ENSINO SUPERIOR
UFRR é pioneira em cursos específicos de bacharelado indígena no Brasil
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A instituição deu início à primeira turma de bacharelado indígena do país com o curso de Gestão Territorial Indígena, em 2009
Por Ana Gabriela Gomes
Em 03/02/2018 às 00:55
Professor Marcos Braga: “O diferencial da UFRR é o espaço acadêmico destinado exclusivamente aos alunos indígenas, o Insikiran” (Foto: Nilzete Franco)

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) foi uma das primeiras instituições federais a ter políticas específicas para a Educação Superior indígena. A primeira a criar um curso exclusivo no país foi a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em 2001, com a turma de licenciatura Intercultural Indígena. Hoje, 26 instituições ofertam o mesmo curso, inclusive a UFRR. Em relação a cursos específicos de bacharelado, a Federal de Roraima é a pioneira.

Em 2002, a UFRR criou o curso de licenciatura Intercultural Indígena e, sete anos depois, deu início à primeira turma de bacharelado indígena do país com o curso de Gestão Territorial Indígena. Ao todo, cerca de 40 vagas foram ofertadas. Em 2012, foi lançado o segundo curso de bacharelado do Estado, voltado à Gestão em Saúde Coletiva Indígena.

Dados mais recentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que o número de alunos indígenas nas universidades cresceu mais de 50%. Em Roraima, o crescimento é atribuído às políticas públicas criadas pela instituição. “O diferencial da UFRR é o espaço acadêmico destinado exclusivamente aos alunos indígenas, o Núcleo Insikiran de Formação Superior Indígena”, disse o professor Marcos Braga.

Atualmente, cerca de 700 alunos estão matriculados entre os três cursos oferecidos pelo Insikiran. Além disso, a UFRR conta com o Processo Seletivo Específico Indígena (PSEI), lançado em 2007, a partir de um convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Ford. Até o lançamento, apenas 11 vagas eram destinadas ao público indígena entre os cursos de Medicina, Ciências Sociais e Economia.

Braga relatou que, com o passar dos anos, outros cursos da universidade começaram a aderir ao processo. Hoje, cerca de 200 vagas são ofertadas para o vestibular indígena, que engloba os cursos do Insikiran e os demais cursos da instituição. Quase mil indígenas concorrem às vagas todos os anos. O professor lembrou ainda o percentual de indígenas que ingressam por meio do vestibular macro e pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Ainda em fase de matrícula para o ano letivo de 2018, a licenciatura Intercultural Indígena é o único curso com matrículas fechadas. O aumento é constante. “Já temos 60 novos calouros para a licenciatura. O aumento no acesso ao ensino superior da população indígena não é só local, fez parte de uma política macro, a nível nacional, com o programa Universidade Para Todos e a Diversidade na Universidade”, finalizou.

UERR – Na Universidade Estadual de Roraima (Uerr), o Departamento de Registro Acadêmico informou que não há como saber o quantitativo de acadêmicos indígenas, uma vez que os alunos não são obrigados e não declaram, no momento da matrícula, pertencerem a alguma etnia.

De modo geral, a instituição registra 94 alunos indígenas em cursos de licenciatura nas comunidades do Contão, Surumu, Truaru, Vista Alegre e Félix Pinto. Contudo, apenas 35 se matricularam no último semestre. Os cursos oferecidos são Pedagogia com Ênfase em Educação Indígena, Ciência da Natureza, Pedagogia, Pedagogia Indígena e Pedagogia com Ênfase em Educação do Campo.

CATHEDRAL – Na Faculdade Cathedral, há 16 alunos indígenas matriculados atualmente entre os cursos de Direito, Psicologia e Farmácia. Para este ano, mais quatro alunos foram matriculados, totalizando 20 estudantes. Em 2015, apenas oito alunos estavam inscritos na instituição.

ESTÁCIO – A Folha entrou em contato com a Faculdade Estácio Atual para saber dos estudantes indígenas na instituição, mas até o fechamento desta matéria, às 18h, não obteve resposta. (A.G.G)

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