos e a moto foi vendida no Beiral. Vejam só, a moto custou a vida da vítima que foi trocada por 50 gramas de pasta base de cocaína, que vale uns R$ 600 e mais R$ 200 em dinheiro. Uma vida por drogas e por R$ 800”, enfatizou Migliorin.

O delegado ressaltou que as equipes estão em diligência para tentar localizar a motocicleta e identificar o comprador e tem outras pessoas que estavam no momento do crime, e serão indiciadas como coparticipes, porque vigiaram o ambiente para assegurar que nenhum imprevisto ocorresse.

“Foram conduzidos até aqui para oitiva, o caso é grave, entendo que não haveria possibilidade e nem tempo para ficar intimando até porque foi difícil localizá-los. Foram interrogados, não tem situação de flagrante e eu terei que tombar o inquérito e imediatamente estarei representando pela prisão preventiva. Serão enquadrados no crime de latrocínio porque infelizmente a vítima morreu, portanto a pena inicial para eles é de 20 anos de prisão. Eles serão submetidos a exame de corpo de delito e liberados”, finalizou Paulo Migliorin. (J.B)

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